O Paraná entra em novo ciclo de desenvolvimento, isso todos sabem, com a transformação de sua economia e a condição de segundo pólo automotivo. Mas isso trará problemas - impactos urbanos, ambientais, piora de qualidade de vida, concentração industrial no eixo Curitiba-Ponta Grossa que reclamarão correções mais tarde - e não satisfará as expectativas semeadas. Um técnico do Ipardes, Gilmar Lourenço, chama a atenção para o fato de que as montadoras serão de sintonia fina, poupadora extrema de mão-de-obra, com seus aparatos de informática e robótica. E calcula que os empregos gerados por todas elas não ultrapassarão 4 mil e que somados aos indiretos não chegarão a 20 mil.
O governador Jaime Lerner insiste em repetir um número improvável: o de que a Cidade Industrial geraria 250 mil empregos. Diretos, os empregos mal chegam a 40 mil, dependendo da conjuntura: se aquecida, o que não acontece, sobe um pouco; se retraída, provoca aqueles desempregos em massa, como os da Volvo. Aliás cite-se a empresa até por uma necessidade didática, já que ela observou em sua implantação mais ou menos o que se dá agora com as recém-atraídas.
Que a moderna indústria automotiva não emprega como antes é fato primário. São Paulo está aí para demonstrá-lo com seus metalúrgicos sem espaço. Imagine-se agora numa empresa com ‘‘lay-out’’ moderno, com agregação tecnológica de última geração, e se terá uma noção minimalista do processo. Afinal a Renault, por exemplo, deficitária e que anda cortando rente à carne, fechando unidades na Bélgica e em outros países, deve ter se decidido pelo Paraná não apenas em função de razões logísticas, mas também dos estímulos ofertados via governo. Não há como contestá-lo e igualmente como negar ao governo o direito de fazê-lo, desde que não extrapole nas concessões.
O bloqueio no Senado deve ser combatido sem circo e apelando, ao máximo, para a racionalidade. O discurso de Requião oculta uma coisa: sua visão de processo está ligada aos anos cinquenta, ainda que mesmo desse ideário tenha lido muito pouco. É a teoria conspiratória da história, irrigada pela Guerra Fria e a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), que teve um seguidor quase caricatural no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), um fábrica ranheta de ideologia.
Mesmo que os protocolos sejam abertos, Requião dirá, em tom apocalíptico, que são perniciosos e repetirá, ainda que não prove, que o Estado quebrou. Mas a sociedade deve ser exigente também quanto ao governo: reclamar clareza, menos apego à propaganda, mais racionalidade, mais precisão nos números para que não se criem expectativas exageradas.
BIZARRICE O jornalista Hudson José não é um porta-voz, como se sugeriu, mas um assessor especializado do governador Jaime Lerner. Ruth Bolognese, igualmente jornalista, acha cafona essa configuração, mas isso tem muito a ver com o personagem de FHC, embaixador Sérgio Amaral, que parece uma estátua ao não mover a boca enquanto fala. Quem inventou a figura do porta-voz foi Fábio Campana, para o também jornalista Pedro Arlant, que até hoje não viu a grana do Palácio. Se fosse uma mulher poderia ser ‘‘dama de companhia’’ ou ainda, para ganhar coloração mais brasileira, porta-estandarte.
SPRAY Debates sobre o Plano Diretor de Curitiba derrubam aos poucos alguns dos mitos da cidade. Teme-se que depois de juntado o acervo se submeta tudo ao crivo do IPPUC para que este imponha a sua ‘‘filosofia’’, a camisa de força que todos conhecem.- O papo de Lerner, em Londrina, no encontro com o pessoal das embaixadas estrangeiras sensibilizou tanto os visitantes (que prometem mandar missões ao Paraná e especialmente ao Norte) como os londrinenses.- Adoc está indo com força em cima da terceirizações da Telepar: alguns deles subiram nada menos de 500% e justamente daqueles explorados por adolescentes e crianças que costumam manter ligações demoradas.- Segunda-feira o presidente da Sanepar vai estar em Cianorte para acompanhar a perfuração de poço artesiano de 1.500 metros e que explorará o ‘‘aquífero Botucatu’’ com a água fluindo a uma temperatura de 42 graus. Essa água precisará ser resfriada, se destinada ao consumo, e descompensada, também, do excesso de flúor. Isso aconteceu em Londrina quando a cidada optava entre o Tibagi e o aquífero. Deputado Edno Guimarães acompanha tudo.- Amanhã assumem os juízes Luciana Virmond Cesar (Coronel Vivida), Gaspar de Araújo Filho (São Jerônimo), Wolfgang Werner Jahnke (Palmital), Cristiane Santos Leite (Guaraniaçu), Mauro Henrique Ticiannelli (Iporã), Eduardo Serrão (Mangueirinha), Jair Botura (Alto Piquiri), Nilce Regina Lima (Realeza), Joana Biazus (Pinhão).- Magistrados substitutos assumem também: Naor Ribeiro Macedo Neto (São José dos Pinhais), Eduardo Fagundes Júnior (Paranaguá), Maria Fernanda Nogara (Irati), Elisiane Minasse (Apucarana), Sandra Gayer (Medianeira), Siladelfo Silva (Cianorte), Sueli Neves (Umuarama), Patrícia Gomes (Pato Branco).-

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