Luiz Geraldo Mazza
Uma pergunta pertinente seria, no momento, saber como Requião reagiria, caso o Senado bloqueasse empréstimos que favoreceriam a sua administração: faria mais, muito mais, do que fez com o Poder Judiciário e valer-se-ia da mídia nacional para mostrar a discriminação sofrida. Muitos dos podres de integrantes da Câmara Alta apareceriam como intento generalizante de sugerir que não há distinção entre a árvore e a floresta. Até o pecado venial do Umberto Lucena, aquela estória do uso dos calendários (de menor impacto do que as levantadas no processo de cassação do ex-governador) seria apontada como um caso clássico em que a fronteira entre o público e o privado desaparece.
Como o senador paranaense se alimenta do conflito, seu discurso colocaria não apenas o Senado, mas todo o aparato institucional, sob suspeição grave. Algo como um Cícero na tribuna do Senado romano a acuar o Catilina, inimigo número 1 das instituições.
É verdade que não se pode imaginar, por maior esforço de abstração, Requião defendendo estímulos a investimentos internacionais ou mesmo nacionais, já que em seu governo mínimos foram os esforços nessa direção, ainda que existisseuma legislação com estímulos via ICMS. Se à Cidade Industrial reservou apelido especial de campo de golfe das multinacionais, percebe-se também que ainda conserva a visão dos anos 50 quanto ao papel do capital estrangeiro e a postura patrimonialista quanto à intervenção estatal na economia.
Mas até nessa linha de argumentação, a realidade momentânea do Paraná o favorece: no instante agudo da internacionalização da economia, nossos empresários ou quebram ou são absorvidos, como se deu com a Refripar, maior contribuinte da campanha de Lerner, ora ocupada pela Electrolux que anunciou o fechamento de 25 fábricas, dezenas de armazens e a demissão de 12 mil trabalhadores, tudo em nome da baixa de custos operacionais e de produtividade. As fábricas, que são ou serão abertas aqui, como se dá com a Renault, desempregam na Europa (o caso da Bélgica é um paradigma) e vão aproveitar menos gente com salários bem mais baixos, obviamente.
Paga também o governo pela frouxidão de não haver denunciado como encontrou o governo e se o fizesse teria, de saída, um fato a relatar: o pagamento de taxas de permanência relativas à não cobertura de contrapartida do Prosam. Como poderia, também, listar os casos das diárias frias, superfaturamento dos helicópteros, invasão de áreas urbanas como a da Ferrovila em que a PM cruzou os braços. Como não teve coragem de fazê-lo no tempo certo, se o fizer agora pegará mal pela omissão.
Se fosse o inverso, portanto, tudo poderia acontecer, menos tanta omissão e fragilidade, tão notória ausência de comando e de coragem. Essa ausência de mínimo respeito pelo Paraná atinge o auge neste governo e isso não há como contestá-lo.
BIZARRICEPiadas mórbidas sobre o destino do Atlético Paranaense aparecem aos borbotões: uma delas diz que Paulo Rink e Ozéas foram para o Inter e segue-se a explicação que trabalham no Interbairros, um de motorista, outro de cobrador. Outra, menos frequente, é a de que o Atlético vai ser um símbolo dos chinelos Rider: um descanso para os pés durante um ano.
SPRAYTransferência da Inepar para São Paulo não tem nada a ver com problemas de natureza política: apenas 3% dos negócios fluem por aqui.- Mas que seria estranha a transferência num instante em que se saúda a globalização com a vinda das montadoras não dá para contestar.- Se do Senado, Requião deixa o governo Lerner em situação constrangedora, imagine-se o efeito de permanência demorada no interior com um dossiê, dramatizado como sempre, da situação administrativa e financeira do Paraná. É o que vai se dar em julho.- Vendaval da semana passada obriga o governo a colocar, como uma das prioridades, quanto a reedições, a Geografia Física do Paraná do geólogo alemão Reinhard Mack, que registrou todos os abalos semelhantes dos anos 30 a 60, a ocorrência de geadas, o processo de derrubada vegetal que facilitou a alteração climática. O ideal seria que houvesse atualização dos dados tabulados para melhor clareza na interpretação dos fenômenos.- Quem estava às 3 horas da tarde de ontem na agência de turismo de Curitiba Transoceânica ficou espantado com o aparato policial, comandado pelo senador Vilson Kleinubing, em operação certamente ligada à CPI dos Precatórios. Quem duvidava que o Paraná iria ter a sua vez no processo teve ontem a resposta.- A mexida nos quadros de fiscalização adotada por Giovani Gionédis, secretário da Fazenda, em várias delegacias teve o pior dos efeitos numa área corporativa. Se o governo levar para a Fazenda o que permitiu na Secretaria de Segurança, loteada por deputados, vai quebrar a cara num dos poucos setores de governo que vinha funcionando.-
FOLCLOREAs trapalhadas do governo Lerner são de tal ordem que estão tornando os quadros do Renato Aragão e seus três companheiros, ainda exibidos na tv, completamente sem graça. Nem a ficção é capaz de imitar a vida neste caso. É o que o Luis Cláudio Romanelli, deputado que não tem má vontade com o governo, concluiu. Não seria justo, por causa das iniciais, comparar Jaime Lerner ao Jerry Lewis também. Este só aparenta não ser sério.





