Luiz Geraldo Mazza
O processo de degradação política é algo que lembra a aposição de sal numa lesma que se dissolve. Esse risco aumenta nos regimes de opinião pública mais agudos em que os meios de comunicação se tornam sensíveis a escândalos e os escracham com a maior tranquilidade.
Há uma espécie de fome insaciável do público por esse prato e, em consequência, há uma rotatividade de padrões dessa patologia a todo instante. Como a Globo anda perdendo audiência no seu Jornal Nacional, este se transformou numa espécie de Aqui, Agora do SBT com filtro e mais QI, tal a frequência com que a demanda de morbidez é atendida da forma a mais primária possível. Nem aqueles contrapontos de poesia e curiosidades bizarras entram no mix para dar molho suave ao show de violência, exposição da miséria, que acabam apenas transmitindo ao público a sensação de impotência, de que nada vai mudar e a esperança já não existe.
Aliás, uma das esperanças que os meios de comunicação tentam preservar é a figura do presidente FHC, hoje com a metade da credibilidade que detinha há um mês. Tanto que o superdimensionamento da corrupção do PT, na qual se sugere a existência de um micro-esquema se comparado ao de PC Farias e aos demais existentes por todo o país, inclusive aqui, tenta desqualificar os que reclamam - com a máxima razão - a implantação da CPI da compra de votos.
Antes do que poderiam esperar, situacionistas sofreram revés com o tucano Almino Affonso, como relator dos processos de cassação dos deputados acreanos, renunciando ao seu posto e pedindo também a CPI. A estratégia de esfriar o tema se aproveita do feriadão e transforma-se o Corpus Christi de ontem num habeas corpus para o sistema, provisório é claro, mas eficaz porque o governo aposta na amnésia da população e joga tudo nessa direção.
Uma consequência desse processo será a reavaliação do que houve aqui no Paraná com o bloqueio à entrada de Lerner no PSDB. Hoje, ainda mais com essa carga de desgastes, quem precisa do apoio do governador paranaense é FHC e aí as razões paroquiais dos ressentidos de eleições municipais não têm o menor peso. Se para FHC é indispensável esse apoio porque Lerner é a maior liderança meridional, conforme atestam os Ibopes, para o governador ela traz mais ônus do que bônus. E como Lerner é ambivalente, contraditório e se amarra nas indecisões vai continuar levando pau de Álvaro Dias que o acusa de não ter equipe e sim um grupo econômico e de realizar um governo virtual, aliás arte em que o acusador era também especialista.
BIZARRICE Nessa estória de arbitragens acertadas há verdades que lembram lendas, por sua efabulação, e que às vezes ocorrem em mais de um lugar. Num Atletiba o major Couto Pereira estava na Ribeira, estrada antiga de São Paulo, pronto para recepcionar o árbitro do jogo. Caiu de costas quando viu o capitão Manoel Aranha, dirigente rubro-negro, parente dos cobras da CBD como Ciro Aranha e outros. Também no norte paranaense houve um caso igual numa disputa entre a Cambaraense e a Associação Desportiva Jacarezinho.
SPRAY A casa metralhada do Jardim Centenário virou alvo de curiosidade com as placas metálicas colocadas na frente. Benefício para os moradores veio sob a forma de mais policiamento, embora não exista queixa formal do caso. - Há mistérios demais em Curitiba: bloqueia-se de todas as formas o clareamento das distorções da Leasing do Banestado, embora várias pessoas já estejam com o sigilo telefônico e bancário quebrado. Quem jamais cedeu nessa investigação foi justamente Murta Ramalho, ainda presidente. - Outro mistério: Lerner está pretendendo colocar diretores informais no Banestado a pretexto de assessorar Manoel Garcia Cid. Um dos melhores presidentes do banco foi Abage que era empresário como o presidente da Rural de Londrina e não precisou disso. Vamos parar de inventar, pois de repente o Senhor Xis assume uma diretoria. - Outra perplexidade do governo: pretende designar Murta Ramalho para o BRDE, com o que recua na idéia de extinguí-lo, entrando na onda dos gaúchos. - Mistérios ainda insolúveis: o atentado, há um ano e meio, ao secretário de Segurança e um que entra na fila é o desse assalto ao posto do Banestado dentro da Assembléia. Se diante da casa do secretário e no interior do Legislativo há espaço para essas ousadias é porque estamos realmente perdidos. - Mistério político é o de Lerner diante do risco da expulsão do PDT, tanto dele quanto do Rafael Greca. - Maurício Schulman vai retornar informalmente à Fazenda, onde já foi titular, como conselheiro, conforme anúncio do Gionédis que pelo menos com isso se mostra humilde ao revelar não entender nada do riscado. É a Torre de Babel.- Deu para perceber, ontem, em algumas regiões do Paraná que a prática de fazer os tapetes artezanais para a procissão de Corpus Christi pode ser um atrativo turístico desde que devidamente coordenado e promovido. -
FOLCLORE 1 Agora só falta a lista de prefeitos que condenam o bloqueio dos empréstimos no Senado ser tão falha quanto os prognósticos da entrada de Lerner no PSDB. Daí, então, não há saída. Basta de intermediários: Renato Aragão 1998.





