Enfim, a austeridade
Na sua fala ao Legislativo ontem, o governador Jaime Lerner transformou a austeridade na idéia-força do momento. Salvo pelo gongo, ante a decisão presidencial de transferir para 2002 a obrigatoriedade na Lei de Responsabilidade Fiscal do enquadramento na casamata da outra lei, tão falada e jamais cumprida. de Rita Camata, ele vai continuar insistindo – o que aliás foi uma providência pioneira sua – na questão do fundo previdenciário para ajustar os dispêndios de pessoal ao imperativo de uma receita estagnada. Tudo ainda, sob o comando de um secretário hegemônico, o da Fazenda, e que, nessa questão do aumento da arrecadação, até agora não disse ao que veio. Perdemos feio nesse particular do Rio Grande do Sul que não faz tanto ‘‘farol’’.
Há um risco muito grande de os governantes, com a redução drástica dos gastos com servidores inativos, de se valerem da situação nova para nomear. Quando o governo Lerner se iniciou, criou mais de 500 cargos em comissão, aumentou de forma radical seus valores e também o secretariado, o que, pela saturação da burocracia, explica a Torre de Babel das confusões e trapalhadas.
Depois do festival na Leasing e na Corretora, nesta com a farra dos títulos estaduais, expresso também na dificuldade de recuperação do Banestado, cujo balanço negativo, apesar da injeção de mais de R$ 4 bilhões do Banco Central, está aí para documentar a prodigalidade, tivemos vários déficits no orçamento e que não serviram de alarme para que o governo se ligasse. E tanto que ainda, com todas as amarras financeiras, desenvolveu a bobeira dos Jogos Mundiais da Natureza que custaram os olhos de cara, não deram a resposta esperada, quer na parte esportiva ou nos efeitos em favor da Costa Oeste, e ainda jamais foram alvo de fiscalização, apesar das suspeitas suscitadas.
Em ano eleitoral, falar em austeridade, no Brasil, é farisaísmo puro. Tanto que todos os gestores, embora as juras de amor pelo equilíbrio das contas, querem transferir sine die, as exigência da Responsabilidade Fiscal.
AXIOMA
Por causa de uma faixa em obra municipal, os vereadores Josias Lacour e Neli Almeida, de Curitiba, quase acabaram ‘‘enfaixados’’ em troca de tapas
BIZARRICE Ante a preocupação obsessiva de não perder o apoio do deputado Antonio Carlos Baratter, do PSDB, o governo cogitou de nomear o deputado pastor Edson Praczyk, aquele que recebe ordens de Deus, para a pasta de Defesa do Consumidor. Houve recuo na decisão, mas se busca nomear outro deputado.
Moral da história: o Baratter sai caro!
GLOSA Antes houve choques entre Gionédis e Maria Elisa e agora se dá entre o mesmo entre o secretário da Fazenda e o seu antecessor Miguel Salomão e também o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes. Da mesma forma que não controlou os desvios do banco estadual e ainda promoveu um dos seus autores a secretário de Estado, o governador lembra uma coruja, segundo caricatura do PMDB.
– Coruja, por que é símbolo da sabedoria?
– Não. É que falar não fala, mas presta uma atenção...
EPIGRAMA Parece que o presidente do Banestado tem razão em dilatar o cronograma de privatização. O prejuízo no balanço do banco não é prova de que houve saneamento, apesar da brutal injeção de recursos do Banco Central. Ademais é de toda conveniência que essa venda se dê depois da do Banespa, pois são empresas de porte diferenciado. Os que ficarem de fora do leilão do megabanco paulista podem se habilitar e haverá mais tempo para depuração.
REPENTE Volta e meia o advogado Jota Carlos manda quadrinhas para a Rádio CBN sobre os temas em debate. Ontem se discutia se a colonização do Brasil fosse atribuída a outro povo, que não o português, se haveria benefícios. E lá veio a quadra: ‘‘A terra, o índio, o colono// por si só vão avançando// o que a mim me tira o sono// é o leilão de Dom Fernando//’’
MÁXIMA Observação do repórter Emerson Cervi, que saiu antes da troca de tapas entre vereadores ontem na Câmara Municipal: ‘‘Em política não há vácuo: onde a oposição não bate, a situação se incumbe de fazê-lo.’’ Imaginem se litigantes fossem ao Instituto Médico-Legal, hoje tão mal falado, para fazer o exame de lesões corporais.
JURAMENTO ‘‘Aníbal, você acha que eu vou vender a maioria das ações da Copel depois de 25 anos de vida pública? Eu não faria isso nunca, preferia morrer.’’
Depoimento de Aníbal Khury, página 312 do livro ‘‘Governadores do Paranᒒ de Enéas Faria e Sylvio Sebastiani, referindo-se a uma confidência de Lerner.
Por essas e por outras que políticos têm horror em campanha eleitoral de registro de imagens e falas passadas. Alvaro não gosta da repressão à greve dos professores; Requião das referências ao pistoleiro de mentira, ‘‘Ferreirinha’’ e ao líder sem-terra, morto de verdade, Teixeirinha; e Lerner a tantas outras, entre as quais o desmantelamento de acampamento de sem-terra.
PETRÓLEO O aumento do preço do petróleo pode ser um fator a mais a contribuir na luta para conter a fome pantagruélica do pedágio, pois os efeitos da alta dos combustíveis serão multiplicadores no conjunto da economia.
FOLCLORE Espera-se que com a lei que reduz dispêndios das Câmaras Municipais e ainda com as imposições da Responsabilidade Fiscal que os vereadores busquem a evolução das instituições por etapas e não a tapas, como ontem na Capital.
CROMO As chuvas foram anunciadas pelo odor dos telhados: asas de urubus se abriram mais rapidamente que os guarda-chuvas, negros como o horizonte.
AFORÍSTICO Bastou Eduardo Requião dizer que o mano Roberto não disputaria eleições para que os ‘‘luas pretas’’ do PMDB lembrassem que a decisão é do partido. Centralismo democrático com o senador? Essa é boa!

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