Uma pesquisa Mandrake
Não foram poucos os que se recordaram, de imediato, da pesquisa da Aurora (aquela que dava Fruet na frente de Lerner na véspera do pleito) quando souberam dos indicadores de uma sondagem do PMDB, ora contestada na Justiça Eleitoral, que mostrava Requião com 42 pontos contra 40 de Taniguchi. Havia outras indicações fantasiosas como a de que ambos estavam com 27 de rejeição, o que se constituiria em mais um absurdo aritmético já que com 82 de positivo não poderiam ultrapassar os 100, e isso se daria em pelo menos sete pontos, isso sem considerar os demais candidatos, indecisos e os resistentes a votar.
O PFL e a prefeitura estrilaram, já que a pesquisa, por não estar registrada no TRE, não poderia ser divulgada, o que é discutível. Antes da referência a esses indicadores havia outra, também vazada, não se sabe se propositadamente, bem mais aceitável, cartesianamente falando, em que Cássio teria 32 contra 30 do senador, único, na verdade, em condições de pegar a parada, como se sabe.
Requião só teve, à exceção da vitória óbvia para o Senado, facilitada por tantos fatores como os que beneficiaram recentemente Alvaro Dias, moleza e sempre no poder. A eleição para deputado estadual veio no ‘‘rolo’’ da avalanche do PMDB que levou Richa ao Palácio Iguaçu e apoiada nas imaginosas ‘‘dobradinhas’’ com candidatos a vereadores e a estrutura das zonais. Depois, Richa governador, com a credibilidade lá em cima, carregou-o às costas, mesmo contra a vontade, para elegê-lo prefeito em 85. Não é, portanto, um fenômeno eleitoral, mas um beneficiário de circunstâncias. Um pouco mais de firmeza e poderia ter endurecido a parada com Lerner na reeleição, na qual tomou cautelas excessivas e com um certo ar pentescostal.
Assim, há uma questão de coragem em jogo e o receio de que uma derrota para o japonês encerrasse a carreira de Roberto Requião, outra rematada tolice. Um mínimo de espírito de sacrifício pela causa do partido, que domina como um senhor feudal, aconselharia o risco. Não custa lembrar que o termo sacrifício advém da expressão latina sagrado ofício. Quem busca facilidades não está aberto ao ritual sacro.
AFORÍSTICO
Não espanta que no governo atual seja preciso aparecer um vivo dado como morto para que as autoridades se mexam
BIZARRICE Se não há mais parreirais em Santa Felicidade, comida pela febre imobiliária, como é que fazem as festas da uva e do vinho?
Isso faz lembrar aquele filme italiano com o genial comediante Totó, que está a transpor a fronteira com uma carroça de mercadorias. O guarda aduaneiro pergunta o que ele transporta. Responde que se trata de água. E quando vai verificar é vinho. Totó sai, arrebatado, a gritar que Nossa Senhora acabara de fazer o milagre de transformar água em vinho.
‘‘La Signora ha fatto il miracolo!’’
AXIOMA Segundo o IBGE, o Paraná teve desenvolvimento industrial negativo em 99. enquanto catarinenses subiam 1,8% e gaúchos 2,2%. A Confederação Nacional da Indústria contesta, mas não tem o peso do órgão oficial. O triunfalismo não é confirmado pelos registros. Trata-se de uma tradição. No Censo de 1980 a Copel se meteu a substituir o Ipardes e sugeriu que a população chegaria a 10 milhões, número ainda não atingido hoje. O IBGE deu pouco mais de 7,5 milhões. Pelo jeito não aprendemos. Oba oba não se ajusta com a racionalidade.
GLOSA Não espanta a descoberta de mancha de óleo se aproximando do Parque do Superagui, área nacionalmente preservada. Ninguém badala a ecologia tanto quanto o nosso governo, o mesmo, aliás, que inventou a empulhação, mais do que desmistificada, da Curitiba ecológica. Repito: muito eco, pouca lógica.
PREVIDÊNCIA Há dois quixotescos, no melhor do sentidos, nessa luta para implantar a ParanaPrevidência: Renatinho Folador e Miguel Salomão. Tentam ‘‘vender’’ algo que nasce num governo pródigo (quebrou o Estado) e, portanto, sem credibilidade. Tenta-se amarrar a capitalização a absurdos como o caso da antecipação dos royalties e dar a idéia de que o tal patrimônio imobiliário do governo (não tinha nem o registro imobiliário da maioria dos bens arrolados), boa parte cedida em comodato como o prédio da UPE e que nada rende, seria um dos respaldos do Fundo.
Mas Renatinho e Miguel Salomão são sérios. E beneficiados pela moratória dos julgamentos, já que nesta semana mais duas decisões no Tribunal de Justiça fulminariam a entidade, como deve acontecer na instância máxima, STF. Com a morte do desembargador Gradowski, dois mandados de segurança foram adiados.
Salomão ganha apenas o vencimento secretarial. Bruto de R$ 4.678,58. E isso pelas duas funções. O que o salva é a aposentadoria do Banco Central.
Quanto aos salários propostos para os futuros diretores do órgão, se sair de todas as dificuldades financeiras e jurídicas, eles decorreram de análise em valores de mercado, isso é, os atribuídos a executivos que cuidam de fundos de pensão que devem responder até com o patrimônio por má gestão.
FOLCLORE A secretária Maria Elisa, da Administração, é muito ligada em Paris, onde busca adquirir um sistema eletrônico digital para identificação. Um absurdo se considerarmos que o Cefet vendeu equipamentos para leitura digital para a USP, que deve ter visão melhor das coisas.
Outro que está em Paris é o delegado-geral, Ricardo Noronha, que também já foi da área de identificação, juntamente com um coronel da PM, para assimilar know-how da polícia francesa. Já fizemos inúteis incursões, com o mesmo objetivo, nos States e sem quaisquer resultados.
Dá para imaginar essa Polícia do Paraná tentando a experiência de Nova York da tolerância zero. A terapia radical tinha que começar em casa. E aí, como é lógico, empacaria, ainda mais neste governo.
CROMO Pedágio poético é o do cancioneiro popular brasileiro: ‘‘Tire seu sorriso do caminho// que eu quero passar com a minha dor!’’ Poderíamos, com ‘‘fair play’’, entoar esses versos no mata-burro do pedágio.

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