Luiz Geraldo Mazza As CPIs desnecessárias Vamos fazer um exercício da boa didática: há CPIs necessárias e outras desnecessárias. As que se pretende montar no Paraná são necessárias, tanto a das Drogas, quanto a do Sercomtel. A ordem do governo é impedi-las porque as teme e de forma próxima da paranóia, embora, sob o ponto de vista moral até para recuperar a imagem do Legislativa, desmoralizada com o recuo da CPI da aliança Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam. Exemplo de CPI desnecessária – a dos Precatórios que a Câmara Federal pretende fazer em cima das denúncias contra Celso Pitta, e que nada têm de novidade, uma vez que se trata de café requentado. Tanto que hoje o Tribunal de Justiça de São Paulo examina, em grau de recurso, o ato da instância inferior que enquadrou o prefeito paulista como improbo. O senador Roberto Requião tinha todos os motivos para fazer o veemente pronunciamento de anteontem, que mereceu apoios gerais dos ‘‘pais da pátria’’, reclamando apenas mais rapidez nas ações da Justiça, cujos procedimentos seriam altamente prejudicados com uma nova CPI, dispersando energia e esforços inutilmente e facilitando até uma perspectiva de impunidade, como é da tradição tupiniquim. Claro que nem todo o mundo concorda com o estilo do senador, realçado naquela CPI quando assumiu a postura inquisitorial e até cometeu abusos, como o de fazer investigações paralelas. Neste caso, porém, está coberto de razão, pois as conclusões daquela instituição parlamentar eram suficientes para fornecer elementos indiciários para chegar até, como diz Requião, no maior banco privado brasileiro, o Bradesco, apontado como o grande beneficiário dessa operação com títulos fajutos, além de outros. A corrupção provada já tinha determinado a cassação do mandato de Pitta, sustentada, apenas, em função de medidas liminares, como se verá na hipótese de mais um voto de desembargador pelo impedimento, quando o prefeito buscará manter-se no posto com recurso ao Superior Tribunal de Justiça. Fazer duas CPIs em cima do mesmo tema é desperdício e cronograma para a impunidade. CROMO-AFORÍSTICO Cá, entre nós, um arco-íris, uma aurora, uma lua cheia, não lhe parecem, antes de tudo, ‘‘merchandising’’ do Lerner? O eclipse virá. PROPINOL Essa história da propina para vereadores paulistas já teve versão curitibana, quando se especulava que o cartel de transportes dava uma espécie de ajuda de custo aos camaristas. Requião, como governador, armou escândalo com um vídeo colhido na sede do sindicato dos transportes e mostrando as pessoas que afinal o frequentavam. Foi imprudente por usar a TV Educativa para uma denúncia vaga e alguns vereadores processaram, e ganharam indenização na Justiça, contra aquele órgão estadual, à época tocado pelo radialista Odenir Colombo. Sob o título ‘‘Ligações Perigosas’’ , chupado da obra de Choderlos de Laclos, um romance desenvolvido em troca de cartas, o vídeo ficou no ar durante vários dias. GLOSA Entusiasmado com o calor do próprio discurso, Requião não deixou por menos: se fosse criada uma CPI, ela deveria investigar o Ministério da Fazenda, o Banco Central e toda a equipe econômica do governo federal por terem legitimado uma fraude, uma vez que os títulos eram nulos, e apurar por que até agora o Bradesco, beneficiário maior, não foi alvo de qualquer investigação. AXIOMA Quando há alarido em torno de denúncias, é preciso lembrar o risco de ocorrerem reprises do caso Alceni Guerra, ministro da Saúde de Collor, em que nada se provou, embora o impacto atingisse a mulher e os filhos do político. Também é interessante recordar as primeiras ações do governo Ney Braga, através do Rubens Requião, para atingir Lupion, e que foram fulminadas, todas, na Justiça. Chegou-se a denunciar que o ex-governador tinha drenado para sua conta os juros de verba destinada a hansenianos. Como se vê, barra pesadíssima. BIZARRICE A denúncia de que a mãe do ex-assessor de Greca teria recebido milhões em sua conta particular é muito confusa: segundo o deputado Rosinha, a grana teria entrado dia 19 de junho na Caixa Econômica e sido retirada no dia 20. 19 de junho foi sábado, 20 domingo. Impossível. A correntista pediu extrato da conta corrente e não havia nada de anormal. O sindicato parou de exercer um poder paralelo na Câmara de Curitiba no momento em que foi ‘‘peitado’’ pelo governo e o derrotou, elegendo Íris Simões como presidente. Na sequência, o vereador Marcelo Almeida divulgou uma fita que mostrava a permanência dessas ligações e a Câmara não teve peito, nem os tão ‘‘autênticos’’ do PT, um deles o relator, para investigar coisa alguma. Assim, também, se explicam os bloqueios em Londrina.- SPRAY O PMDB não se emenda e é por isso que vai perder a eleição de novo: acredita em distribuição de volantes explorando a dívida de Curitiba e ignorando que nela se inclui todo o passivo dos mutuários da habitação e que é pago pelos beneficiários.- Agora está se agarrando em outro fio descapado: quer explorar o aumento do transporte coletivo, que a população já absorveu. Alega que os governos estadual e municipal ameaçaram as empresas de painéis se divulgassem o ‘‘outdoor’’ em que se mostrava que só no Plano Real houve alta de 150% nas tarifas.- Fala em liberdade, mas esquece que as empresas também podem recusar qualquer tipo de trabalho que não lhes seja conveniente. Lutar contra o poder estatal, e a tutela que exerce, é legítimo. Só que quando estava no governo ninguém abusou tanto dessa contingência.- O PMDB só tem uma saída: Requião (e não os clones) candidato. Mas para isso é preciso estoicismo e o senador não parece ter vocação para ‘‘boi de piranha’’. Convenhamos que é o único em condições de detonar o esquema lernerista.- FOLCLORE O otorrinolaringologista Elias Hanna, atleticano doentio, está irritado com as sinalizações de um ‘‘bandeirinha’’. Ele só se descomprime se atirar alguma coisa no auxiliar. Passa ao lado o menino vendendo um tabuleiro de coxinhas e risólis. Ele compra tudo e atira, um por um, naquele bandeira que ousava prejudicar o rubro-negro da Baixada.-

mockup