Luiz Geraldo Mazza




Sinais exteriores de riqueza
Até hoje teve relativa serventia a exigência de apresentação da declaração de bens de administradores públicos. Essa cautela não impediu que a roubalheira campeasse e que o público, aturdido, não pudesse sair do seu estado da mais absoluta impotência. Mas a providência, adotada no Rio, para que a corporação policial exiba o documento pode, de repente, ser adotada no Paraná, depois das turbulências da CPI das Drogas, e trazer resultados surpreendentes.
Nas apurações prelimiares da CPI no Paraná apareceram coisas incríveis sobre enriquecimento ilícito com policiais de escalão inferior com mansões e até helicóptero e barcos. Assim, pois, a medida preliminar adotada no Rio seria eficiente por aqui. A propósito uma fita escabrosa de uma conversa entre Fernandinho Beira Mar e policiais cariocas, ontem levada à CPI, dá bem a idéia da capilaridade alcançada por essas conexões entre a polícia e o crime organizado num cenário parecido com o do Paraná, posto que bem mais grave em função de uma cultura mais alicerçada nesse particular.
Houvesse com relação ao narcotráfico aquele clima de cruzada nas pregações do anticomunismo teríamos material de sobra. E convenhamos que essa patologia é mil vez pior do que o imaginário potencial da subversão, aquela sim uma tragédia para os jovens especialmente. Dá para calcular os efeitos advindos de denúncias de todos os cantos revelando casos de enriquecimento ilícito. Se o cuidado fosse estendido aos demais servidores de todos os poderes o Brasil entenderia porque não pode ser passado a limpo. Para tratar do caso seria indispensável mobilização de tal ordem que o Brasil ficaria anos apenas tratando disso, de vez que não haveria tempo para mais nada.



AFORÍSTICO
O grau de arregimentação de grupos dentro da polícia é indicador de que precisa ser submetida a algo mais do que um lava-rápido como se deseja.

PRISÃO
Um ex-juiz da comarca de Assis Chateaubriand, Ronaldo Echstein de Andrade, e mais o ex-prefeito daquele município, Koite Dodo, foram condenados à prisão e multa por decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça. O juiz foi condenado, à unanimidade, às penas de 3 anos e 6 meses de reclusão e a pecuniária em 42 dias/multa e o ex-prefeito a 2 anos e 11 meses de reclusão e 35 dias/multa.

GLOSA
Governo bloqueia tudo na Assembléia: recusa-se a responder interpelação sobre as viagens de Lerner ao exterior e os possíveis ganhos. Ontem derrubou facilmente o pedido de CPI estadual para investigar o crime organizado. E quando há número para CPI vale-se de mágicas como no caso do Sercomtel-Copel-Banco Fonte Cindam para reverter o processo.

AXIOMA
O prejuízo da Copel, no balanço 1999, redundou especialmente das suas compras em dólares de energia de Itaipu. Se os royalties fossem equivalentes ao que se despende talvez tivesse valido a pena perder tanta terra agricultável para a construção da barragem.

BIZARRICE
Professores e funcionários do Banestado anunciam greve. Agora o governo já não pode argumentar que está sem caixa, tal o investimento que passou a fazer na polícia civil e militar. Aliás elas poderão ser invocadas para acompanhar as greves anunciadas.
O Judiciário acolheu denúncia do Ministério Público referente a fatos ocorridos entre abril de 1991 e fevereiro de 1995 com influência do prefeito em decisões judiciais e intermediação para favorecer partes em litígio. O dia/multa corresponde a um trigésimo do salário mínimo vigente na época dos fatos.
Há várias outras pendências contra magistrados: um juiz de Cascavel teve denegado mandado de segurança contra processo administrativo e seu afastamento da Comarca. Um outro será julgado em sessão secreta do Órgão Especial em 7 de abril. Mas há mais casos.

SPRAY
Novo ‘‘round’’ hoje da novela do ParanaPrevidência com julgamento de quatro mandados de segurança no 2º Grupo de Câmaras Cíveis. - Vários foram concedidos e o governo não vem cumprindo, usando o embargo de barriga. Um deles, o primeiro, é de inativos da PM e Corpo de Bombeiros, dentre eles um ex-comandante Antonio Michalizen. Michalizen, que comandou a PM no governo Paulo Pimentel, assina o mandado como advogado. - O curioso nessa história da entidade, que é contestada em sua essência por algumas decisões do STF pelo menos quanto à não-cobrança de inativos, é que ela segue uma trajetória complicada, tendo ganho a antipatia de quase todos os servidores. - É que ninguém num regime de arrocho salarial se dispõe a pagar taxas mais elevadas de previdência. Além disso o cipoal burocrático da entidade lembra em tudo um feto barbudo saído do cemitério: um pedido de aposentadoria de Campo Mourão rola, desde 5 de abril do ano passado, sem solução. Como dizia Hamlet ‘‘há método nesta loucura’’. - O Valdir Bicudo, segundo boa parte dos carrapichos da cobertura policial, deveria permanecer como assessor agora do novo secretário de Segurança. - O anterior, Cândido Martins de Oliveira, que fez um discurso veemente na transmissão vai ser convocado pela CPI em Brasília. Tanto para ele como para Lerner é melhor que preste seu depoimento sem a condição de titular da Segurança. - Cândido abriu as suas contas no Banestado ao público. - Ontem à tarde o novo secretário, José Tavares, deu uma incerta pelas dependências e pegou muita gente de calça curta.

FOLCLORE
Não bastassem seus últimos insucessos (bloqueio às antecipações de receita e aos royalties de Itaipu), apesar da glória do transporte coletivo decalcado em Los Angeles, Lerner vai enfrentar mais um dissabor: o livro do colunista Cláudio Humberto ‘‘O malogro da modernidade’’ e que usa o Paraná como um ‘‘case’’ de uma unidade que tinha tudo para dar certo e dançou.
Pessimismo em excesso, pois, a despeito da implosão do Estado, reduzido a cacos, bem na linha da basbaquice vigente de minimalismo, há razoável expectativa de retorno em menos de uma década dos resultados da mobilização atual pelo novo perfil da economia que aliás vão acabar ironicamente beneficiando seus opositores e que a faturarão como obra pessoal.

CROMO
As pequenas prostitutas de Curitiba brincam de boneca com bebês.