A falta de representatividade política do Paraná é a maior prova da fraqueza de suas lideranças políticas, empresariais e culturais. O quinto Estado em renda interna do País, o sexto em desenvolvimento humano e social, não tem um ‘‘punch’’ correspondente a esse potencial. O episódio ocorrido com o Atlético Paranaense no futebol é a maior prova disso, como, aliás, já se dera anteriormente com o Coritiba em condições mais estarrecedoras ainda.
Tivéssemos expressão nacional correspondente ao peso de nossa economia e, mais do que isso, do nosso processo civilizatório, seríamos respeitados. Vejam, porém, o tipo de liderança, tanto na política quanto nas atividades liberais ou empresariais, que temos, sempre agindo a reboque e somente, em situações excepcionais, rompendo com a postura de apatia e conformismo e teremos aí a compreensão dessa abulia.
Um governador que não sabe em que partido vai disputar a reeleição, maioria de senadores que boicota os interesses regionais, uma representação parlamentar ridícula (à cada legislatura cada vez pior, tanto no plano estadual quanto no federal) e omissa são ingredientes que dispensam a proclamada autofagia.
Há quem pretenda, fazendo a psicanálise desse processo, encontrar justamente em nossa falta de identidade a causa-matriz de toda essa carência. Seríamos, no entender, de alguns dos que compartilham dessa tese, sem muita consistência científica, mas reiterada sociograficamente até nos meios acadêmicos, amostra de uma sociedade pendular, um estado-tampão, entre a padronagem paulista, de quem afinal somos um desdobramento político-econômico, e a gaúcha, em função de afinidades ao longo do Brasil tropeiro e fortalecidas na ocorrência de 30 e de outros episódios entre os quais, o da Revolução Federalista.
Somos um mosaico de representações variadas do Brasil e de etnias, mas a maior figura política de nossa história, pelo papel desempenhado em escala nacional, foi o primeiro presidente da província, o conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos, chefe do Conselho de Ministros, governador de outras unidades federativas (Piauí e Sergipe) e ministro da Marinha.
A recuperação de um mínimo de prestígio se dá com Munhoz da Rocha é claro que facilitada por sua condição de compadre do presidente Café Filho, mas alicerçada na sua expressão de intelectual de primeira linha por sua passagem como deputado federal. Isso se dá em 1954, quando tivemos dois ministérios e o Paraná ainda absorvia os efeitos das festas do seu centenário de emancipação política no ano anterior. Mais tarde vamos obter outro ministério no governo de João Goulart, com Amauri de Oliveira e Silva. Ney Braga, na sequência, vai ampliar essa participação na esteira do golpe de 64.
Continuamos tendo representação ministerial, mas essa, como as anteriores, está longe de expressar o nível de retribuição que o Paraná mereceria por força de sua participação na vida brasileira. Aliás, não poucas vezes aceitamos essa cota ministerial como compensação, o que é mesquinho demais e falta de um mínimo de altivez.
Quando José Serra estabeleceu a regra constitucional que privilegiava o consumidor de energia em detrimento do produtor, mais uma relação de dependência e de clientelismo em favor dos paulistas, não soubemos reagir e nem tivemos nos tucanos da terra, correligionários do constituinte, um fator de aliança considerável que ao menos esboçasse defesa. É por essas e por outras do mesmo naipe que ninguém nos respeita, o que se agrava ainda mais com a perda gradativa de qualidade das nossas lideranças. O mal do Atlético é ser paranaense. Fosse mineiro, baiano, pernambucano, gaúcho, paulista ou carioca, essa chantagem que se faz com ele simplesmente não teria ocorrido.
BIZARRICE Piada herética na cidade sugere que torcedores do Paraná não podem mais ir à missa porque na hora do ofertório em que o pároco ergue a taça, os torcedores se descontrolam e gritam o ‘‘u u terer꒒ e o ‘‘é pentacampeão’’.
SPRAY A fragilidade do governo Lerner se transmite por osmose: o presidente do Banestado levou a sério a ameaça legislativa de estabelecer em emenda constitucional a obrigatoriedade da aprovação parlamentar de diretores do banco.- Bastou ser feita a onda para que os condutores da área financeira aconselhassem o presidente do banco a dialogar com Aníbal Khury. Ora, essa emenda seria derrubada com uma ação direta de inconstitucionalidade, caso os laranjas chegassem ao extremo de formulá-la.- Enquanto isso, Lerner viaja e vai ao Chile e depois a Brasília como se tudo estivesse no melhor dos mundos, como na fórmula panglossiana, para receber homenagens e perde pesquisas em cidades de porte médio para Álvaro Dias.- Enquanto Lerner viaja para ganhar medalhas, Álvaro ganha pontos no Ibope nas linhas da Telepar.- Até para a incompetência há limites.- Faltam duas assinaturas para a montagem de CPI das montadoras no Paraná: oito peemedebistas e cinco petistas assinaram.- Outra que pode emplacar é a convocação do Deni Schwartz para detalhar as razões do seu desabafo.- Direito de resposta a Osmar Dias é mandamental, bem diverso do concedido a Requião.- Povo foi às ruas para exigir direitos no caso da Montage que vendeu telefones e não entregou. Vai ser comum agora no império das privatizações e ‘‘terceirizações’’. Riscos do mercado, o Deus da moda.

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