Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza CPI da Sercomtel já Um depoimento, só agora liberado pelo Ministério Público, reafirma a tese de que houve distribuição de dinheiro para impedir o avanço da CPI da Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam. Existem visíveis contradições tanto da testemunha Lúcia Brandão quanto de Eduardo Alonso, a primeira afirmando que ouviu do segundo essa ordem para levantar milhões e pôr um fim na instituição parlamentar, já instalada. Por frágil que seja esse agora conflituoso testemunho, pois os depoentes trocam acusações e tentam modificar aquilo que consta dos autos, não há outra saída para a Assembléia Legislativa que por maioria suficiente havia instalado a CPI que, de forma estranha, dissolveu se não a de retornar ao statu quo ante, como dizem os advogados, isso é, restabelecendo tudo ao ritual original antes da surpreendente desistência. A Sercomtel está para Londrina como a Copel para o Paraná: duas empresas que orgulham por sua eficiência e importância, ambas infelizmente alvo da mania da moda das privatizações. Ainda nesta semana os vereadores de Londrina aprovaram projeto que submete qualquer decisão relativa à venda de ações a uma consulta prévia da população. Não importa o lado quixotesco da iniciativa, impensável no caso da Copel pelo grau de subserviência parlamentar à ânsia leiloeira do governo estadual. Fica, no entanto, o sentido político da advertência, que é também um esforço da Câmara Legislativa para revelar independência num ato em que há um impulso de depuração. Por tudo o que está acontecendo e pelo que ainda está para ocorrer a CPI da Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam serviria para dar o mais abrangente dos esclarecimentos sobre a questão em todos os seus níveis. Atenderia, antes de tudo, uma justa aspiração da população que olha o desenrolar dos fatos com extrema preocupação e empenhada em não perder as referências institucionais. Um governo que não ama as trevas e não depende de caixa-preta, deveria, a essa altura, diante das suspeições levantadas, ser o maior interessado que tudo se esclareça, tanto aqueles ligados à CPI das Drogas como nesse outro, arrastado e envolvente, que mergulhou Londrina num clima de máxima indignação e que serviu para mostrar a resistência da cidadania. BIZARRICE No Carnaval andaram fazendo gozações com o caso da CPI com trajes de policial e de sentenciado, híbridos, usados pelos foliões REAÇÃO É notório o esforço oficial para ocupar a mídia no caso da CPI das Drogas. O esforço é legítimo e estabelece o contraste entre o que já foi denunciado e a posição dos acusados. O que, porém, a população acha disso tudo justamente quando ela aponta em todas as pesquisas a falta de segurança como o problema que mais a preocupa? O momento não é favorável. E como a população precisa mais de segurança do que de política e é o que se faz mais nesse momento num lado e no outro basta agora mostrar uma eficiência fora do comum, o que não é impossível, atacando aqueles pontos que foram dados como vulneráveis: tráfico, roubo de carros, articulação dos desmanches, enfim os pontos negros. A promoção do major Valdir Neves, do Grupo Águia, pode ser um ato pensado de descompressão para a clientela interna, mas que agrava, junto à CPI, a visão até agora obtida do sistema, por afastá-lo do campo investigatório. No clima de paranóia, não é fácil pensar. Tanto que ontem, durante a tarde, falava-se justamente na exoneração e não na promoção do major. E o senador Requião surfou na onda com o açodamento habitual, sugerindo que o major não deveria ser demitido e sim assumir a Secretaria de Segurança. SOLIDÁRIO A solidariedade ao delegado Noronha pelo presidente da Confederação Nacional dos Delegados de Polícia (Aquiles Benedito de Oliveira) é também uma reação corporativa esperada. Noronha era presidente da Associação dos Delegados (Adepol) e dela se afastou para assumir a diretoria da Polícia Civil. Essas resistências vão ter consequência do outro lado, esquentando a CPI. Agora é incontornável a convocação de Cândido Martins de Oliveira em Brasília. Coesão num lado, coesão no outro. A claridade vem do conflito. AXIOMA Celina e Beatriz Abagge vão a novo júri, conforme decisão de ontem da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. O recurso do Ministério Público foi acatado por maioria com voto contrário do desembargador Nunes do Nascimento. Há quem diga que muito do que está acontecendo no Paraná não se daria se o guru, Aníbal Khury, estivesse vivo, pois era especialmente sensibilizado pela causa da família Abagge. Interpretação é exagerada, menos para exaltar Aníbal do que para atribuir dimensões despropositadas à sua influência. Aliás, os deputados que assumiram o comando do Legislativo, com seus atos, que jamais fariam se o parlamentar estivesse vivo, ajudam a criar essa visão, desde o enxugamento da Casa até o discurso enfaticamente ético que dão a noção de desmonte e reforma. GLOSA É mórbida a idéia de declamar diante do Palácio Iguaçu o poema de Carlos Drummond de Andrade E agora, José?. Pegaria bem no festival de teatro. FOLCLORE O prefeito Tauillo Tezelli, de Campo Mourão, além de ser o de maior taxa de credibilidade do Paraná, é o que paga o melhor salário mínimo, uns pontinhos acima do pedido pelo PFL, nacionalmente: US$ 102. Como é do PPS, o antigo Partidão (Comunista Brasileiro) com filtro, anuncia-se que tenta abrandar a mais valia. CROMO Nesse Cruzeiro do Oeste/ (em poderes do encanto)/ o Fórum foi Campo-Santo/ (em área que o edifica)/ e o solo mantém cativos/ mortos em celas- campa/ Um defunto assim oculto/ terá direito a indulto?/ Será que (ao que morre)/ o habeas-corpus socorre?/. É a lira do Mario Stasiak que, mágica, tira sons e beleza de coisa tão solene e prosaica. AFORÍSTICO Se o Ligeirinho e o Biarticulado forem exportados para os Esteites, dá pelo menos para Lerner esquecer outros (e enormes) dissabores.





