Luiz Geraldo Mazza
Aprovada a reeleição, já promulgada pela figura ideal, o senador Antonio Carlos Magalhães, simétrico à formulação do processo, o país entra em amnésia, decidida pelos meios de comunicação, em torno da fraude que contaminou a inovação constitucional. E agora, como se os veículos fossem os escravos das galés, tocando as remadas ao ritmo do bombo do hortator, vão naturalmente falar das reformas, como se elas fossem, de fato, uma prioridade para FHC.
Com esse aparato, jogamos para baixo do tapete toda a sacanagem da compra de votos como se ela se limitasse aqueles pândegos que dela participaram. Na CBF outra farsa, decorrente também de grampo, consegue, por força da paixão pelo futebol, interessar mais o público do que o fato mais grave, o da compra de votos.
Daqui para a frente a saturação será em cima das reformas e elas estão sendo apontadas como as maiores prejudicadas se saísse uma CPI da patifaria. E em nome desse audaz patriotismo que não se fará nada para apurar o que pretendia a oposição e cuja última esperança caiu no STF que não poderia invadir área de atribuição de outro poder.
O presidente vai ser o candidato do PSDB e provavelmente de toda a aliança, incluindo o PMDB, cada vez mais parecido com o PFL. E aqui no Paraná o maior beneficiário da emenda, anteontem aprovada, não sabe por quem sairá candidato.
E poderia até cantar aquele samba clássico Com que roupa que eu vou?// pro samba que você me convidou?. Aliás quem convidou: um grupo, um partido ou ele mesmo que não sabe onde ficar e para onde ir?
BIZARRICE Estão chamando o filhote de camelo do Parque Iguaçu de Camila, mas há que o denomine de IPPUC. Uma piada antiga, certamente de engenheiro contra colegas arquitetos e urbanistas, que define o camelo como um projeto de cavalo daqueles profissionais.
SPRAY Ministério Público está de olho no discurso de saída do Deni Schwartz da secretaria de Transportes. Há material ali para processar meio mundo.- Vejam o tipo de gato que há no governo Lerner: até uma assinatura do governador, numa questão do Porto de Paranaguá, foi fajutada. Quem tem os aliados deste governo pode dispensar adversários. Que incompetência irritante!- O Ministério Público deve também pedir as notas taquigráficas dos discursos do senador Osmar Dias que diz, entre outras coisas, que o governo pagou pelo menos 10 estradas do Paraná Rural que não foram construídas.- Por que o governo estadual vai detonar, agora sim, o tesouro?: demandas de deputados, a maior parte casos de picaretagem como o daquele que tentava forçar o asfaltamento de uma cidade, a que se referiu Schwartz, vão ser atendidas com a maior presteza.- Em dois meses todo o trabalho de austeridade de Miguel Salomão vai para o espaço, não bastasse já a ação diluidora da secretaria de Administração que atendeu tantos absurdos e que elevou a folha de pagamento de R$ 130 milhões para R$ 230 milhões sem qualquer retorno político, já que a maioria dos barnabés não teve qualquer vantagem.- Tudo isso será feito em nome do realismo eleitoral e aí, sim, Requião terá feito profecia em dizer que o Paraná quebrou. E vai porque o apetite dessa gente é insaciável.- Se a folha está em R$ 230 milhões dá para perceber que só nesse item o governo despenderá quase R$ 3 bilhões quando em 96 a totalidade de sua arrecadação ficou em R$ 3.9 bi.- Apesar da promessa do Herwig em atender empreiteiros não há grana para dívida imediata de R$ 43 milhões. Meios de comunicação entram no sétimo mês de atraso. Se num quadro desses uma autoridade sorri, urge verificar se não está com sequela de derrame.- Primo de Valdir Rossoni, da área política de Aníbal Khury, Paulinho DAlmaz é o novo diretor do DER. Outros dois, o de Obras e Financeiro, são do governo Álvaro Dias. Consequências da reforma meia-sola.- No debate ontem sobre o Plano Diretor, Samek elencou os desacertos: visão funcionalista da lei de zoneamento e uso do solo que fará de Curitiba o paraíso das empreiteiras; solo criado ajudou a adensar e a concentrar áreas já saturadas; verticalização das estruturais gerou paredões de concreto; ausência de integração com aspectos metropolitanos etc.- Aliás Curitiba real nada tem a ver com a virtual: haja vista para a violência que hoje a caracteriza, não espantando o fato de a polícia ter produzido o flagrante no assassinato do estudante Rafael Zanella. Os atraídos pela propaganda, pobres ou ricos, estão vendo que proporcionalmente perdemos da Baixada Fluminense. Esta é que é a dura realidade.- E o caso da Leasing Banestado fica na mesma? Ou só os laranjas, como no caso da quadrilha do ICMS, é que correm riscos de cadeia?- Uma das coisas que Schwartz não explicou: as empreiteiras das pontes sobre o rio Paraná recebiam direitinho, as outras não.-
FOLCLORE Atribuia-se ontem, direta e indiretamente, a nomeação do presidente do Banestado e do secretário de Transportes, ambos originários de Londrina, ao alerta de Antonio Belinati, logo depois da eleição quando ameaçou convocar todo o interior para reclamar da falta de obras. Muitos partilhavam do feito, mas o Mazzaroppi era o mais cumprimentado. Mazzaroppi é o Belinati.
CROMO Estamos no estúdio de TV para a gravação, três jornalistas e um líder sem terra e a âncora é a Perla, estudante de comunicação. Todos magnetizados pela jovem que é um contraponto na severidade do assunto agrário. À noite certamente invade a gleba imaginária dos sonhos dos admiradores. Com doçura e sem resistência, mais eficaz do que o Guevara.
AFORÍSTICO Requião e Álvaro Dias desligaram a TV e o governo Lerner continuava existindo. Pode não ser virtuoso, mas não é tão radicalmente virtual.





