A reforma do secretariado acomodou os hormônios do Legislativo, cuja rebelião era de iniciativa integral de Aníbal Khury, mas está longe de resolver o ponto nodal da questão - o imobilismo do governo em iniciativas políticas. Não será com os jogos florais diários do Rafael Greca que a Casa Civil voltará a ser a principal estrutura de assessoramento de Lerner. Dos últimos chefes de Casa Civil o melhor, disparadamente, foi Euclides Scalco. Convenhamos, porém, que aquele foi o governo mais democrático de todos que tivemos e a brandura de Richa não impediu que as respostas aos desafios fossem dadas na hora certa.
Não será com esse mexe-mexe que se mudará a ausência de tonicidade muscular, a paralisia que marca essa gestão no ‘‘front’’ político, o mais vulnerável de todos. Dá a impressão que os lernistas, como ocorre com os fernandistas no plano federal, não tomaram consciência de que o governo está marchando firme para a exaustão e se houver a necessidade de desimcompatibilização terá seus horizontes, porque lhe resta um cronograma apertado para movimentos. O delírio da reeleição, tida como certa, o que já não se pode afirmar de boca cheia, face à sordidez da compra de votos, que tisnou a imagem presidencial, parece aos áulicos, especialmente, um argumento forte para desprezar a urgência.
O que, por exemplo, vai fazer um Gionedis na Fazenda: as mesmas operações que desencadeou no campo da política ao lado de outros mosqueteiros palacianos e que marcaram o estilo trapalhão do governo? Vem aí para aumentar a arrecadação estadual, segundo se diz. Mas justamente em tempo de recessão e época pré-eleitoral apertar as cravelhas do comércio e da indústria, que sempre votam no time que está aí, é algo curioso. Só na flagrada esperteza da truta com o ICMS vários dos aliados de Lerner estavam na parada de sucesso. Dois dos chefes da operação fraudulenta tinham sido dirigentes de zonais do PDT na campanha de 85. Pois Lerner fez o que lhe cabia ao mandar tocar o processo.
Dá para imaginar o que será o Greca na Casa Civil. Não haverá eclipse e ele boiará com seu jeito de lua cheia na mídia cotidiana. Haverá um ganho, no entanto: poderá fazer papel igual ao do personagem de Edmond Rostan, Cyrano de Bergerac, embora não tenha nariz pontudo, falando em lugar do governador e batendo nos desafiantes. Afinal ele é uma espécie de Requião mais bem educado, com notas melhores no colégio e mais articulado culturalmente. Se aparecer demais, todavia, vai dar logo fadiga do material.
Se o Planejamento, com Miguel Salomão, funcionar como a pasta operava na gestão Canet Júnior (Belmiro Valverde no setor e Jaime Prosdócimo na Fazenda), dá para ter certeza de que a lei de meios operará como plano de governo. Ocorre que tais poderes lhe foram retirados e aí nada funciona.
Garcia Cid, que deu resposta madura aos abusos dos sem-terra, pega um parada difícil no Banestado, acusado por Requião de ter uma quadrilha a dirigí-lo sem que qualquer pessoa do governo ou a instituição dessem qualquer resposta. Vem aí mais bomba em cima do braço paraguaio, o Del Parana, quanto a esquemas de lavagens de dólares, adequadas aliás ao país em se processam.
Enfim as mudanças podem significar como se o Coritiba botasse o Zambiazi no ataque só porque fez os gols no Atletiba e passasse, para descompensar, a sofrer por falta de alguém na defesa para o jogo alto.
BIZARRICE E se o governo federal, reconhecendo os desgastes sofridos, depender seriamente da aliança com Lerner para a reeleição, como é que fica o bico dos tucanos, notadamente os devotos mas sem votos?
SPRAY Rafael Greca, podem escrever, vai crescer politicamente, se resolver ir ao PDT para enfrentar o pedido de expulsão.- A dificuldade é aceitar a visão de heróis gordos. Fidel, quando fez o discurso do ataque ao quartel de Moncada, era um jovem fogoso e hoje, embora querido em Cuba, já está com um ar inajustável ao perfil de um mártir. Don Quixote é melhor que Sancho Pança para o papel. - O vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio, falou mal do governador e com todo o direito. Aí o PT gravou o papo e botou no horário eleitoral. A jogada oportunista nada tem de mal e até, segundo o Samek, autor do ‘grampo’, serve para tirar do partido a fama de falar mal. Só que o PT é um omisso, tanto em Curitiba como no Estado. Quando age como oposicionista, mais parece linha auxiliar do Requião. Como se viu no vexame da guerra ao Banestado, na qual ambos se deram mal na CPI. - O posto do Banestado da Assembléia assaltado mostra que a omissão não é apenas no ‘‘quórum’’ das sessões. - Nelson Justus não mais insiste em soltar a língua. Já havia feito isso na época do silêncio das montadoras, nas quais quis montar sozinho ou privilegiadamente. Agora está mais maneiro e melhor assessorado. - Lerner, no auge do seu descontrole, sobre o seu destino partidário disse que não falava mais no assunto. ‘‘Agora eu sou um túmulo.’’ Não se sabe se caiado como aquele a que se refere a Bíblia.- A disputa entre Minas e Rio pela Peugeot - este se dispõe a emprestar R$ 300 milhões ao longo de dez anos a juros de 3% anuais e aquele tenta a saída, via debêntures lastreadas em ações da empresa - dá uma idéia da razão pela qual é difícil abrir a ‘‘caixa preta’’ dos incentivos dados no Paraná. Aqueles Estados estão quebrados, o Paraná, ainda não, apesar da torcida do Requião.-
FOLCLORE Político é bicho maldoso. Bastou ser apurado que alunos de escola pública do Paraná só aprendem 50% do que lhes é ensinado para que um lernerista sugerisse que se Álvaro Dias fosse o governador, os mestres iriam receber também a metade dos seus vencimentos e, se chiassem em passeata, teriam 100% de bordoadas.
CROMO Laranja madura na beira da estrada em Cerro Azul não é marimbondo no pé, mas abandono mesmo da região.

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