Luiz Geraldo Mazza




Requião passa Taniguchi
Nunca se viu um governo em tão baixo astral quanto o de Lerner. Não bastasse o estrago da CPI das Drogas e as más notícias de Brasília aplicando espartilho de sobriedade nos gastadores compulsivos tivemos dois informes: a pesquisa DataFolha, que dava empate técnico entre Cássio Taniguchi (31%) e Requião (30%) e outra, essa tão obscura como os lances da investigação do crime organizado, que mostrava o senador à frente do prefeito que deseja reeleger-se, guardada a sete chaves pelo PMDB, com três corpos de dianteira. Mesmo que não passe de mais um terrorismo da turma especializada nessas nefandas artes, o simples indicador do DataFolha provocou desastres no meio palaciano, houve deserção em massa e não havia sociólogos explicando a ocorrência como acontece amiúde quando os números são favoráveis.
Uma coisa está mais do que demonstrada: Taniguchi já está contaminado pela necrose que mina o tecido governamental, quando se acreditava piamente que detinha antígenos para neutralizar o contágio até porque a população passava a ver no executivo público alguém capaz de ampliar seu raio de autonomia. A peste chegou com toda força.
Mesmo com seus conhecidos receios de disputar a eleição, por temer antecipar o fim de sua carreira, o que é paranóia pura, Roberto Requião não tem mais argumentos para opor-se aos que condicionam a própria sobrevivência do PMDB à necessária disputa para prefeito da Capital, como escala indispensável para chegar, outra vez, ao topo do poder no Palácio Iguaçu. Recuo agora nesse propósito desmoralizaria a propalada coragem do senador, que ainda anteontem exercitou admiráveis sofismas, pretextando a defesa de Pitta, para atacar a corrupção no governo FHC e o absurdo que considera a proteção conferida ao Bradesco e a outros bancos, que deitaram e rolaram com os títulos estaduais.
O raciocínio é simples: se agora, com todo o plano de obras e a propaganda massiva em favor do prefeito, já há empate, dá para perceber que ganhar esse pleito não é mais uma impossibilidade. O governo está entre a UTI e a lousa do Instituto Médico Legal. Se essa marcha não for detida, dentro em pouco lembrará um cadáver insepulto.



FOLCLORE
Cássio faz uma gestão excepcional, super propagada, e apenas empata tecnicamente com o senador Requião. O eclipse de Lerner rouba a luz do prefeito. Logo ele que, até outro dia, lembrava uma aurora boreal.

BIZARRICE Tomado pela emoção, logo depois da transmissão do cargo, Candinho atirou no Ministério Público, no Judiciário e na mídia. Sua pontaria não melhorou em relação ao momento em que respondeu àquela tentativa de emboscada diante de sua residência, buscando alvejar seus algozes.
Ontem, porém, na entrevista à CBN estava sereno e até fez algum proselitismo conforme o retorno dos ouvintes, um terço dos quais o apoiava.
AXIOMA FHC tem mais chances de reverter as pesquisas do que Lerner. O País deve crescer mais de 4% e o Paraná, não. Isso sem falar que a degradação prossegue incontrolável. E o pedágio vem aí na certa e há, ainda, o risco de atraso no pagamento do funcionalismo, já para abril ou maio.
GLOSA O repentista Jota Carlos fez duas quadrinhas a propósito da ida de Cândido Martins de Oliveira à rádio CBN: ‘‘Nem tão cândido parece// na afirmativa que faz// misturando o que acontece// aos tempos de Barrabás.// Comparar Noronha a Cristo// é infeliz afirmação// é por isso que insisto:// não foge da Inquisição!//’’
MELANCOLIA O Banestado já quebrou, encontra dificuldades imensas para o seu saneamento e boa parte dos seus funcionários está em greve. Pelo jeito, eles acreditam mais do que o governo na sobrevivência da casa que, todos sabem, vai necessariamente implodir. Nessa parede há mais romantismo e quixotismo do que nas demais.
SPRAY Principal efeito da pesquisa DataFolha de ontem sobre a disputa em Curitiba: aumentou o cacife do PPB malufento com os sete pontos de Toni Garcia, resíduo ainda das artes de Jamil Snege como marqueteiro.- Quem vai usar e abusar dessa circunstância, como já faz em Londrina, será o José Janene, aquele que recebeu nota negativa da ‘‘Folha de S.Paulo’’ sobre desempenho parlamentar.- Lerner não é mais mito (já o foi como Boi Tatá, Maria Bueno e o Pirata Zulmiro), de acordo com essas interpretações. Está lambusado com o que há de corrupção no seu governo, muito além da polícia, e nos eventos de Londrina.- Quem está comemorando pesquisas é o ministro Rafael Greca, do Esporte e Turismo, numa fase excepcional de recuperação de imagem. Conforme o DataFolha, quase empata com seu colega, Paulo Renato, da Educação, mais exposto na mídia. Tem 4,7 (quinto) contra 4,8 do ministro da Educação.- Serra aparece em primeiro, com 5,4, seguem-no Sarney Filho (5,2%) e Pedro Malan (5).- Se a vitória de Cássio com apenas um ponto registrou pânico no ambiente palaciano, a recuperação do Rafael Greca não deu margem à alegria em vários compartimentos.- Vem aí a lavagem cerebral para tentar convencer a população, outra vez, que o pedágio-corsário é uma boa solução. Mais um tira-votos para quem está em pânico já não assusta.- Um caso de tortura por gente ligada a desmanche de automóveis contra testemunha de Vera Crovador foi levado, ontem, ao Grupo Fera. A testemunha Marlene Espínola foi ameaçada de morte. É a paranóia em marcha: o usuário pressiona a válvula do WC e o rejeito em lugar de desaparecer emerge na água do vaso sanitário.- Luta de braço-de-ferro no interior do governo pelo domínio do grande negócio, desta vez melhor ainda com 30 milhões do Japão, dos Jogos Mundiais da Natureza. Apesar da claridade aparente, outra caixa preta.- Tanto o Ministério dos Transportes quanto o DNER estão deixando bem claro que nada têm a ver com as trapalhadas do governo paranaense na concessão de rodovias. Lava as mãos como Pilatos para não assumir ônus jurídicos. Renato Aragão entra em deprê cada vez que sabe dos feitos paranaenses que deixam os seus como fichinha.-
CROMO O bisturi corta a carne rósea e revela aquilo que embalagem corporal esconde para não chocar.
AFORÍSTICO Pode dar guerra da pesada no Atletiba: anteontem na Arena um CD da torcida ‘‘Os Fanáticos’’ fazia convocações à violência. No Couto Pereira, a grosseria da torcida coxa assustava. Com a polícia, do jeito que está, um agito meio forte pode deixar tudo fora de controle.

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