Roto ri do remendado
Cultor de frases feitas, como quase todos os políticos, o senador Alvaro Dias aproveita os momentos difíceis do atual governo, que pretende substituir e de quem levou uma surra homérica nas urnas, para acuá-lo. Uma forma disfarçada de independência, que por vezes atinge o presidente FHC, que na realidade mais parece uma purgação de culpas pela conveniência do ‘‘acordo branco’’ para a sua eleição à Câmara Alta, no qual deu o troco à deserção de Roberto Requião na campanha de 1994.
Ganhando a condição de relator da Lei de Responsabilidade Fiscal, Alvaro tem dito, com o que perde a perspectiva brasileira para mergulhar no campanário e na vindita, que se esse diploma legal existisse, o Paraná não estaria na crise financeira atual. Disse-o como se o seu governo – esse que começa a ser investigado, só agora, pelo Ministério Público, nas anomalias do Banestado – tivesse sido uma espécie de céu de brigadeiro e não um outro empurrador com a barriga da dívida pública e autor de coisas discutíveis como a liquidação do Badep.
Como a política privilegia a amnésia, os políticos deitam e rolam, ainda mais no Paraná que precisa aprender a lição de Londrina.
LEGENDA
Diante do pastelão assistido com o arremesso de torta na cara do ex-chefe do FMI, o Camdessus, dá para mudar o ditado ‘‘Deus escreve certo por linhas tortas’’ para ‘‘Deus prescreve certo com lindas tortas’’

BIZARRICE
Justificativa dos vereadores para a sessão ridícula de telecatch: de anteontem na Câmara da capital: ‘‘Antes tapa do que pata na cara’’.
AXIOMA
Lerner falando em austeridade (e os R$ 500 milhões gastos em propaganda em pouco mais de quatro anos?) e o Nelson Justus em uma nova ética (logo ele e os demais que sempre foram cúmplices de todos os éditos de Aníbal Khury e agora sugerem autocrítica?) poderiam ser levados à CPI dos Medicamentos. É que as declarações exigem uma quantidade excessiva de Engov e isso pode ser uma espécie de merchandising, capaz de ser encarada como ‘‘dumping’’ para quebrar os concorrentes, diante da corrida às farmácias.
GLOSA
‘‘Ninguém vai querer o Eduardo candidato se o Roberto decidir concorrer. Ele não é um similar (que tem o mesmo princípio ativo político); nem um genérico (que além do princípio ativo possui bioequivalência); é simplesmente um BO (Bom para Otário)’’, dizem os venenosos peemedebistas.’’
Está na coluna de ontem do Eduardo Schneider (‘‘A Folha da Imprensa’’), mais conhecido como ‘‘Ricardo Prefeito’’ e que a despeito do nome não é candidato até para não ser redundante, pleonástico.
O maior pleonasmo que já vi foi do trecho apoteótico, final, de um discurso do vereador Soriano, da minha querida Paranaguá: ‘‘E viva a paz universal do mundo inteiro todo!’’
IMPASSE
O presidente da Câmara de Curitiba, João Derosso, tentava demover a vereadora Nely Almeida e o vereador Josias Lacour de fazerem exame de corpo de delito para não ampliar as dimensões do episódio ridículo da troca de tapas.
Já o Rubinho Ferreira, pescando cocorocas em Guaratuba, sugere que o caso ainda vai acabar na Delegacia da Mulher.
SPRAY
Lerner já foi o ídolo de estudantes de Arquitetura. Nesta semana todos os cursos da área ‘‘abraçam’’ o Centro Cívico em defesa de sua integridade histórica, cultural e cívica. É o prólogo do epílogo, como dizia o radialista Garcia Redondo. - Ou, como sustentaria o Romanelli, ‘‘o abraço do afogado!’’. - Quem vai ficar sob o crivo parlamentar é a Secretaria de Segurança: como seus delegados tentaram desmoralizar o PPS, que a rigor desvendou o caso Donha tirando de letra a hipótese de crime político, o partido levou o problema ao Parlamento federal que o acatou. - Não bastasse isso, e mais a vinda da CPI do Narcotráfico, que pode trazer ainda constrangimentos piores do que os vividos no IML, há uma discussão aberta em torno do assassinato do criminalista Luis Renato Crovador, afastando a tese, corrente, como se dava no homicídio-suicídio de PC Farias, de um enfoque passional. - Uma revelação do semanário ‘‘Hora H’’, muito grave, indica que uma pessoa não integrante dos quadros da polícia teria pressionado a viúva, Vera Lúcia, acusada como mandante. - Isso lembra o episódio Jack Ruby, estranho à tiragem, e que matou Lee Oswald, suposto assassino de John Kenedy. - Só para refrescar a memória: no caso Zanella, a polícia queria impor uma versão contra a verdade dos fatos e o autor dos disparos era um alcaguete. - No caso dos vinte encapuzados que invadiram a delegacia e mataram um criminoso como um autêntico Esquadrão da Morte ficou evidenciada a vulnerabilidade do sistema. - PMDB, em maioria, acha que a candidatura de Roberto Requião na capital terá efeitos em cascata para eleger 135 prefeitos, inclusive em Londrina, Maringá, Cascavel, Foz do Iguaçu. - Em Londrina, por exemplo, a situação de Belinati com o pedido de ‘‘impeachment’’ atinge todo o governo, já que inexiste quem tenha o potencial do prefeito para representar seus interesses. - Mas o vereador Jorge Bernardi, o último dos moicanos do PDT nocauteado, após a defecção do lernerismo, acha que Eduardo Requião vai ser o candidato da agremiação.
FOLCLORE
Na Prefeitura comemorava-se com entusiasmo a notícia de que Roberto Requião não sairia candidato. Um áulico observou: ‘‘Isso pavimenta a volta de Cassio.’’ Aí a mulher do cafezinho pensou: ‘‘Quem pavimenta é o Plano Mil.’’
CROMO
Por vezes eu a vejo em água,/ como se mergulhado estivesse num mar de coral,/ Mas também quando imersa em pensamento/ tento lhe capturar a saga da imaginação/ já que quando o sono é solto/ você é invasora da gleba onírica/ de tudo o que em censura, à noite,/ me libera e faz aflorar./ De tímido me faço um herói de balada/ um Tristão de Isolda arrebatado.
AFORÍSTICO
Se continuar desse jeito, atacar o governo que aí está será, antes de tudo, um ato de extrema covardia como o de roubar bolacha de criança.

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