Luiz Geraldo Mazza
Oposição cibernética
Está rompida a possibilidade de manutenção do crê ou morre vigente, há muito, nos meios de comunicação social do Paraná. Aliás, isso está sendo, de certa forma, lenta e gradual, dissipado em razão de inevitáveis conflitos de interesse empresarial e político. Não bastasse a hipótese não desprezível dos veículos informais assumirem o papel da denúncia e de alguns agressivos como a Gazeta do Paraná, que chamava o Palácio Iguaçu de gaiola das loucas, atingindo especialmente dois dos mais credenciados auxiliares de Lerner, isso tudo, aos poucos, até para efeito de posicionamento no mercado, vai ajustando o conjunto dos veículos à reação dos leitores, cada vez mais exigentes, como se vê pela seção de cartas dos principais jornais.
Aos poucos, pois, mesmo que o governo pouco faça para que a liberdade de informação se torne uma prática rotineira e que oxigene as suas relações com a sociedade, a postura da mídia se modifica, também em razão do quadro nacional e do clima investigatório, já que uma CPI como a do Narcotráfico acaba atingindo quase a totalidade das administrações estaduais, como se verá no Paraná na hora em que as ações se aprofundarem.
Desde ontem, em série on line (www.obagual.jor.br) pela Internet, o jornalista João Meassi mostra em quadros estatísticos a evolução dos gastos em propaganda nos últimos quatro anos, dispêndios com pessoal (72% da arrecadação), grau de sonegação de ICMS e uma referência ao Caixa 2. Uma série de cinco matérias opera como uma radiografia parcial da gestão em seu segundo mandato.
Diante desse quadro, já que não se pode esperar de Lerner uma atitude mais aberta em relação à democracia, como se dava com Richa, o remédio é esperar que pela pressão da sociedade (o leitor abominando o jornal cúmplice e o telespectador e ouvinte fazendo o mesmo com a televisão e o rádio) obtenha-se uma reeducação do poder, tanto o político quanto o econômico, nem sempre em fina simetria, como se observa no dia a dia. E dessa contradição nasce a verdade. Nietzsch dizia: Que mal nós, imoralistas, causamos ao príncipe? Quanto mais assestamos nossas baterias contra eles, mais se firmam no trono.
Meios de comunicação atuantes fazem também o governo vigilante.
BIZARRICE
Um out-door do Beto Richa saúda o povo pelo Ano Novo e sugere-se como novidade quando, aos olhos de muitos, parece mais velho do que o pai
AXIOMA Um homem só entra em crise séria de identidade quando, ao olhar-se no espelho, tem a impressão de que está diante do seu retrato falado, feito por peritos da nossa Polícia.
GLOSA Se ficar muito partilhada, cheia de módulos a área do Centro Cívico, dá para nominar, cada um, como Dachau, Treblinbka, Auschvitz, Berchesgarden. É uma brincadeira mórbida e de péssimo gosto. Tirar da praça o caráter de campo de concentração popular e cívica também o é como ato de força e, sobretudo, antidemocrático.
EPIGRAMA A paranóia de que os sem-terra farão, antes do Natal, a surpresa que prometeram ao governo está levando a Segurança à loucura: os ônibus são revistados e nunca se viu tanto policiamento noturno. Só que pelo que se nota se volta apenas para os sem-terra, já que o livre trânsito para delinquentes é manifesto. Vide o caso do assalto ao condomínio de alta renda do Batel.
ESPANTO Da mais recente aprovação de contas (relativas a 98) do governo pelo Tribunal de Contas, o que impressiona não é a reprise das restrições de traço doutrinário, comuns todos os anos, mas o fato de, pela primeira vez, um assessor do segundo escalão ter dado declarações técnicas indicando que elas não seriam aprovadas, o que levou o secretário Giovani Gionédis, no dia seguinte, a comentar e corrigir esses pontos de vista em parecer formal.
Pega mal uma situação dessas para os dois lados. Não se concebe intervenção como a havida como se aquilo se tratasse de despacho interlocutório. Expressão clara da pobreza institucional, muito apropriada no Paraná, onde inexiste zelo pela autonomia de poderes e senso apurado do sistema de freios e contrapesos constitucional.
Basta lembrar um detalhe: o Tribunal de Contas até hoje só desaprovou o exercício de Leon Perez e isso porque tinha sido cassado.
SPRAY O Poder Executivo não está nem aí para matéria sub-judice. Assim agiu no caso do novo lay-out, gerado pelo medo do povo, do Centro Cívico ao tocar as obras, mesmo com processo judicial. É que elas se tornarão, em pouco, definitivas, inviabilizando decisão em contrário. - Também há ação contra a mega-festa no Parque Barigui e o prefeito de Curitiba, embalado pelo autoritarismo da moda e desprezando as razões do recurso de entidades ambientalistas, mandou erguer o palco para o oba-oba. - Essas atitudes demonstram que tanto num caso como no outro, a autoridade despreza os que pensam de forma diversa, conforme que em todos os planos a tramitação dos projetos segue a mesma facilidade da Câmara de Vereadores como instância ratificadora. - Essa postura obriga especialmente o Ministério Público a uma reação redobrada, já que, no caso do parque, fez a impugnação que lhe cabia. - A grana do 13º do funcionalismo está, desde ontem, na conta corrente de servidores ativos e inativos estaduais. Há a intenção do governo de pagar também dezembro antes do dia 31. Com isso há um ganho indireto: a participação da massa de servidores, tanto nas compras de Natal como nos investimentos em férias e lazer.
FOLCLORE Alguém achou ontem, no passeio matinal no Parque Barigui, que o jacaré parecia meio doidão antes do foguetório. Imaginem depois.
CROMO Meu neto de 3 anos, Ângelo Antonio, não deixa por menos: depois de um passeio no Zoológico, quer de presente um leão e um cavalo de verdade. Apenas.
AFORÍSTICO Há mentiras piedosas que devem ser respeitadas, mas verdades que também devem ser ocultadas porque mais ofendem que libertam.





