Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Fascismo latente
O governador mais democrata que o Paraná teve foi Richa. Ninguém abriu como ele as estruturas do poder à chamada participação da sociedade organizada. É claro que tivemos casos isolados como no do Plano Diretor de Ivo Arzua, quando houve alguma consulta, ainda que modulada em pequenos grupos.
O dia em que se escrever a história dessa mudança no Paraná será preciso reconhecer que Richa, em função do programa suprapartidário que o elegeu, já que o PMDB era uma federação de oposições, é o detonador desse esforço.
Verdade também que essa perspectiva constava já do Plano de Ação de Ney Braga, elaborado pela Sagmacs, orientada pela filosofia do padre Lebret, mas apenas como doutrina mobilizadora. Tanto que percebendo o dualismo capitalista entre o econômico supervalorizado, e o social subestimado, o documento sugeria duas secretarias as de Mobilização Econômica (Fazenda, Copel, Codepar, Banestado) e as de Mobilização Social (Educação, Segurança, Saúde, Trabalho, Cooperativismo etc). Uma tensão dialética permanente no interior do governo e que ficou apenas como documento, já que como prática jamais foi testada.
A reação de arquitetos e urbanistas à idéia malsã de mexer no lay out do Centro Cívico por horror às mobilizações populares é um bom sinal. Nenhuma classe profissional é tão condicionada ideologicamente como essa por força do lado bom (ninguém deu tanto prestígio à profissão) como do negativo, que é a lavagem cerebral do lernerismo em Curitiba. Isso é maturidade, como é também o Fórum do Orçamento de Curitiba alertando sobre a superestimação da proposta orçamentária da prefeitura, e ainda a reação dos transportadores à volúpia com que o governo estadual pródigo quer tomar o IPVA antecipadamente.
Como a reação do contribuinte é democrática, a do governo se torna primária com a mobilização de fiscais em cima de empresários, como já houve com o Muffato no Oeste e que acabou sendo absorvido pelo Grupo Sonae. Ontem, fizeram plantão na empresa de Valmor Weiss, que está fazendo buzinaço contra o abuso com o IPVA. É a democracia deste governo: primeiro é frouxo com os sem-terra e permite que fiquem no Centro Cívico, e depois os despacha com rigor e ternura, como se viu num dos editoriais. É o primeiro passo da irracionalidade.
Exemplo de participação também as reações a que me referi dos fornecedores dos supermercados e montadoras, cujos problemas ora vividos o governo Lerner subestimou, sem enxergar o choque anafilático do novo perfil da economia. Só falta agora botar fiscais fazendários em cima deles e depois a polícia.
BIZARRICE
Se houvesse em Curitiba o nível de participação, ora vivido em Londrina, uma glória dos seus 65 anos, o governo estadual entraria na linha ou pularia fora porque não dá para imaginar a sua continuidade sem que a ira tome conta de toda população
AXIOMA Pelo Tele Cidadão, acionado pelo Guelmann, soube-se que 94% do povo era contra a manutenção do acampamento sem-terra. Agora o governo quer saber o que a plebe pensa do IPVA, só que democraticamente vai ocultar os resultados como de resto não vai ouvir nada sobre a ação da PM em Londrina.
GLOSA O governo estadual, que pretende coibir manifestações políticas com medidas urbanísticas, poderia sugerir a Londrina, depois do que houve ontem com a passeata no Calçadão, que se enchesse o espaço de barreiras. Cada vez que a comunidade quisesse se manifestar, seria previamente treinada pelos atletas da prova de corrida com barreiras. Dava para incluir em breve como um novo tipo de maratona. Como se vê, o fascismo pode levar à democracia.
SPRAY O oportunismo do senador Alvaro Dias chega a ser irritante. Agora, com o pretexto de opor-se às privatizações, o que não constava do seu ideário, se é que tem algum, quer impedir que a Petrobras venda ações que, de forma alguma, como já esclareceu Hélio Duque, não ameaçam a integridade da empresa. - Ajudou a preparar a Telepar, que era empresa modelo, para a privatização e não chiou, alegando que nada podia fazer porque não tinha mandato. Barbosa Lima Sobrinho não tem mandato e luta pelas estatais como fator de soberania há oitenta anos. - Outra coisa: se houvesse fervor em Alvaro pela intervenção estatal não fecharia o Badep e muito menos, enquanto na Telepar, não estimularia o processo que a degradou com as terceirizações. - Cada Provão reafirma o que digo da UFPR: perde das estaduais e não pode, em hipótese alguma, fazer confrontos com Santa Catarina. - A UEL de Londrina, em dez cursos avaliados, obteve sete conceitos A e três B. A Federal de Curitiba teve seis conceitos A, quatro B, três C e até um D para Jornalismo. Só falta agora o consulado contestar o Provão. - A de Maringá teve dois A e sete B. - A Unioeste teve avaliados 12 cursos: sete A, três B e dois C. - A de Ponta Grossa foi pior: de oito cursos avaliados, teve um conceito B e sete C. - A de Guarapuava obteve um A e três C de quatro avaliados. Está melhor que Ponta Grossa. - Tomara que isso sirva para emulação interna e sobretudo de recuperação, o mais rápido possível. - Dou graças hoje de não haver aceito participar do júri da Editora Abril, que analisa o 3º grau.
FOLCLORE O deputado Orlando Pessuti quer emendar o projeto do IPVA e estabelecer desconto de 20% para quem pagar em janeiro. Está substituindo a Ana Paula Arósio, bem mais fotogênica, e que oferece 21 sorrindo.
CROMO Há sequestro de pessoas e de imagens, como a Globo fazia com as Diretas Já até sofrer o ataque em automóveis da equipe de jornalismo. Será que haverá sequestro das pessoas que desfilaram ontem no Calçadão em Londrina?
AFORÍSTICO O senador Requião vive a passagem do ano em Paris. Pode vir cantando com os pobres de Paris// aprendi uma lição... Pelo jeito, os parisienses é que estão aprendendo com os pobres brasileiros.





