Luiz Geraldo Mazza




Lerner, recorde negativo
Para fechar o ano e o século tivemos um Datafolha mostrando o governador Jaime Lerner com 22 pontos de ruim/péssimo, o que é um feito excepcional em sua biografia, e o fato alarmante de aparecer em sétimo lugar entre dez governadores pesquisados. Mas quem pensa que os áulicos ficaram abalados com números tão decepcionantes se engana. Afinal de baixo para cima o governador é o quarto e, a continuarem as coisas assim, chega logo em terceiro, em segundo e daí para primeiro é um pulo com o que desbancará Mário Covas (SP), até aqui o ‘‘lanterninha’’, logo depois do Olívio Dutra (RS).
Venho alertando, há tempos, para a queda do governador paranaense, o que é muito ruim para o delírio daqueles, a maioria puxa-sacos, descompromissados com a realidade, que o imaginam como presidenciável. Como as pesquisas não saíam e as dos institutos regionais não são levadas em conta em função das relações de clientelismo, muito assemelhadas às de agências de propaganda e da maioria esmagadora dos meios de comunicação locais, a atmosfera onírica no Palácio Iguaçu se mantinha. Tudo começou a dissolver-se com o ‘‘Vox Populi’’ da Confederação Nacional dos Transportes e que revelou a média dos governantes ao longo do ano com Lerner em quinto e acusando 24 pontos de ruim-péssimo.
Insisto que tem sido tradição nossa manter posições no ranking até o terceiro lugar. Isso vem desde o primeiro governo Ney Braga, quase sempre pintando com a medalha de ouro, o que de certa forma se repetiu com os demais. Alegava-se que essa sintonia com governos decorria da ‘‘lavagem cerebral’’, ausência de crítica e conformismo da população. As coisas mudaram para melhor e pioraram pelos que se beneficiavam do condicionamento. Se a população de hoje julgasse governos anteriores por certo não seria tão generosa.
É possível reverter tais números desde que ao lado da melhora interna haja, também, um céu de brigadeiro federal. Cassio Taniguchi, que aparece em segundo como prefeito de capital, corre o risco da contaminação, como já disse. Em Londrina é o contrário: quem contamina mais é Antonio Belinati.



BIZARRICE
Um cidadão que mora nas proximidades do Parque Barigui provocou um foguetório de 20 minutos perto da uma da madrugada de ontem. Houve quem acreditasse que se tratava de simulação da própria prefeitura. Não era. Dizem que vai haver repeteco nesta madrugada. Se punirem o fogueteiro, vai ficar demonstrado que nessa área a privatização é proibida. Foguete, só estatal ou municipal, como é o caso.

AXIOMA O prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto, está desde 1997 esperando verbas do Paraná Urbano: se a coisa esquentar, promete acampar diante do Palácio Iguaçu. Vai ser o sem-verba, mas acrescenta ‘‘com muito verbo’’.
GLOSA Ficar em sétimo lugar no Datafolha já é uma barbárie, como se viu com Lerner. O pior é ficar abaixo do Itamar Franco. Por isso só se falava ontem no Palácio Iguaçu em amenidades: estavam mais preocupados com Giuliana e Mateo, e, é claro, com a Paola, do que com a pesquisa eleitoral.
EPIGRAMA Nesses dias você ligava para o Procon, a ligação funcionava, mas ninguém atendia, conforme reclamações na rádio CBN. Ela estava que nem aquele restaurante que fechava para o almoço.
SILOGISMO O ‘‘bug’’ da Milene é, sem dúvida, o Ronaldinho.
SPRAY Londrina e Cascavel foram enganadas pelo presidente Onaireves Moura no caso do Pré-Olímpico. Aliás dissimular, enganar, é a sua rotina, como se dá, em Foz do Iguaçu, com as dívidas acumuladas e não pagas pelo seu bingo ou aqui nas relações comerciais da FPF, campeã de protestos e ações executivas.- A CBF está exigindo uma caução das duas cidades (mais de R$ 600 mil em Londrina, parte dos mais de R$ 2 milhões que deverá desembolsar) que num momento de vacas magras (fechamento do exercício, 13º) é difícil honrar. - A promessa de comercializar placas não poderá ser atendida por tratar-se de monopólio da Traffic. Também é fantasiosa a hipótese, sugerida por Onaireves, de públicos de 30 mil pessoas em rodadas duplas, o que é inimaginável. - Se os prefeitos Antonio Belinati e Salazar Barreiros acreditaram nesses números utópicos para cobrir o investimento ‘‘quebraram a cara’’ e talvez as prefeituras. - Para azar de ambos não há dinheiro estadual para cobrir dispêndios. Aliás, apesar do escândalo, até hoje não apurado devidamente, dos Jogos Abertos da Natureza, o governo se prepara para nova edição com aquele açodamento sublime de quem sabe que jamais terá problemas de fiscalização com o Tribunal de Contas. - Ordem para recuperar os holerites, anteontem, que incluíam pagamento integral de férias, gerou problemas. Muita gente vai ser obrigada a desfazer negócios em compra de automóveis e viagens por causa da confusão. Didi Mocó está desolado: mesmo sem ‘‘script’’ e direção, as trapalhadas no Paraná são insuperáveis. - As confissões de Figueiredo, que saem na IstoÉ, são nitroglicerina pura. Se o Paraná não fosse um Estado tão apagado iríamos ter material de primeira. Sobre Sarney: ‘‘Não passei a faixa àquele pulha porque não lhe cabia assumir a Presidência.’’ - Consolo dos lerneristas: sete é conta de mentiroso. - Ontem, pela manhã, havia 1.500 veículos por hora na direção de Santa Catarina. Hoje isso duplica e pode até triplicar. Pior é em São Paulo: 70 kms entre planalto e litoral eram cobertos, ontem, em quatro horas; hoje serão seis! -
FOLCLORE Parentes de presos políticos mortos durante a ditadura tentaram embargar a circulação do livro ‘‘Eu, cabo Anselmo’’, agente duplo que fazia agito na Marinha para facilitar a repressão e o golpe. Como diz Francisco Camargo, jornalista, ‘‘há muitas vítimas de 64 e poucas se declaram que o foram de 69’’. De ou do, Pancho?
CROMO Os meninos, escondidos, comiam hóstias da Igreja. Jesus os olhava sorrindo, com muito bom humor.
AFORÍSTICO Salvação de Lerner nas pesquisas é o ‘‘bug’’ do milênio.

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