Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza Uma dinastia em queda? Não há dinastia que se mantenha. É o que a roda dentada da história mostra: a mais recente do PMDB, em que pesem as credenciais de significar uma ruptura com o ciclo militar, também temporário (menor do que o de Getúlio Vargas, aliás, lembrado gloriosamente no Carnaval), que se esgotou no terceiro governo, o melhor deles, o primeiro de Richa, pela tolerância e abertura democrática, pelo dado experimentalista da participação popular, quase induzida. Agora temos outra dinastia, a de Lerner, mais desgastada no Estado do que no seu território mais imediato, o da capital, ameaçada de erosão, contida, em parte, pelas ações objetivas de Cassio Taniguchi, que tem condições plenas de manter-se no posto, ainda mais se o Requião verdadeiro, desconsiderados os clones, não se dispuser à disputa. A dinastia é ferida mortalmente em termos municipais, estaduais e federal. Este em função das atribulações do ministro Rafael Greca na marca do pênalti e que acabam atingindo o grupo lernerista. Municipalmente, o escândalo de Londrina é suficiente para minar o situacionismo até pela forçada de barra que foi a presença do grupo, inclusive de especialistas em financiamento de campanhas eleitorais, no segundo turno. Do material apurado até agora surgem indicações sérias de que a grana acumulada dos desvios serviu, também, para a campanha de reeleição do governador. Estadualmente, já não bastassem aleijões como o do pedágio, temos o visgo óleo de tarântula, sumo de morcego, raspa de urubu e de sapo, prontos para o caldeirão das bruxas de MacBeth dessa CPI das Drogas que alcançou em cheio a instituição policial. O adversário está com suas forças divididas: ambição e ânsia de revide é que operam como nutrientes das ações de Alvaro Dias, que sacrificou a continuidade de sua carreira (eleição fácil para o Senado) em favor de Roberto Requião, que não lhe deu a mínima ajuda quando postulante ao governo e cuidou apenas de sua ida ao Senado e que teve o repique do ex-aliado no chamado acordo branco, que lhe garantiu uma cadeira senatorial sem riscos. Se tais forças se mantiverem desunidas, e há tudo para que isso aconteça, a dinastia corre o sério risco de manter-se, haja uma droga de governo ou um governo enleado, ainda que indiretamente, na questão das drogas. AFORÍSTICO Ninguém sabia de nada do que acontecia no Paraná: nem o governo, nem a Polícia e muito menos os narcotraficantes e ladrões de carros BIZARRICE As escolas de samba se debruçaram sobre os 500 anos e muitas delas lembraram os ícones como Getúlio Vargas, como o que detonou a República Velha e abriu a Nova, logo desmontada pelo Estado Novo fascista. Jota Carlos, o versejador da Rádio CBN, flagrou a cena de Getúlio e mais da ex-amásia Virgínia Lane, ao vivo e wm cores, e fez a quadrinha provocativa: Getúlio na passarela/ com um charuto na mão/ mostra a vedete e revela/ que o Clinton é imitação. AXIOMA E o Rafael Greca fica ou cai? FHC não disse que ele ia cair, apenas que foi um erro nomeá-lo por não conhecer os meandros de Brasília. Jota Carlos tascou: Fernandinho embarca o Greca/ na nave-mãe de Cabral/ para que o levado da breca/ afunde num temporal GLOSA Diante da insistência de Padre Roque, deputado do PT, em divulgar que a inquirição do secretário de Segurança foi negociada e amaciada, Jota Carlos atacou: Escapou da CPI/ e escapou da demissão/ o secretário, esse aí,/ não foge à Inquisição. COMUNICAÇÃO Uma das deformações da província é acreditar, por exemplo, que as ações de defesa ou ataque relativamente a Rafael Greca possam mantê-lo ou, de qualquer forma, derrubá-lo. Essa é uma deficiência trágica do Paraná, que tem uma visão autárquica de processo e fala para dentro, não tem ligações externas para operar em nível nacional. Ainda que tenham um ar de ingenuidade, explicam a nossa pobreza na comunicação social. A bobeira de contratar mediadores, supostamente acreditados nos veículos nacionais, quase sempre é cara demais, valoriza mediadores nem sempre habilitados e resulta inócua. Inócuos, também, os tais escritórios de representação que apenas inflavam a vaidade de alguns burocratas travestidos em anedóticos plenipotenciários. SILOGISMO Muita gente estranhando o fato de que nenhuma revista nacional deu destaque ao enredamento do Paraná nas malhas do narcotráfico, em escala superior a tudo o que viu até então no Brasil. Os requianistas a atribuem, em cima de uma visão conspiratória, à capacidade de mediação do governo junto a essas organizações, o que não procede. Explicação mais singela é a de que se confere tão pouca importância ao Paraná que nem escândalos merecem destaque. Muito menos as denúncias, supostamente gravíssimas, dos seus senadores. SPRAY O grande número, irresponsável até para a crise, de secretarias do Paraná (29) favorece acomodações que poderão beneficiar Cândido Martins de Oliveira. - Num governo que promoveu a secretário um diretor do Banestado que estava praticando irregularidades, tudo pode acontecer e, a rigor, não há acusações diretas a Candinho, que poderia ser aproveitado numa reforma do secretariado em outra pasta. - Estratégia do governo é esperar que baixe a poeira da CPI Nacional para instalar a estadual e a controlar. Algo parecido com o que se dá em Londrina com o esvaziamento das ações contra Belinati por força de óbices judiciais. O PT ficaria com o direito de espernear, já que não lhe dariam nem a presidência e muito menos a relatoria. - Corrupção, tráfico de drogas, tráfico de influência (pedágio, entre outros) serão temas dominantes das campanhas de 2000 (municipal) e a de 2002 (sucessão de Lerner). FOLCLORE Na segunda-feira de Carnaval, a Rádio CBN retoma o tema da CPI das Drogas e ouve o secretário Cândido Martins de Oliveira, de Segurança, na praia. Muito hábil na argumentação, tranquilo, Cândido contesta os transbordamentos. Mas o repentista Jota Carlos, assim não enxerga: Perturbado em seu repouso/ no Carnaval perdulário/ dá entrevista, nervoso/ o futuro ex-secretário. CROMO Confete, pedacinho colorido de saudade/ ao te ver na fantasia que usei/ confete, confesso que chorei. De marchinha histórica do tempo em que havia espaço para o lirismo na festa hoje comercializada.





