Luiz Geraldo Mazza
Dizia Nelson Rodrigues no título de uma de suas peças Toda nudez será castigada. Pois estamos muito próximos de uma nudez abençoada com a divulgação dos protocolos que estados firmaram com as montadoras, conforme deliberação de subcomissão do Senado.
Percebe-se nisso aí que a Câmara Alta se distancia de uma ação irracional contra os interesses do Paraná, uma vez que estados-membros, falidos literalmente como Minas, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm contado com a boa vontade da Casa na aprovação dos seus empréstimos. Alguém deve ter acionado o desconfiômetro entre os pais da pátria para evitar o ônus de uma discriminação em tudo intolerável. Assim, com a exigência genérica, perde o sentido o bloqueio específico aos interesses paranaenses.
Embora a frouxidão do governo, que perdeu tempo ao não tomar decisões, dá para perceber que os autores do bloqueio, os senadores paranaenses, acusaram o golpe recebido com a paulada televisiva de Lerner. E convenhamos que se tudo for levado a sério, o país ganhará com a anatomia que se fará em cima da deplorável guerra fiscal e desencadeada num momento em que é mais aguda a crise de Estado, a tal ponto que levou boa parte deles ao expediente astuto e perigoso da emissão de títulos, fabrico de moeda, como Alagoas ameaçada agora de uma intervenção branca do governo federal por causa dos compromissos, afinal, não honrados.
Aliás o relatório parcial do senador Roberto Requião é sereno, não guarda nenhum daqueles tiques histriônicos e inquisitoriais e é abrangente o suficiente no enquadramento de todos quantos fizeram uso indevido da emissão de títulos. Um pau geral no próprio Senado, nos governadores e prefeitos, nos tribunais de contas estaduais, no Banco Central e no governo federal.
Apesar dessa novidade, Lerner vai procurar os presidentes da República e do Senado para tratar do assunto ao mesmo tempo em que aciona o Miguel Salomão para uma exposição técnica, atuarial, sobre as finanças do Paraná, providência também que deveria ter sido tomada há mais tempo para poupar aborrecimentos e o faturamento político da oposição na exploração de uma dúvida.
BIZARRICE Álvaro Dias de capacete no comando de um trator. A alegoria lembra que está montado no trator figurado, o ministro Motta, aquele mesmo citado no grampo telefônico da compra de votos e que jamais se adaptaria ao silêncio obsequioso, razão pela qual continua deitando e rolando, ainda que fora da articulação política de FHC.
SPRAY É quase certo que as concessões feitas a Renault não se repetiram no caso das demais montadoras e aí residirá o ponto de exploração que Requião fará, de qualquer forma, do assunto.- Argumento oficial de que a Renault asseguraria a chegada das outras não removerá os constrangimentos junto às demais concorrentes.- Funcionária do Tribunal de Justiça viveu, dias atrás, uma situação kafkiana: dia 23 havia sido depositada em sua conta, no Banestado, importância que foi retirada, três dias depois, pela administração. Entrou em parafuso porque lhe explicaram que no contrato de adesão, numa das cláusulas, isso está previsto.- Decisão unânime do TC da União, de abril deste ano, manda arquivar procedimento contra ex-dirigentes da Fundepar do Paraná, Maurício Requião, Elerian Zanetti, Segismundo Morgenstern, Vicente Palhares, Marcos Guelmann. Engloba, portanto, a equipe do governo atual e do anterior. Uma auditoria tinha revelado irregularidade na aquisição de merenda escolar por valores superiores ao menor preço ofertado em licitação. - Juiz da 4ª Vara da Fazenda Pública, Francisco Pinto Rabello Filho, está sendo promovido a Juiz Substituto de 2º Grau, passo intermediário para o Tribunal de Alçada. - Amanhã no Ipardes, a partir das 14 horas, conferência e debate sobre a abertura da economia brasileira e seus impactos regionais. Antonio Barros de Castro, da UFRJ, desenvolve o tema e o debatem Luiz Lourenço, da Cocamar, e Carlos Olavo Quandt, pesquisador visitante. A chegada das montadoras é o sinal positivo em meio à turbulência política, mas o que tem de empresa quebrando e sendo, de qualquer modo, absorvida por multinacionais não é brincadeira. - Apesar de a diretoria da polícia civil estar sob o comando de um profissional de elite, os problemas continuam: taxa de criminalidade crescente, fuga de presos como a havida na Cidade Industrial.- Conselho da Magistratura referenda dia 23 o resultado do concurso de oficial de justiça feito em 94. Observação do ex-juiz e anarquista Elísio Marques: justiça sem meirinhos é como Don Juan sem camisinha.- Servidores estaduais não têm a mínima condição de fazer greve, embora tenha todo o direito de fazê-la, já que a maioria está, há dois anos, com seus vencimentos arrochados. Assim mesmo o sindicato procura mostrar vida fazendo dramatizações em praça pública e até com carpideiras que assinalam o enterro simbólico de Lerner. Choram, é claro, pelo salário baixo e riem do governo insensível.-
FOLCLORE Gerson Guelmann, do gabinete do Palácio Iguaçu, falava na rádio CBN sobre o bloqueio dos empréstimos do Paraná no Senado. E usou uma imagem: a de que havia um programa de televisão gente que faz e que seria até, no caso específico de Requião e Álvaro Dias, de estabelecer a glosa do gente que não faz. Lembrou que Requião não trouxe um só investimento importante ao Paraná. A rigor poderia ter sugerido um outro programa para os senadores gente que desfaz.
AFORÍSTICO O Paraná vai funcionar como um filtro, um tampão, para os demais estados nas relações em venda de animais vivos. Isso na área pecuária porque em breve teremos o atestado de livre da febre aftosa. Para descompensar temos a evidência de que é o único estado bloqueado pelo Senado no Brasil.





