Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Batalhas eleitorais
Em Londrina será mais difícil para o PFL a reeleição de Antonio Belinati do que a de Cassio Taniguchi em Curitiba. O desgaste do primeiro em função do ocorrido nas autarquias Comurb e AMA não é pequeno e, bem explorado, tende a potencializar-se. Mas se o governo precisou desembarcar em Londrina com uma força-tarefa para garantir a vitória do seu candidato no segundo turno, desta vez o ônus será maior porque também acumula a deterioração da segunda gestão de Lerner e a eventualmente decorrente da aliança federal.
Em Curitiba, as sortidas de oposição, por não contarem com o dado da fraude e da corrupção, como se dá no segundo maior pólo urbano, têm sido frustradas em cruzadas estiolantes, populistas e que encontram resistência tenaz da própria população como na idiotice da briga contra as multas do trânsito. Agora estão no disparo duas batalhas: a do megaevento do Parque Barigui, que não tem a imaginada força suscitada pelo baixo clero dos ecologistas, e a das reformas no Centro Cívico, esta uma questão mais séria e merecedora de esclarecimento.
A primeira é desprezível. Tanto que imaginar espécies em extinção num parque público é coisa digna do realismo fantástico e agora os contestantes tentam desviar o assunto para o lado da poluição sonora, o que afinal vai se dar no mundo inteiro em cima da passagem do ano.
Assim, se sobra munição eleitoral em Londrina, ela escasseia em Curitiba e é quase certo que a oposição deverá pautar a reforma da Rua XV como bandeira, com o que conseguirá prosélitos em pequena escala, correndo o risco, porém, de quebrar gloriosamente a cara, como das vezes anteriores. O fato é que a pesquisa Datafolha consolida a crença na vitória de Taniguchi, apesar de uma relativa tendência de rejeitar o princípio da reeleição, mais em função do que está acontecendo com Lerner e FHC, mais este do que aquele.
Só Requião pode quebrar a rotina de um pleito que se prenuncia chato. Já em Londrina, mesmo descontado o desgaste das autarquias, as possibilidades de oposição são maiores. Belinati é a força maior, posto que não esteja afastada a hipótese de composição com o PSDB, embora o acordo branco esteja mais sujo do que fundo de panela.
BIZARRICE
Agora, quando se discute a reforma do Centro Cívico, há quem lembre das numerosas piadas sobre as prodigalidades cometidas pelo governo Munhoz da Rocha. Uma delas narra a estória de um operário que volta e meia se apresentava com um carrinho de mão e todo o mundo ficava de olho para ver que material estaria desviando. Eram os próprios carrinhos, conforme a anedota
AXIOMA O Nego Pessoa, da Gazeta, conta que ia num táxi dirigido por um atleticano entusiasmado com a conquista de vaga para Libertadores. Do lado direito do carro ele contava as pessoas com camisa rubro-negra e do esquerdo a tarefa cabia ao motorista. Resultado: nove camisas, sete do Flamengo. Esse é um grave problema de identidade subestimado pela crônica. Ao adotar as listas verticais o Atlético deixou de ficar mimético ao Mengo, ganhou cara própria. Nem ele, muito menos o Coritiba superam, no entanto, a cultura reflexa que dá preferência aos clubes de fora. O mesmo se dá em Londrina em relação aos times paulistas, em menor escala do que no Oeste-Sudoeste com os gaúchos.
GLOSA Mandado de segurança contra a ParanaPrevidência, concedido a entidade de PMs, completa o cerco (o caso já está decidido, apesar do pedido de vistas do desembargador Valeixo) à instituição que nasceu na UTI. Outra decisão concede tutela antecipada em favor de aposentados com menos de 70 anos, o que estabelece o rombo final.
EPIGRAMA A ParanaPrevidência é uma necessidade para o ajuste fiscal. Cada vez, porém, ela mais parece um feto barbudo fugido do cemitério diante das decisões implacáveis da Justiça, ainda que na contramão da realidade.
SPRAY O front mais delicado da gestão Cássio Taniguchi é a reforma do Centro Cívico: ontem, a Associação Paranaense dos Escritórios de Arquitetura (Aspea) condenou o projeto por ferir princípios fundamentais. - Prefeitura se defende confrontando as propostas de Burle Marx com a atual e, por incrível que pareça, a do paisagista tinha área maior de impermeabilidade (56%) do que o atual em implantação (43%). - Um fato adicional acentuava a aridez do projeto Burle Marx: uma garagem subterrânea que, por certo, seria inundada. E tinha menos verde do que a situação de agora ou a proposta. - A implosão do Fórum parece um assunto sacramentado e a edificação do Judiciário ficaria na direção do Departamento de Transporte Oficial (Deto), o que, sem dúvida, desfigura a idéia de ajuste urbanístico à divisão tripartite dos Poderes. - O monstrengo do Judiciário, a despeito de sua utilidade, era um acinte ao estilo leve e funcional das edificações. Consta que tinha centenas de WCs numa escala digna da moda da privatização que estamos vivendo. - Mais uma da decadência da UFPR: seu curso de Medicina obteve conceito C, perdendo de Londrina (A) e Maringá (B). Odonto sofreu a mesma diferença. Chocante. A Federal está na UTI e claramente com o nervo exposto. Discurso doutrinário não basta.
FOLCLORE O samaritano levou o deficiente visual até a Praia Mansa de Caiobá. Este sentiu a brisa, respirou fundo e reclamou: Você me prometeu levar à praia e me traz na foz do Rio Belém? O cheirinho é inconfundível.
CROMO Era preciso que um de nós partisse,// pois nosso amor perdeu o encanto, a graça; talvez, se morto está, nunca renasça,// nem nunca mais te diga o que te disse.// Ébrios de amor, esgotamos a taça,// sem crer que tanto amor se consumisse.// E como, enfim, mais nada nos unisse,// desmanchou-se o castelo de fumaça//. Dois primeiros quartetos de Soneto de Colombo de Sousa, anos 60.
AFORÍSTICO Tese do coleguinha Emerson Cervi, aqui ao meu lado: Requião precisa disputar a Prefeitura de Curitiba e assim garantir, em aliança com Alvaro (este para o governo, ele para o Senado), a sua carreira. Reduziria, na pior das hipóteses, a taxa alta de rejeição na capital e elevaria a do aliado. Tudo poderia dar errado, se ele se elegesse, pois aí desejaria voltar ao governo.





