Luiz Geraldo Mazza




Pisando na onça morta
Todo mundo vira machão diante da onça morta. Dá para lembrar do Tribunal de Contas desaprovando o exercício de Leon Perez, já cassado, é claro. Agora todo o mundo dá uma de moralista e austero na Assembléia Legislativa depois de morto Aníbal Khury. Agora vemos o mais refinado exemplo de oportunismo, o PPS, o Partido Popular Socialite, tentando dançar, à maneira selvagem, diante do que precipitadamente considera os despojos do lernerismo, fundamentalmente atingidos pelas últimas pesquisas de opinão.
Pois o PPS, agora também se acreditando já uma opção efetiva no País por causa do social-oportunista Ciro Gomes, como alavancador de ambições de traço paroquial em todo o Brasil, aderiu à moda das pesquisas e fez uma retumbante em que de 800 filiados consultados (partido ‘‘comunista’’ no Brasil com mais de duzentos filiados ou não é partido e está mais para clube de serviço ou não é comunista) nada menos de 74,35% acham Lerner fraco, ruim ou péssimo.
O radicalismo dessa postura é próximo da fúria. Tanto que 67,89% se acreditam indignados pela conduta moral de Lerner. Se isso é verdade, por que calaram o tempo todo? Afinal Rubens Bueno, que esteve ligado a esse grupo dominante (e que saiu do PSDB por causa da recusa à entrada de Lerner), tem um mandato e muito acesso aos meios de comunicação e ninguém ouviu nada parecido com o rigor desse anátema. Fosse um sensível sairia na frente.
Até agora, ao que se saiba, apesar do desempenho de Ciro Gomes nas pesquisas presidenciais, a base local não foi irrigada por esse suposto prestígio. Tanto que o candidato à Prefeitura em Curitiba, o socialite Gláucio Geara, está com 1% apenas de indicações juntamente com o Eduardo Requião pelo PDT. Não está, portanto, o PPS com essa bola toda para fazer julgamentos tão radicais, até porque não tem se referido com muita constância às distorções de Lerner.



BIZARRICE
Consolo coxa branca: junto com a camisa do Atlético na cápsula do milênio, lá em Nova York, foi colocado um casal de traças do Coritiba.

AXIOMA Depois do champanhe, um mergulho inesperado nas águas fétidas do Barigui river no révellion da capital.
GLOSA Até entre mortos ilustres há diferença de estilo: mesmo de adversários, de difícil visibilidade, Aníbal Khury não seria capaz de emitir conceitos como os do ex-presidente Figueiredo. Já o Figueiredo deixou um testamento que vai dar o que falar: ninguém escapou, nem a onipresente Rede Globo.
EPIGRAMA Quem pensa que a política de municipalização visa apenas o eleitorado se engana. Depois vêm as alterações de distritos judiciários e comarcas e a partilha, desesperada, fora de qualquer controle, entre os interessados pelas várias ‘‘bocas’’ que vão abrindo, como se vê em municípios novos como Pinhais e Fazenda Rio Grande. Em passado não muito remoto chegaram a nomear para um cartório já fechado num distrito de Irati um interessado em remoção que iria se verificar na Região Metropolitana.
PROFILAXIA Um dos métodos para amaciar pesquisas era o do jornalista Fábio Campana que costumava somar, como taxa de credibilidade, o ‘‘ótimo-bom’’ com o ‘‘regular’’. Na pesquisa ‘‘Vox Populi’’ Lerner teria 73% de credibilidade ao somar os 34% de ótimo-bom aos 39% de regular. Na do Datafolha estaria mais fortalecido ainda com 76 pontos de aceitação na soma dos 46 de ótimo-bom aos 30 de regular. Requião e Alvaro Dias, beneficiados pelo método, extrapolavam nas tabulações assim interpretadas.
SPRAY A Polícia Militar está adotando a técnica de não dar divulgação extrema aos despejos de sem-terra para evitar que haja exploração psicossocial na base do desespero. - A cada despejo o MST perde força porque os agricultores removidos acabam fazendo cobranças à direção e com isso criando um problema inevitável no movimento social ou sindical. - Para a autoridade a eficiência é mais importante do que bravata e arrogância. Isso é tão claro que a velha e reacionária UDR parou de resmungar. Por outro lado o novo comando da PM ganhou outra imagem, ainda mais depois da remoção do acampamento do Centro Cívico. - Os despejos, feitos em silêncio, são de pequenos acampamentos, mas que representam ‘‘baixas’’ relevantes por seus efeitos psicológicos, tanto junto aos sem-terra como aos ruralistas. - Por falar em Centro Cívico terminaram ontem as 72 horas de prazo para que prefeitura e o estado dessem suas razões para a reforma da área. Essa demanda não é tão singela quanto a do Parque do Barigui. - E nesse caso também os ecologistas prometeram verificar os efeitos da megafesta. Só que deveriam fazê-lo a partir de ontem e não deixar passar o tempo, o que daria para ‘‘mascarar’’ os efeitos. - Outro vexame da Federal no ‘‘provão’’ foi o conceito ‘‘C’’ para Engenharia Elétrica. Um eletrochoque. -
O que pode fazer a polícia de Lunardelli com apenas um carro Fiat 147, modelo 81, que dificilmente passaria numa inspeção eletrônica de mínimo rigor? Esse é o retrato da segurança no interior, em que pese o festival de concessões a duas firmas que fazem a ‘‘terceirização’’. O aluguel por mês é superior a R$ 2 mil e mereceria avaliação. Com computadores é a mesma coisa: com três meses de locação dá o preço de um novinho em folha.
FOLCLORE Segundo a teoria dos reflexos condicionados (Pavlov) é possível que o jacaré do Barigui precise de foguetórios para poder dormir. É que percebeu que sente um quase nirvana de tranquilidade quando terminam os estouros. E tal bem-estar só é perceptível depois da experiência barulhenta.
CROMO Maria Fernanda, com o título de a bela do século, deu a Londrina um feito que faz esquecer em parte as patifarias - municipais.
AFORÍSTICO Pelas frases de Figueiredo dá para imaginar o seu desconforto diário em trocar palavras com políticos. É um sentimento comum ao do povo. É mais fácil aqueles (os políticos) estarem errados do que este (o povo).