Urbanismo fascista
A calhordice e a paranóia levaram a um novo lay out do Centro Cívico de Curitiba, tudo em função do acampamento sem-terra. O professor de hidráulica, Omar Sabbag, lembrou que com mais áreas pavimentadas menor será a absorção da água pelo solo e o resultado será enchentes e mais lama. Não aquela alegórica, que essa não há dreno que a depure, mas a outra de barro e água.
Ontem ficou demonstrado que tendo a bancada de vaquinhas de presépio, com que conta no Legislativo, o governo não precisa temer manifestações. Tudo o que ele quer, como se protegido pelo Ato 5 (que ontem fez 31 anos e precedeu a arrancada do atual governador, primeiro como presidente do IPPUC e em seguida como prefeito, nomeado por alguém que pouco depois seria cassado), obtém e por via legalíssima. Como se deu ontem com a tramitação do IPVA.
Quando se intensificaram as resistências de arquitetos e urbanistas à trama da reforma ditada pelo terror pânico das manifestações sociais, o governo agiu à sorrelfa, de madrugada, como se temesse que esses profissionais liberais montassem um acampamento defensivo no Centro Cívico. Uma super concentração de máquinas garantiu o início das obras. Se o acampamento do MST já superava, pelo menos na ótica de alguns turistas do exterior, como arquitetura o Jardim Botânico e o Ópera do Arame, imagine-se o que não se daria com uma proposta de protesto feita por arquitetos não oficiais.
O negócio é esfolar o povo, como no caso da antecipação do IPVA, para tirar grana a qualquer custo e de qualquer jeito e assim fingir que são normais as finanças públicas, estouradas pela gestão atual. Esfolar o povo e não deixá-lo chiar é a palavra de ordem do sistema, ruim de urbanismo, pior de urbanidade.



BIZARRICE
No ‘‘Linha Direta’’ da Globo desta semana é esperado, com urgência, que se apure o destino de mais de 500 pessoas que desfilaram de luto no Calçadão de Londrina, sequestradas abruptamente. Um desaparecimento alegórico é melhor do que um concreto como os da Argentina e Chile, mas não deixa de ser um caso de deboche público

AXIOMA Quando faço referência ao delírio dos defensores da utopia regressiva do agrarismo costumo citar o Manifesto Comunista como uma condenação feita por Marx dessa ilusão. Como me pedem para que cite o trecho, lá vai: ‘‘A burguesia submeteu o campo ao domínio das cidades: criou cidades enormes, aumentou grandemente a população urbana em comparação com a rural, e assim salvou da imbecilidade da vida rural uma parte considerável da população’’. Isso em 1848. A urbanização e a industrialização eram a alavanca do chamado parto da história provocado pelo conflito de forças sociais antagônicas.
GLOSA Pegaram a diretoria da Seguradora Gralha Azul (Banestado) maquiando o balanço da instituição e sugerindo lucro que não houve. Se isso for crime, a maioria das diretorias do Banestado o praticou, como de resto se dá em todos os bancos estaduais, daí a necessidade extrema de sua privatização.
EPIGRAMA Como no futebol, falta à nossa prática política o inesperado, o homem surpresa, aquele que faz o gol quando menos se espera, vindo lá de trás.
BRIZOLICES O Leonel usa muitas expressões gauchescas para pichar os que abandonam a causa como Roberto Saturnino, Marcelo Alencar, César Maia, Lerner e agora o indefectível Garotinho: ‘‘Eles estão costeando o alambrado’’. A referência é ao gado que se aproxima do limite da cerca para tentar pulá-la.
SPRAY Apesar de toda a onda da sociedade organizada em Londrina contra os inomináveis desmandos da Comurb e da Ama, autarquias municipais, há grande confiança na vitória de Antonio Belinati em Londrina, o que foi ressaltado no encontro de ontem, presidido por João Elísio. - Se em Curitiba a vitória de Cassio Taniguchi parece inquestionável, desde que o senador Roberto Requião não dispute pelo PMDB, o que restabeleceria a aliança esquerdóide já dos pleitos anteriores, em Londrina não há outra saída fora de Belinati nas forças aliadas. - O PSDB tem mais de um candidato (Alex Canziani e Hauly) e o PMDB um fortíssimo, ainda mais se Requião disputar na Capital, com Cheida. - Antonio Belinati confia que depois de mais uma eleição em Londrina se tornará o candidato ideal para o governo: no aspecto penetração no interior leva vantagem sobre Taniguchi, que é conhecido apenas na Grande Curitiba. - Dão como evidência dessa disposição de ser governador o fato de o atual secretário do Trabalho e do Emprego, José Carlos Gomes de Carvalho, ter vendido um apartamento na capital para os filhos do prefeito de Londrina, o deputado estadual Antonio Carlos e as suas irmãs Cintya e Simone. - Já no último governo indireto que tivemos, o de Ney Braga, apareciam como postulantes pelo PDS Saul Raiz, Otávio Cesário, Pimentel, Lerner e Belinati. Raiz levou a melhor e perdeu a eleição para José Richa. - As aprontadas da ‘‘Olho Vivo’’, que promovia o Telebingão Milionário da SBT, no Paraná e em Santa Catarina, podem deixar mal a situação financeira da Associação dos Funcionários do Banestado. Calote de vários milhões. - A UEL perdeu posição em relação ao ano passado no provão, mas continua como a primeira do Sul do País, a quarta do Brasil. Tem dez cursos entre os melhores do Brasil; Agronomia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Med. Veterinária, Odontologia, Relações Públicas, Serviço Social, conforme lista da Editora Abril. - Enquanto isso, a Federal, de Curitiba, aparece em 16º e perdendo feio da Unioeste que está em 8º (FSP). - Dia 17, Guilherme Rocha Campos, do Departamento de Cirurgia da Universidade do Sul da Califórnia, defende tese de doutorado na UFPR na área de laparoscopia.
FOLCLORE Se Brizola ouvir mais uma fala de Alvaro Dias como nacionaleiro, acaba entronizando-o como candidato. Afinal, ele é mais palatável que o Garotinho.
CROMO Tratores expulsaram borboletas e pássaros do Centro Civico: como sempre, muito eco (não aquele da novela) e pouca lógica.
AFORÍSTICO Manifestantes de Londrina contra a corrupção usavam roupas tão escuras que acabaram não sendo vistos por queima do filme.

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