A caravana de empresários e políticos que vai a Brasília brigar pela liberação dos empréstimos ao Paraná no Senado, embora a boa intenção, tem tudo para frustrar-se: o bloqueio é da instituição, representada por uma de suas mais importantes comissões, e não apenas dos fogosos senadores Requião e Osmar Dias.
Como poderá o presidente do Senado, sem quebra de regras internas, agir contra uma comissão da Casa? O argumento de que existe agora uma subcomissão e que vai exigir o protocolo de todas as montadoras obriga esse grupo ao ritual de outras mediações.
Dá a impressão que os senadores do Paraná riem das manobras do governo, ainda que a atuação no momento seja de empresários e especialmente daqueles que sempre estiverem do lado de Lerner. Fosse um agrupamento de prefeitos (e até esses andam contestando a lista de adesões, alegando que se deu em outro tipo de circunstância) teria um efeito mais forte.
Vamos ser claros. Requião quer o protocolo da Renault porque tem a convicção de que esse documento terá força maior do que a da aposentadoria do Richa para decidir a eleição. As concessões ali foram obviamente maiores e algumas delas, já conhecidas, como o comprometimento de quase todo o Fundo de Desenvolvimento Econômico, os 10 anos de isenção tributária, garantia de infra-estrutura, uma delas a da subestação da Copel já gerou dores de cabeça ao sistema, perda de uma fração importante da bacia do Rio Pequeno, cessão de área na Fazenda Roseira. Mas esse é o ônus de um tiro de partida que atrairia outras como a Chrysler e Audi.
A aposentadoria de Richa também era legal e nem por isso deixou de produzir o estrago verificado, aliás uma inominável sacanagem, embora a vítima tenha se valido de igual recurso para desqualificar Saul Raiz em 1982. Haja, pois, o que houver já se sabe que Requião vai deitar e rolar. É no dá ou desce. Como se sabe que Requião fará imprecações satânicas, o melhor é dar o serviço de uma vez, tirar essa aura esotérica em cima do tema.
Um detalhe: o Paraná não pode sair à frente nessa estória de mostrar o protocolo. Afinal um pouco de analogia pode conter a baba do adversário e suas convulsões se ficar demonstrado que outros deram muito mais.
O Senado é, neste momento, algo como a Muralha de Jericó que foi milagrosamente removida ao som de trombetas místicas. O Senado não pode, é claro, discriminar o Paraná como está fazendo. Mas não há clareza: os números do Miguel Salomão até agora não mostram a questão do caixa, da mesma forma que o Requião sofisma e mente, pois igualmente não prova a falência alegada.
BIZARRICE Ricardo Prefeito, o jornalista, ao saber da comparação dessa crise em Brasília com a Muralha bíblica lembrou que no Palácio Iguaçu tudo está mais para jerico do que para Jericó.
SPRAY Oposição joga orquestrada com Requião e quer a CPI das montadoras: sabe que farão de tudo para negá-la e aí partem para aquela coleta de assinaturas em todo o Paraná, marcando a questão como escândalo e bandeira eleitoral.- Enquanto isso Álvaro Dias com uma elegância de mâitre de churrascaria (aquela gravata vermelha e aquele capacete de trabalhador que nem o Lula tem) aparece pilotando um trator e faturando mais Ibope com a Telepar do que Lerner com seu governo de gênios obscuros do marketing.- A mediocridade da política da terra e de seus líderes é aterradora: vide a Sorbone da nossa representação estadual e federal.- Antonio Klodzinski, a quem se atribui a direção da Montage, aquela dos telefones pagos e não entregues, apareceu na imprensa, mês atrás, como presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Telefones. Quer dizer: comprometimento múltiplo e verificação de que esse mercado é uma terra de ninguém.- PT entra em crise intestina no momento menos indicado: cai Ibope tanto de FHC como do Plano Real e as tendências se alvoroçam como lombrigas.-
Requião entrou em conflito na CPI dos Precatórios com Cabral, o presidente, porque tomou a iniciativa de convocar autoridades para depoimento. Com isso fica no papel que adora, o de ‘‘durão’’ e inquisidor ao gosto do público.- Volta e meia trazem um gênio de fora para acertar a imagem de governantes. Está aí outro na praça e que como os anteriores acertará mais do que a sua imagem pessoal. Governo brochura não pode ser encadernado.- Em São Paulo há mais democracia do que aqui. Lá o Ministério Público enquadra o governo mesmo quando este é originário da categoria (Fleury, por exemplo) e agora duas empresas que pertencem a um amigo do governador são investigadas. Aqui não dá nem para imaginar uma situação dessas, hoje ou antes.-
FOLCLORE O jornalista Alceu Chichorro faz um galanteio para uma garota que passeia pela rua XV. Ela reage: seu cachorro! Ele corrige: Cachorro, não. Chichorro!
CROMO ‘‘Onde quer que te movas// te move tal leveza/ que lembras em movimento/ uma chama de vela acesa.’’ Amostra da poética de Mário Staziak, o vencedor do concurso nacional de poesia Helena Kolody. Uma pegada clara de João Cabral de Melo Neto como nos versos ‘‘tal qual um Sol/ que (ante-sala)/ nasce numa cela/ e que mais sela/ o curso da bala/ a lavra da vala/’’
AFORÍSTICO Já que vão emendar a Constituição para nomear diretores do Banestado por que os deputados não estabelecem uma ditadura parlamentar?

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