Luiz Geraldo Mazza
Uma das evidências de que o Paraná não tem identidade está no futebol. Se fizermos um censo de torcedores em todo o território, verificaremos que Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo sairiam à frente. Em certas regiões mineiros e gaúchos, com seus quatro times principais, predominariam.
Não espanta, pois, o fato de na noite em que o Atlético Paranaense era linchado na justiça esportiva, mesmo em Curitiba, onde detém a segunda torcida, ter havido vasta comemoração da vitória corintiana sobre o São Paulo.
O que ocorreu com o Atlético é grave e evidência do pouco respeito que merecemos como sociedade organizada. Não dá para imaginar que fizessem algo contra o Bahia e que Antonio Carlos Magalhães, o senador, não se mexesse. Ou que houvesse algo semelhante com um time gaúcho e a liderança política da sociedade não se manifestasse. Pois em passado recente o Coritiba sofreu esbulho ainda pior do que esse, pois agiu em função de liminar que o STJD lhe havia concedido e foi jogado para o purgatório da 2ª Divisão. Quando tentou retornar, foi roubado em Campinas com o presidente da Federação Paulista dando ordens do banco dentro do estádio e anulando um gol legítimo do Chicão.
Apanhamos, enfim, que nem mulher de apache e os políticos, que deveriam ocupar esse espaço, nada fazem. Façamos uma justiça: quando o coxa insistiu em não jogar no interior de Minas, Álvaro Dias, então governador, chegou a ofertar avião para conduzir a delegação.
Ao Atlético Paranaense não há alternativa se não a de buscar os seus direitos na justiça comum, ainda que corra riscos por essa atitude, tal qual se deu com o América de Minas. O Vasco se recusou a disputar uma partida e não sofreu punição semelhante à do Coritiba. Por que? Porque o que há de mais desprezível no futebol brasileiro, a cartolagem carioca (aliás, não se entende como a CBF insista em ter sua sediação na ex-capital federal num desesperado suspiro de nostalgia doentia, pois ao Rio só restou a condição de centro maior da indústria cultural brasileira por causa da Globo), é que deita e rola, isso sem falar que muitos dos seus dirigentes detém cartórios nos negócios da bola.
Mas não basta isso: é preciso ir fundo na análise das razões pelas quais Ricardo Teixeira sai ileso num processo em que o seu diretor da Comissão Nacional de Arbitragem movia vasta e fraudulenta ação de tráfico de influência. Não se trata de justificar os erros cometidos pelo dirigente do Atlético, Mário Celso Petraglia, que se perdeu pela vaidade e arrogância, inclusive no fato de não ter ido prestar depoimento com o que se transformou em revel. Urge aproveitar o ciclo das denúncias e fazer, desde logo, a anatomia do futebol corrupto através, inclusive, de uma CPI que poderia, de saída, ouvir as denúncias de Juca Kfoury, feitas e repetidas publicamente, que atingem o centro do poder futebolístico.
BIZARRICE Explicação do meu primo irmão Raul Mazza para o gol do Roberto Carlos, alvo de análise do departamento de física de universidade inglesa: foi o gol FHC, pois saiu de esquerda, foi pra direita, ameaçou ir para o centro, retornou à esquerda e entrou pela direita.
SPRAY Anteontem, proximidades da Universidade Federal, início da tarde, três assaltos em menos de cinco minutos. Curitiba, refém do crime.- Estudo do Sindi/Seab mostra que o aumento dos cargos em comissão não foi apenas de 137,64%. Chega a 496,11% em alguns casos. Já na Coordenação da Receita tais ajustes superam os 640%.- 2.783 candidatos a onze vagas de Auxiliar de Cartório dos juizados cíveis e criminais dá uma idéia da crise e de como o pessoal vive de olho em função pública. Concurso sai em agosto.- Paranacity é um dos assentamentos do MST, antes explorado por um líder ruralista que não dava o mínimo aproveitamento à área e é inadimplente do Banestado.- Ângelo Vanhoni vai pedir que o ex-secretário de Transportes Deni Schwartz detalhe as denúncias que fez em seu discurso de saída quanto ao trabalho dos lobbies de deputados e tudo o mais. Já estou vendo as vaquinhas de presépio negando aprovação ao pedido.- Prolongamento das estruturais na Região Metropolitana de Curitiba foi uma das teses defendidas por Rafael Dely no debate sobre Plano Diretor.- O mestre em história Denisson de Oliveira mostrou que em toda concepção de Curitiba há uma costura entre o poder público e o econômico. Essa tese é desmascaradora ao evidenciar a picaretagem dos shoppings que subordinam o plano de circulação da cidade a empreendimentos comerciais. Bobbio chama isso de poder invisível. Aqui é visível demais.- Parte considerável da venda do passe de Alex servirá para quitar débitos do coxa para com a previdência.- Stuart, bar e petiscaria, do Ligeirinho, agora na Munhoz da Rocha, 307, Cabral. Com a mesma linha culinária, incluindo testículos de touro, isso sem falar em paca, criada e não caçada.- Gionédis pediu ao Garcia Cid que moderasse o tom de sua fala em relação a deputados (eles pediam, em manifesto, manutenção do Valmor Picollo e se o fizeram é porque atendia no que não devia). Ocorre o seguinte: se abrir as pernas para empréstimos a juros subsidiados a deputados, juízes, conselheiros do TC, o banco explode. Deputados por tradição enrolam e não pagam e se encostam nos avais de Aníbal Khury. Se o Brasil não mudou, gente, vai ter que mudar. Virem-se em outra freguesia.-
FOLCLORE Com a venda de Alex, o coxa acerta a previdência e com a do Anselmo será zerado o IPTU do Couto Pereira. Saque do anarcoxa Elísio Marques.
CROMO Agora sim é que esse azul do fim da tarde fria azuleja os seus olhos.
AFORÍSTICO Como seria a democracia no trânsito? Dá para imaginar o PT em diálogo com o semáforo ou o inconformado usando a mão inglesa.





