O brasileiro do dia, ontem, foi o catarinense Guga, Gustavo Kuerten, o ás do tênis. Não temos uma cultura poliesportiva, mas os nossos feitos são curtidos numa perspectiva patriótica, de afirmação das nossas virtualidades, afinal tão desgastadas por exemplo no exercício da política.
Pela audácia do tenista, a de manter-se ofensivo mesmo quando a cautela estava a recomendar cuidados, havia muito de metáfora para os políticos da terra bloqueados pelo Senado e mais do que isso pelas artes, ofensivas também, do senador Roberto Requião. Quando Requião batia no Banestado ninguém esperava que o Murta Ramalho fosse capaz de enfrentá-lo e de suplantá-lo como aconteceu na CPI dos Precatórios. Pois o governo deu bandeira demais nessa questão dos empréstimos engessados. A reação veio tardia e chegou a todo o interior com a fala de Lerner na televisão, Requião respondeu ameaçando processos e Osmar Dias repicou no Senado, prometendo voltar todos os dias para dizer que o Paraná está quebrado.
Lerner torna público o que deveria ficar sob sigilo e esconde o que deveria divulgar. Essa informação de que vai ao presidente Fernando Henrique para tratar do caso dos empréstimos soa inadequada, pois deveria fazê-lo sem divulgá-la como de resto costuma ocultar intenções que assentariam melhor se liberadas, como se procedeu com a reforma meia-sola do secretariado.
A melhor decisão, no entanto, é a de Miguel Salomão, do Planejamento, de ir ao Senado e à comissão do bloqueio para mostrar a obviedade de que o Paraná é a unidade federativa melhor postada sob o ponto de vista financeiro, tanto que não recorreu à UTI da rolagem de sua dívida como fizeram São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, estes, sim, efetivamente quebrados.
Lamentemos, porém, que houve muita perda de tempo, já que era dever oficial contestar cada uma das insinuações feitas anteriormente de que o caixa estava ‘‘estourado’’ e em torno das quais faltou um mínimo de esclarecimento.
Ao uso das manobras tortuosas, eficazes na guerra de movimentos e guerrilhas, é preciso, quando as circunstâncias o exigem, o confronto direto. Na CPI dos Precatórios aconteceu isso quando o Murta mostrou singelamente que Requião, em seu governo, também havia adquirido títulos de Goiás no mercado secundário.
BIZARRICE À gozação em torno da torcida menor do Paraná Clube (o coxa aparece em primeiro e o Atlético em segundo) há agora uma resposta: de fato a torcida cabe em duas kombi, mas é preciso uma carreta para os troféus e faixas.
SPRAY Osmar Dias, da tribuna do Senado, acusou o governo Lerner de a despeito de toda a crise haver pago três estradas que não foram concluídas.- Dá para perceber que a temperatura sobe na Câmara Alta e que vai ser preciso muita diplomacia para remover a má vontade com o governo paranaense.- A extensão do programa ‘‘Lixo que não é Lixo’’ à região metropolitana era uma necessidade imperiosa de saneamento. Apesar da vasta divulgação da campanha em Curitiba ela não se transmitia à região que apresenta aspectos lastimáveis a esse respeito até mesmo nos pontos de conurbação.- Amanhã às 14 horas, Câmara Municipal de Curitiba, mesa redonda sobre ‘‘Acertos e desacertos do Plano Diretor’’ envolvendo os arquitetos Rafael Dely, Gilberto Coelho, Luis Forte Neto e o historiador Dennisson de Oliveira.- Requião representou contra o advogado Nilso Sguarezi junto à Ordem dos Advogados sob o fundamento de que teria tornado pública matéria que estava em segredo de justiça relativa ao processo de cassação.- Grande feito o da prefeitura de Londrina ao promover a vinda de embaixadores e representantes de 19 países para mostrar o potencial da região. Acertada igualmente a providência do prefeito Belinati ao colocar o governador como conferencista falando sobre o potencial não apenas da região, mas de todo o Paraná, forma sutil de negar divisionismo de sua parte por ter feito a convocação de prefeitos para discutir o abandono do interior.- Por sinal que acordaram de longo sono estrategistas do governo ao decidirem que é preciso divulgar as obras que estão concluídas ou em andamento no interior. Isso é bem mais eficaz do que institucionais vagos e de pura intenção, bem elaborados, sem função útil.- Outra coisa: capilaridade se obtém com o rádio no interior e em certos aspectos mídia insubstituível.- Dia 9, 17 horas, salão nobre Clotário Portugal no TJ, posse de 10 juízes de Direito e de 11 substitutos, ora nomeados.- Diz-se que Rafael Greca estaria para Lerner como Sérgio Motta para FHC: seria uma espécie de alter ego. Um é grosso e criador de casos, outro é delicado, mas estrela demais. E já pintou no ‘‘Bom Dia, Paranᒒ.-
FOLCLORE Curitiba é rampa de lançamentos de produtos, novidades urbanísticas e comportamentais e ontem a CNT mostrou outro feito da terra: a terapia dos homossexuais que desejam sair dessa. Agora só falta pintar uma academia para fazer o contrário: hétero virar homo, apenas para equilibrar as coisas. O que jamais teremos, como dinâmica de grupo, é o enrustido declarar-se, ao longo de um processo de catarse, ter assumido seu lado escondido.
CROMO No Barigui as carpas se batem com a ausência de oxigênio: o lago, cada vez mais assoreado, se estreita. Como a comitiva japonesa vai visitá-lo seria interessante que uma fonte de O Boticário jorrasse perfume para neutralizar o tom mortal que vem do lodo esverdeado.
AFORÍSTICO Se há segredo em operações de montadoras, como é que o presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul fez restrições públicas às concessões feitas pelo governo gaúcho para atrair a GM, operação essa que é alvo de duas ações populares? Segredo de Polichinelo.

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