Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza Doutrina rala, primária O praticismo do governo Lerner, ao contrário do que se dava na Prefeitura de Curitiba, é de uma pobreza larvar em matéria de doutrina. Não tem uma base de teoria sólida, nenhuma, apesar de haver quadros capacitados a esse exercício. A maior prova disso é essa questão da luta fiscal com São Paulo, comandada por uma pessoa sem densidade para a operação como o secretário Giovani Gionédis, da Fazenda, esta aí a desfiar bravatas e clichês como a paranóia do imperialismo de São Paulo, o que chega a chocar por sua inconsistência e agudo primarismo. Um governo que adota um programa ousado como o de mudar o perfil da economia, quase reproduzindo o que Ney Braga fez a partir de 61, lançando os fundamentos dessa prodigiosa infra-estrutura econômica que tanto serviu de respaldo à atração das mega-empresas, muito mais do que os incentivos fiscais, concessão de áreas, que estão no fundo desse estrilo paulista, não pode carecer de uma teoria para fundamentar a praxis. A impressão que se tem, quando se ouve Lerner falar desse novo ciclo e desenhar aqueles chatíssimos mapinhas do Paraná e os desmoralizados Anéis de Integração que parecem aos olhos do povo mais como negociata dos pedágios do que algo articulado, logístico, para assegurar melhor desempenho do conjunto da economia, é que uma espécie de saída empírica está a comandar o espetáculo. Richa, como Ney Braga e até os que o sucederam sob o regime militar, com destaque para Canet Júnior, tinha essa doutrina. Já com Álvaro Dias, embora o razoável repertório de metas, as coisas perderam força, com o limite das funções da secretaria de Planejamento, o mesmo ocorrendo com Requião. Lerner tinha tudo para restabelecer essa mística e não o fez até hoje, apesar da ousada proposta de ruptura com as condicionantes da economia, tirando do Paraná a posição subalterna de complementaridade do mercado paulista. Era visível que essa desconcentração industrial provocaria atritos com os pólos tradicionais em primeiro lugar São Paulo e depois Rio, Minas e nossa emulação permanente, o Rio Grande do Sul. A prova dessa carência já deu para perceber quando dos bloqueios dos empréstimos no Senado por Roberto Requião e Osmar Dias, sem falar na desastrosa ida das classes conversadoras a Brasília, bem intencionada, todavia marcando um vexame, com as loas do paranismo, segundo Dalton Trevisan o refúgio dos medíocres. Ouvir alguém, destituído de conhecimentos mais articulados, a perorar sobre federalismo de uma forma colegial na batalha com São Paulo é assustador porque a nossa causa é boa, capaz de transformar-se até em idéia-força, mas carecemos de interlocutores mais habilitados. O pior é que os temos e os dispensamos. AFORÍSTICO Só haverá investigação, minimamente séria, no Paraná se vier de fora para dentro. Mesmo a da assembléia estadual, se admitida, não operaria. BIZARRICE Quem é o candidato de Londrina chegado em travesti? De repente uma sordidez dessa pode comprometer todo o esforço de mobilização cívica obtido na questão da Comurb e da Ama. Sirva a colocação para a seguinte reflexão: vamos evitar que o pleito se transforme numa cloaca pior do que a taxa de corrupção. AXIOMA Conclusão da Boiadeira está garantida. Quantas vezes ouvimos essa promessa para aplacar a indignação dos que comem pó entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste? Pois a promessa foi renovada e pelo jeito tem boi na linha. GLOSA Há mais retorno em defender ACM do que um pefelista do Paraná. Osmar Dias, senador do PSDB, o comprovou: fez discurso no Senado elogiando Antonio Carlos Magalhães, o que destoa da linha do partido, hoje em hegemonia. Ganhou meia página, ontem, no Correio da Bahia, por sinal pertencente ao elogiado ACM. Nada como um Dias depois do outro: ora é a crítica velada ao presidente da República, ora o discurso apocalíptico sobre os riscos de privatização da Petrobrás por causa da venda das ações. Na biologia como na política sempre é saudável uma certa dose de diversidade. E, é claro, de diversionismo. SPRAY O governo está na ofensiva: fez uma comissão de sindicância para esvaziar a comissão parlamentar. Pelo menos a local. A nacional não vai ser possível, já que a CPI quer ouvir de novo, sem diplomacia, o secretário de Segurança.- CPI nenhuma, nem a das Drogas e muito menos a do Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam. Essa é a posição dominante e diante dela os deputados se curvam, como é da tradição paranaense.- Numa administração como a de Lerner seria impensável algo como a Comissão de Alto Nível de José Richa que apreciou o incidente com as comissões indevidas em dólares denunciadas por Belmiro Valverde (Planejamento) contra Erasmo Garanhão (Fazenda), as duas figuras mais fortes do governo. Os debates no Legislativo foram em sessão pública e com tv. Diferença: havia democracia, o que sumiu depois do governo Richa.- Alentado relatório do advogado Hugo Ramos de Oliveira, que prestou depoimento a CPI, revela casos de infiltração da malha organizada até no Ministério Público e dá os nomes de todos.- Oliveira sofreu um atentado que atribui à mesma trama do crime organizado e espera que se reabra o inquérito a respeito.- Versões de que o delegado Noronha estaria na Região Metropolitana circulam por aí. Como a imagem do sistema é negra essas especulações são aceitas com naturalidade.- FOLCLORE A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo-Escola Paulista de Medicina) promove curso de saúde para jornalistas, ministrado por médicos, pesquisadores e outros profissionais da área. Está aí algo que deveria ser feito aqui no Paraná. Em gestões anteriores um release da secretaria de Saúde revelava que tantas pessoas tinham morrido de IRA (código médico para definir Insuficiência Respiratória Aguda) como poderia haver referências a TB (tuberculose) ou CA (câncer). No texto não havia a tradução do código, o que poderia levar muita gente a pensar que essa ira em caixa alta era um daqueles sete pecados capitais. CROMO Anteontem, fim de tarde, arco-íris perto do Centro Cívico: foi o que bastou para que assessores palacianos saudassem Jaime Lerner.





