Não é apenas o senador Requião que insiste em dizer que o Paraná faliu. Aliados de Lerner - e quem os tem nessa quantidade e qualidade dispensa a existência de adversários - parecem proclamá-lo quando dizem que a arrecadação do ICMS não teria acompanhado o ‘‘punch’’ da economia. Em suma, fazem coro com o discurso catastrofista de oposição como se a entrada de alguém do ‘‘peito’’ do governador pudesse reverter esse quadro. O próprio Gionédis, que já se mostrou confuso no triunvirato palaciano, causa de toda a bronca dos deputados estaduais, anuncia como sua preocupação maior aumentar a arrecadação, com o que reafirma seu absoluto desconhecimento da matéria.
Como Miguel Salomão, ora deslocado para o Planejamento, não é permeável aos políticos (e isso é uma necessidade imperiosa de Estado, ainda mais em quadra como a atual de transição para a reforma fiscal com instrumentos como a Lei Kandir que tomou 16% de nossa arrecadação), estes vinham pressionando o governo. Eles querem a caixa arrombada, o Banestado disposto a lhes conceder empréstimos que não pagarão (na lista de inadimplentes, como sempre, há vários deputados e alguns dirigentes de entidades conservadoras) porque a campanha eleitoral está aí, tinindo. No fundo de toda a grita que há por aí e que redundou nessa reforma secretarial, especialmente a dos Transportes e a da Fazenda, há precisamente esse intento: o de agregar demandas, acertar pleitos de campanário e os mais abrangentes de clientelas como o de empreiteiras. Não esqueçamos que o Paraná tocou uma obra federal, a duplicação da São José dos Pinhais-Garuva, como prioridade, o que estrategicamente é discutível.
O erro de Salomão foi o de não ter feito, sistematicamente, a interpretação dos dados mensais da arrecadação, o que deu margem a que a oposição insistisse em que as despesas com o funcionalismo, efetivamente elevadas e por culpa de decisões de Lerner, estariam comprometendo a viabilidade da gestão pública. Como o governo é uma Torre de Babel e não opera em vasos comunicantes, os políticos se aproveitaram da deixa para fazer esse jogo.
Pois bem: a arrecadação não vai aumentar no tom desejado. O Paraná teve o apogeu de rendas em ICMS no governo Lerner com R$ 3.192 bilhões em 96, o que já havia acontecido em 95, com R$ 2.955 bilhões. Antes disso apenas em 86, um feito atípico, havíamos chegado a R$ 2.813 bilhões. Apesar da desoneração do ICMS, Lei Kandir, mal compensada nas transferências federais, o desempenho é dos mais satisfatórios. O governo ampliou a folha de pagamento, quase dobrada, (professores, polícias Militar e Civil, o trem da alegria de mais de 500 nomeados logo após a posse, a dobrada de reajuste para secretários de Estado e mais recentemente os 170% aos cargos em comissão e os 80% do pessoal de nível universitário e mais o das universidades) e com isso alterou bruscamente o modelo de gestão financeira anterior, alimentado, é claro, pela inflação e a correção do fluxo de caixa com as aplicações que chegavam a render 40% ou 50% ao mês. A questão é de despesa, mal programada, e não de receita.
Como em campanha eleitoral o caixa tende a ficar meio frouxo dá para imaginar quanta insensatez ainda está por vir, uma vez que os políticos têm horror de qualquer forma de austeridade e o governo confuso descomprime as suas crises fazendo o revezamento de pessoas, como se dá no futebol com a troca de técnicos, o mais das vezes para aplacar a ira da torcida e da crônica.
BIZARRICE O Bicudo, o juiz de futebol Valdir de Córdova, era o assessor de relações públicas do diretor da Polícia Civil, Toleb Baleche. Cândido Martins de Oliveira, o secretário de Segurança, achou que aquele auxiliar é que dava as tintas do nível de relação com os meios de comunicação e tratou de levá-lo como uma espécie de salvador. Toleb sai, Bicudo fica e a insegurança também.
Como se viu, ontem, outra vez, no assalto ao posto do Banestado no Tribunal de Justiça. Que governo, meu Deus!
MICRO PC Todo político tem o seu PC: o de Canet era Paulo Pimentel (tesoureiro de campanha e na qual andou ganhando apostas); o de Lerner, o Mário Petráglia; o de Requião, o empreiteiro Chico Calle e o de Álvaro Dias, o Nassib Jabur. Agora há um show de farisaísmo quando se descobre que Lula tinha o seu e cuja operação era em cima de consultoria técnica da CPEM acertada por Roberto Teixeira, compadre do barbudo e que cedia casa para ele morar. O esquema, bem limitado porque restrito às prefeituras, teria rendido a grana para a caravana de Lula. A caravana passou e a ‘latitude’ dos cães, como dizia um ex-deputado do Paraná, só se manifestou agora.
FOLCLORE Em 52 ou 53 estávamos em manifestação cercando o Palácio São Francisco, então sede do governo. Estudantes cobravam de Munhoz da Rocha o fato de ter havido violência policial em manifestação popular no dia anterior (uma greve da carne, se não me falha a memória). Bento conversava com seus auxiliares e a uma sugestão teria feito o gesto de uma ‘‘banana’’(a mão esquerda no antebraço direito), recusando a idéia do assessor. Bastou isso para que se dissesse que o governador tinha dado uma ‘‘banana’’ a nós. Versão se sobrepôs ao fato e ficamos todos ‘‘embananados’’.
CROMO ‘‘A igreja está andando’’ - disse o meu neto Luisinho ao olhar para a torre da igreja do Cabral com as nuvens em movimento.
AFORÍSTICO Mais forte do que a oposição é quase sempre a linha de frente dos aliados. Vide os governos estadual e federal.

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