Luiz Geraldo Mazza
Munhoz da Rocha, por mais de uma vez em seus discursos, acentuou que a mística de um partido é uma imposição para a sua existência. A mobilização feita em favor do Atlético Paranaense mostrou que o que sobra no futebol nos falta em organização política e social. Quer dizer: fundamentos mágicos como os das torcidas se colocam acima dos que deveriam estar presentes em casos como o da defesa dos empréstimos ao Paraná brecados no Senado.
E vejam bem: o Atlético não gasta com o marketing da inocuidade, os institucionais babacas cheios de fervor cívico e apelos à unidade, que custam os olhos da cara ao erário, e constituem uma tradição paranaense para badalar qualquer governo em cima de idéias difusas e normalmente ocas. Pois não apenas atleticanos saíram em defesa do clube e a mobilização havida surpreende e por isso tem eficácia como fator de pressão.
A causa do Atlético é mais relevante do que a do Paraná no momento em que ensaia um salto estrutural em sua economia, comparável ao deflagrado nos anos 60 por Ney Braga, mas atualizado, inserido no mundo moderno? Obviamente não, mas também é certo que pelo menos o estribilho do hino atleticano é mais cantado do que o do Paraná (serás luzeiro// avante para o porvir!) e mostra que a camisa que se veste por amor não é uma camisa de força.
Pergunto: ninguém cobra nada dos governos e gênios da propaganda, que consumiram fortunas do contribuinte e que nunca responderam pelo custo-beneficío dessa inocuidade e seu respectivo retorno? Cada governo que entra saca um teaser, mexe na logomarca e no logotipo, passa por cima dos símbolos referenciais do estado (por sinal que a mudança de heráldica de Álvaro Dias, via Renê Dotti, está contestada no STF) e até que ponto isso fortalece a unidade interna, confere sentido clânico aos paranaenses como sociedade organizada?
Mas não é apenas o Paraná que não tem identidade forte, imantada por fatores lúdicos como a do Atlético. Também o nosso governador, um sem partido, mergulhado na perplexidade, está longe de ter credenciais para mobilizar, a despeito de toda a mitologia eregida a seu respeito e de suas também inegáveis qualidades. O tema vale uma reflexão e o retomo na sequência.
BIZARRICE Dizem que as altas taxas de mortalidade das ovelhas do governo passado se deveram menos à eventual ação dos chupa-cabras do que ao oba oba dos churrascos. É preciso separar a lenda do fato para que não prevaleça aquela como se deu com o interventor Mário Gomes que disseram ter comido todos os perus da Granja do Canguiri, o que não é verdadeiro.
MARIMBONDO A Urbs resolveu mexer num ninho de marimbondos ao pretender regular e de forma definitiva a questão do licenciamento de taxis. Ora se há agente que pode detonar a imagem do governo - municipal, estadual e federal ao mesmo tempo - este é o taxista. A pretexto de acertar a liberação de 138 placas que haviam sido cassadas algum legislador de plantão tentou regular tudo, inclusive impedindo o licenciado de arrendar, sub-locar, ceder o táxi. Enfim obrigações que não exigiu ao longo tempo dos que hoje têm até 40 carros.
Não espantará, daqui para a frente, um turista pedir para ver os lugares mais bonitos da cidade e o motorista conduzí-lo para cheirar o rio Belém, assistir a corrida de ratos na rua XV de madrugada, conhecer os travestis da Cruz Machado e as mariposas da rua Riachuelo. Uma trombada e tanto.
CONURBADA Em Guaraituba, ainda pertencente a Colombo, há uma paranóia contra serviço público. A bronca maior com a Telepar por causa da tarifa conurbada. Houve devolução de sua cobrança neste mês, mas o povão teme que ela volte. Dona Marta Lima acha que o governo escraviza o povo com isso e chia, ainda, contra a cobrança do esgoto, via Prosam.
AUDITORIA Neco Garcia, presidente do Banestado, quer toda história da Leasing em pratos limpos. Ao lado da auditoria corre inquérito do Ministério Público e se não houver panos quentes e pizza haverá consequências políticas muito graves. Mas o que surpreender Garcia é o vazamento de informações, muitas delas encaminhadas a oposicionistas. Para acabar com o nheco-nheco ele tem que virar em dois e repicar com o Neco-Neco.
VIOLÊNCIA Claudionor Loiola, arrastado 50 metros por um automóvel às 23h30 de sábado passado entre as ruas Pará e Santa Catarina, Vila Guaira, foi sepultado anteontem. Seus amigos, jornalistas, frequentadores do Bife Sujo, querem publicar um anúncio na imprensa com o título Procura-se um Assassino, pois até agora não há um só indício do autor que andava a mais de 120 km por hora.
Um contraponto na campanha bem humorada da prefeitura para desasnar o trânsito em Curitiba.
FOLCLORE Um dos maiores absurdos em política é o proposto por Álvaro Dias na questão das candidaturas com a preferência da que estivesse em melhor situação nas pesquisas. Ora, Lerner tinha mais de 70 e Requião menos de 5 em 85 quando Richa virou o quadro. Em 90 Richa estava disparado à frente e foi degolado no primeiro turno. Na mais recente, Álvaro estava 2 por 1 diante de Lerner e foi massacrado, o que aconteceu também com Carlos Simões diante de Taniguchi.
Pesquisa boa é mesmo a da boca-de-urna.
CROMO Um fio de cabelo no sabonete: se é difícil retirá-lo porque desliza e permanece, imagine-se como afastar certas idéias da cabeça.





