Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O poujadismo necessário
Poujadismo foi um movimento importantíssimo na França contra abuso fiscal. Um parlamentar de nome Poujade o encarnava e, com uma garra de ONG, pressionava o governo para tentar neutralizar sua cupidez tributária. Nunca estivemos como hoje carecendo de algo semelhante: as razões de Estado, de agora como ontem, continuam as mesmas e muitas vezes elas estiveram nas razões que determinaram mudanças históricas como a da reação dos nobres contra o reino e que gerou a primeira carta constitucional, a do rei João Sem-Terra em 1215 e muitos dos movimentos nativistas do Brasil.
Pois às vésperas da tão decantada reforma tributária, que à maneira de Godot é ansiosamente esperado e não chega, vemos o prefeito de Curitiba deitando e rolando em abusos como o do IPTU, irmanado ao governador com a manobra imoral da antecipação do IPVA. Taniguchi não está só nessa missão vandálica, pouco se importando com as derrotas sofridas no Judiciário em matéria fiscal e insistindo na prensa até em cima de isentos de tributação, mas que autuados se vêem constrangidos.
Já lembrei que alguém, com mais talentos do que os do prefeito curitibano, a dama de ferro Margareth Tatcher, caiu do seu império, que parecia não ter fim, por causa dos abusos com um tributo assemelhado ao IPTU. O pior é que a lei aprovada, além de inconstitucional, por desobedecer não apenas o texto da Carta, mas a jurisprudência e a doutrina firmada na superior instância, está aí para oprimir a esmagadora maioria do povo e exigir a reparação judicial.
BIZARRICE
Rubinho Ferreira está convencido que Beto Richa segue a carreira do pai: elege-se prefeito e depois governador. É tão mão aberta quanto o pai. Tanto que deu um pirex de R$ 1,99 para uma entidade social de Guaratuba
AXIOMA Essa manobra sobre os desmanches lembra em muito as encenações da Polícia quando exibe suas viaturas, giroflex e sirene acionados, pelas ruas de Curitiba. Ela passa como a banda de Chico Buarque, não deixando sequer um pingo de saudade, já o retorno é mais demorado do que poema de poeta bissexto.
GLOSA O anarquista Elísio Marques não deixa por menos: ao erguer casamatas e cercas no Centro Cívico, é possível que Cassio e Lerner estejam seguindo a regra de Backunin: O ímpeto de destruir é uma vontade criadora.
EPIGRAMA Se o décimo terceiro do funcionalismo estadual não sair na segunda feira próxima teremos um sinal expressivo de que o pagamento de dezembro pode também atrasar. Isso pode dificultar o pagamento do IPVA antecipado, tão desejado pelo governo. Um bumerangue poético.
MELHORA O País melhora no plano institucional mais do que no social e no econômico: o processamento em Curitiba da Corretora Fortuna (isso seria impensável pela figura envolvida dez anos passados), o enquadramento de toda a diretoria do Banestado no governo Álvaro Dias no crime de colarinho branco e mais os casos da CPI do Narcotráfico. A quebra de sigilo e processamento de Solange Antunes Rezende, atual assessora e ex-sócia do ministro da Defesa por causa de questões ligadas ao crime organizado no Espírito Santo. De tudo, porém, pelo menos no Paraná, nada excede a pressão da sociedade organizada dando apoio ao Ministério Público nas ações contra o chuncho em Londrina.
SPRAY Na sessão de hoje do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, a última do ano, teremos uma síntese do quadro observado no ano: três mandados de segurança contra a ParanaPrevidencia (corre o risco de ser natimorta, se mantido o entendimento do STF sobre os aposentados) e nada menos de 16 pedidos de intervenção em municípios em precatórios requisitórios e indenizações trabalhistas, em maioria, além de mandados de segurança contra o próprio TJ e mais dois contra o Tribunal de Contas. - Toledo é o campeão das solicitações de intervenção (sete), aparecendo ainda Morretes, Congonhinhas, Loanda, Cambará, São José dos Pinhais, Paranaguá, Maringá e Londrina. - Incidente rural de Campo Bonito (aquele em que morreram três PMs, linchados por sem-terras, e mais o líder Teixeirinha) foi levado pela Pastoral da Terra a Washington, para julgamento num órgão de direitos humanos da OEA, Organização dos Estados Americanos. - Fundação Atlântida, ONG criada para defender nosso litoral, sugere coisas para o planalto como duas passarelas sobre a BR-277, uma no Mercadorama, outra na Coca-Cola (propõe que as duas empresas se imcumbam da iniciativa já que o governo quebrou). - Ainda na rodovia, a proposta é de que a operação retorno aos domingos se dê após as 15 horas, com automóveis descendo para o litoral pela Graciosa até a meia-noite, o que aliás já fora prometido pela concessionária Eco-Via. - Nas praias, a prioridade é o aterro sanitário de lixo da Praia de Leste como ocorreu em Guaratuba (quase pronto e parado); colocação de lixeiras nas praias e que hoje só existem nas centrais de Caiobá e Guaratuba. - Cresce a onda de que a Chrysler vai fechar. Ela tem capacidade para produzir 800 unidades/mês, faz a metade e não tem mercado ao ponto de haver paralisado atividades por sete vezes. - O capitalismo é bem curioso: na teoria, o discurso é de que o risco faz parte do negócio, mas na prática não é bem assim. Apesar de terem levado todas as vantagens fiscais, concessão de terrenos, querem mais garantias.
FOLCLORE Nem todos os empresários estão mal diante da globalização e do governo: o Conselho do Patrimônio da área cultural deve dar salvo-conduto para que Salomão Soifer derrube mais árvores e faça um empreendimento comercial no Bosque do Gomm, no Batel. Com o diz a cantiga de roda: Vamos passear no bosque, enquanto o Seu Lobo não vem.
CROMO O analista olhou o pobre e fez a indicação: compre um celular que você se sentirá em outra classe social. Calça remendada, telefone na mão.
AFORÍSTICO Se René Descartes vivesse em nossos dias sacaria a frase lapidar: Eu consumo, logo existo.





