Luiz Geraldo Mazza
Narcisismo militante
Uma das alegações da Prefeitura de Curitiba para os cuidados que toma com o calçamento em petit pavê na Rua XV é a de que isso é feito para respeitar o original de uma área tombada pelo Patrimônio Histórico. E agora ela investe com uma fúria iconoclasta contra o Centro Cívico desrespeitando leis e normas que regulam esses espaços. Mais uma vez a prova do narcisismo do grupo que está no poder. Para eles, como se viu naquele concurso do Itaú, em que se pretendia impor goela abaixo da população, como símbolos da cidade, os kitschs lerneristas (Jardim Botânico, Ópera do Arame) como mais relevantes que referenciais da história e da cultura como a Universidade Federal do Paraná, por exemplo.
Essa forçada de barra para transformar o ciclo de Lerner como um divisor de águas o célebre antes e depois de é parte do processo de manipulação ideológica denunciado pela mestra Fernanda Sanchez Garcia em seu livro, do qual me orgulho em assinar a orelha, denominado Cidade Espetáculo. Mas o narcisismo desse pessoal (e o prefeito Cassio Taniguchi é a peça-chave do grupo) está presente em outras evidências, além dessa ação predatória contra o Centro Cívico, obra original no País e que serviu até de referência para a construção de Brasília nas artes de Lúcio Costa e Niemeyer, já que a Capital da Esperança, conforme a definiu Malraux, surgiria pouco depois. Só o precedente histórico justificaria maior respeito àquele espaço urbano.
Essa megalomania não está apenas nisso. O maior arquiteto do Paraná e talvez do País, o curitibano Vilanova Artigas, fundador da primeira escola da área em São Paulo, não tem as suas obras preservadas: as casas existentes na Rua Fontana, duas, foram demolidas e não se vê uma preocupação mínima com os demais referenciais, um deles o Hospital São Lucas. Londrina, que a despeito de sua modernidade e não estar tão ligada a raízes remotas, protegeu uma das obras do gênio de esquerda na velha Estação Rodoviária. É que felizmente a mancha oleosa desse narcisismo não chegou por lá.
Inverte-se a frase do Rei Sol, Luis XIV: em lugar de depois de mim o dilúvio , o que aliás está para acontecer, dá para inscrever antes de mim, o nada, uma brincadeira deicida bem ao estilo do grupo.
AXIOMA
Tanto no caso do PMDB e suas brigas intestinas como nas trocas de denúncias em Londrina dá a impressão de uma briga de babuínos, aqueles primatas que se agridem com as próprias fezes
BIZARRICE O case Londrina nas autarquias Comurb e Ama, em muitos aspectos, lembra, numa escala menor, as ações do PC de Collor. Com uma diferença: a maior parte da grana deriva de superfaturamento de obras, algumas fantasmas, do setor público. Há uma referência dos depoimentos a um contrato entre a Copel e a Esteio, super envolvida no processo, como precedente histórico, uma espécie de indicador como caminho das pedras.
GLOSA Um presidente de entidade liberal quando convocado para o governo não deve licenciar-se da sua responsabilidade privada? O nosso ágil e competente Carvalhinho, doublê de secretário de Estado, é um exemplo.
IDENTIDADE Um outdoor toma conta da cidade fazendo proselitismo para o Flu e a sua ascensão à Segunda Divisão. E depois ainda perguntam por que há mais gente com camisas de clubes de fora (especialmente Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Grêmio e Inter) do que a dos nossos. O fato é importante, mas ninguém se detém sobre ele com a seriedade devida. Se houver um censo nenhum dos nossos vai aparecer até o quinto lugar. O outdoor, garanto, é de tricolor da terra e que o coloca na condição de prioridade afetiva. O Fluminense, embora com 9 milhões de torcedores no Brasil, não é forte no Paraná. Perde de coxas e atleticanos, locais, e de cariocas (Mengo em primeiro) e paulistas e também de Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio e Inter.
Em Paranaguá cansei de ver o Carlos Elísio da Costa e outros da torcida chegarem ao cúmulo de fretar taxi aéreo para ver jogo do Fluminense.
TROCADILHO Dizem que o própolis silvestre de melhor qualidade é o de Prudentópolis. Há quem sugira que a cidade mude para Prudentoprópolis.
Em congresso de naturoterapia ficou assentado que o própolis do mel de abelha é o melhor imunizante contra febres tropicais, incluindo a amarela que voltou a aparecer com destaque nesse paraíso endêmico que é o Brasil.
QUEBRA Quem quebrou o Paraná? Não foi só o Lerner, mas o fato se deu sob o seu reinado. O Paraná não tinha dívida gigante. Hoje tem: quebrou o modelo de gestão financeira (Alvaro Dias já havia feito o papelão de liquidar o Badep) com as despesas de custeio obrigando aos empréstimos externos para garantir taxa mínima de investimento; os recursos despendidos em propaganda (R$ 500 milhões), mais os saques em oba-oba como os Jogos da Natureza e os desvios delinquentes do Banestado (Corretora, Leasing) dariam, de sobra, para acertar a capitalização da ParanaPrevidência. Quem pariu Mateus que o embale é a resposta para os que se ligam na divisa Mateus, primeiro os teus.
FOLCLORE Como voltou a onda de combater nepotismo, e agora pela fixação de parâmetros admissíveis (a gradualização é menos dolorosa que a extinção), é didático lembrar da cena com Guataçara Borba Carneiro quando governador. Nhô Guata, como era chamado o político de Tibagi, censurado por haver nomeado o filho, Paulo, para o Tribunal de Contas, replicou com sabedoria campeira: Queria o quê? Que eu nomeasse o teu?
CROMO Na manhã fria, a teia de aranha com orvalho, congelada, é uma jóia deslumbrante que o sol vai remover.
AFORÍSTICO Vamos tirar Paranaguá do vermelho! Com esse outdoor a cidade litorânea despertou ontem com a campanha, bem no estilo da terra, contra o prefeito Mário Roque, que ficou indignado. A referência caricatural é ao tom da pele e do cabelo do burgomestre, já apelidado de tampa de vidro de iodo.





