Manoel Ribas, grande figura da política paranaense, mais conhecida pelo farto anedotário do que pelos seus atos de estadista, era chamado de Maneco Facão porque, ao enfrentar uma quadra como a decorrente da quebra da Bolsa de Nova Iorque, cortou rente ao ossos as carnes das despesas para que o Paraná pudesse se recuperar. De tanto cortar despesas supérfluas, funcionários em excesso, virou o facão, algo cabível num governo revolucionário. FHC perdeu tempo nisso e no cronograma das reformas e agora depende da reeleição para fazer alguma coisa.
Com Lerner houve algo parecido: também perdeu tempo e especialmente quanto aos gastos públicos, dando aumentos a várias categorias, nos quais cometeu trapalhadas idênticas a essa de sua destinação partidária como a que instituiu o TIDE, Tempo Integral e Dedicação Exclusiva, o que agravou os conflitos entre as polícias civil e militar. E dá para lembrar que chegou a contar com a boa vontade do seu antecessor, Mário Pereira, que admitiu rever mensagens de aumento ao funcionalismo que já havia encaminhado ao Legislativo. Quer dizer: deveria estar informado sobre o assunto, razão pela qual interveio. Assim, pois, não se justifica o ar de Pedro Bó que agora projeta como se estivesse descobrindo o óbvio.
A arrecadação do Paraná foi uma das que registrou maior elevação em todo o país. Enquanto em 92 e 93 chegávamos a R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão, respectivamente, já em 94 havia um salto para R$ 2,4 bilhões. Pois em 95 arrecadamos R$ 3,3 bilhões e em 96, R$ 3,9 bilhões. O que ganhávamos em receita perdíamos na compulsão da prodigalidade e, vejam bem, de um governo sem obras visíveis, afora o auê cromático da televisão dos projetos que de larva não fazem borboleta ou crisálida, como diria o novo chefe da Casa Civil, Rafael Greca.
O pior é que com a Lei Kandir, que desonera produtos da exportação, o Paraná foi mais agredido do que os demais estados sulinos. Assim mesmo os níveis de participação ficaram equilibrados: o Paraná com 5,1%; Santa Catarina, 3,5% e Rio Grande do Sul, 7,2%. Paranaenses e gaúchos perderam 0,2% de 95 para 96. O que subiu, graças à pressão junto a Kandir e a adoção de compensações, foi o registro das transferências federais que em 95 chegaram a US$ 586 milhões e em 96 a US$ 684 milhões.
Se a despesa continuar crescendo, todo o esforço terá sido inútil. E como 98 é ano eleitoral, dá para perceber a dimensão dos riscos se Lerner deixar de cortar não apenas as gorduras, mas rente ao osso. Ainda mais se o engessamento dos empréstimos do Paraná persistir no Senado. Só para lembrar: o gasto com pessoal saltou de R$ 130 milhões para R$ 230 milhões ao mês e assim mesmo a maioria esmagadora do funcionalismo persiste com ganhos de fome e, portanto, à margem de benefícios, com o que os dispêndios feitos não trouxeram vantagens políticas para o Palácio Iguaçu, olhado como um carrasco dos barnabés.
BIZARRICEO Atlético Paranaense se vingou ontem da CBF e do Ricardo Teixeira: a seleção da Noruega é patrocinada, como o clube paranaense, pela Umbro.
O SAMURAICássio Taniguchi deixou de ser ninja, o guerreiro silencioso desde as gestões de Lerner na prefeitura, para assumir o papel de samurai, agora ruidoso na campanha contra o bloqueio aos empréstimos do Paraná na Comissão de Economia do Senado. Quebrou a inércia do governo com declarações fortes e que tiveram o condão de levar Lerner a mudar o tom sobre o assunto. À palavra urge a imperiosidade da ação. Só papo ou sopapo não resolvem. Uma ampla articulação política deve ser feita em todas as instâncias. E se for o caso, desde que os demais estados o façam (o que seria difícil quando a Peugeot balança entre o Rio e Minas), dá para abrir, por quer não? a ‘‘caixa preta’’.
SPRAYSe o núcleo do poder institucional, o Centro Cívico, não tem segurança, quem a terá? O assalto ao posto Banestado do Tribunal de Justiça é, no mínimo, uma barbaridade.- Requião, revitalizado com o parecer de Geraldo Brindeiro, procurador da República, contra a decisão do TRE que o cassou, fará, na semana que vem, palestra junto aos empresários gaúchos. Vai falar do Sul e dizer que da região só o Rio Grande está fora das patologias dos precatórios. Mas será obrigado a dizer algo sobre montadoras, ainda mais com o acordo gaúcho com a GM.- O novo presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, está bem informado sobre as inúmeras auditorias internas, especialmente as da Leasing. Está, como os seus antecessores, anunciando a privatização da Reflorestadora (o negócio, neste momento, não é bom, pois as empresas do ramo estão matando cachorro a grito) e do Banco del Paraná (este continua na trilha dos escândalos).- Os adversários do PT estão usando o eslogam ‘‘o PT faz bem’’ para mostrar que, no caso dos chunchos, como os demais partidos, deixa pistas. Portanto, não os faz bem.
FOLCLOREChoque doutrinário entre Murta e Garcia: aquele, técnico da área, acha que se o Banestado entrar em onda de fomento, ‘‘quebra’’; este acha que o banco pode ter função ‘‘social’’. Quem não acha nada é aquele que não sabe também se fica ou se sai do PDT, se dá posse ou não aos secretários, se bota ou não o nome dos que bloqueiam os empréstimos do Paraná no Senado em sua fala na TV, se é que vai haver. Ao invés daquela estatueta do Oscar, mereceria a do Hamlet, a do ser ou não ser.

mockup