Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Paraná em Marte
Explora-se muito o fato de a Nasa ter perdido a sonda em Marte, que iria investigar a existência de água no Planeta, e sofrido um prejuízo da ordem de U$ 165 milhões. Ora, o governo paranaense, este que quebrou o Estado, gastou, em cinco anos, um pouco mais do que isso só em propaganda.
O pó do Planeta Vermelho é testemunha da prodigalidade ianque. Aqui não há vestígios dos feitos dessa propaganda: a credibilidade do governo prossegue em baixa e o governador, para não mergulhar no tédio viaja, não para Marte e muito menos na maionese, o que se faz em rotina no Chapéu Pensador, mas para o mundo exterior. A cada oito dias de trabalho, um deles é para as viagens. Se houver o cálculo dos deslocamentos no Brasil teríamos algo com dois dias de viagem a cada semana de permanência.
Até hoje o governador não respondeu a interpelação pública do jornalista Abdo Aref Kudri, presidente do Sindicato dos Jornais e Revistas, impressionado com a monumentalidade dos gastos, quando na chamada mídia impressa local não houve sequer 5% desse investimento. Mas a Nasa, se emplaca a missão, descobriria fontes de suprimento de água que criariam menos inconveniências e dissabores que o Aquifero Karst, de Colombo. Mesmo fracassando, o investimento se justifica mais do que o havido no Paraná e que certamente foi desviado para fantasias nobres como a dos Jogos Mundiais da Natureza, algo só cabível em mentes muito pródigas.
BIZARRICE
O açodamento para faturar a onda da CPI do Narcotráfico e posar de austero levou o senador Alvaro Dias, na condição de chefe do PSDB, a um escorregão: queria que o deputado Baratter, superficialmente apontado como envolvido, abandonasse a liderança do partido até o fim das investigações. Quebrou a cara porque o procurador de Justiça de Cascavel cortou-lhe o barato que pretendia fazer, com leviana compulsão, em cima do Baratter. A pressa é inimiga da promoção
CARÁTER Os políticos estão mais próximos do karatê do que do caráter: o que os deputados estão fazendo relativamente a Aníbal Khury é prova, a um só tempo, de reação tardia e de pusilanimidade anterior. Se concordavam pela omissão com o que Buda fazia no cotidiano deveriam ter agora o pudor de manter o statu quo por mais algum tempo ou então desmantelar toda a estrutura do sistema de poder por tantos anos mantido.
Mas as coisas não param aí. Aníbal tentou legalizar institucionalizar o sistema drugstore de rede farmacêutica, utilíssimo porque em todas as suas unidades mantém um farmacêutico 24 horas por dia, o que não acontece nas demais, e os deputados (é claro que depois de sua morte) apresentaram projeto com sentido inverso, proibindo tal alternativa.
AXIOMA O MST vai montar um presépio na Boca Maldita e mostrar Jaime Lerner como Herodes. Certamente o Menino Jesus vai ser o Stédile quando criancinha.
Se colocarem agora o Lerner como Herodes, imaginem o que lhe reservam para a Semana Santa. No mínimo vai aparecer no cenário, talvez como Judas. Curioso mesmo vai ser quem personificará o Bom e o Mau Ladrão. Da oposição não há risco porque todos são santos.
A propósito de Jesus na cruz, um humorista sugeriu que se o laudo ficasse a cargo do Badan Palhares poderia ser atestado como suicídio.
GLOSA A prefeitura, ao tempo de Lerner, sugeriu que o Ligeirinho seria adotado em Nova York. Até agora, nada. Pois agora anunciam que o sistema de Curitiba será usado em Los Angeles, USA. Por que não aproveitam para colocar os anjos esvoaçantes do Rafael Greca naquela cidade como fizeram aqui no Jardim que leva o mesmo nome?
EPIGRAMA A crise é realmente intolerável. O governo pensava em distribuir bolas de borracha às crianças pobres, já que as de couro são caras. Por enquanto se sabe que para os pobres, que reivindicam, há balas de borracha.
SPRAY Pelo andamento dessa matéria do IPVA e sua absurda antecipação dá para imaginar que o custo da operação subirá muito no Legislativo, acabando nas célebres sessões de período extraordinária com mais grana aos deputados. - Se o governo cumprir a promessa (é mais da secretária Maria Elisa do que do Giovani Gionédis a informação) de pagar o 13º no dia 20, não escapa de duas coisas: ou mais antecipações do ICMS, como faz regularmente, ou pega dinheiro no mercado a título de Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) e busca a amortização rápida com a grana do IPVA obtida também de forma precoce. - Já se sabe que por operar na fantasia os orçamentos públicos do Paraná, inclusive o da municipalidade de Curitiba, que detém maiores condições de racionalidade, são peças de realismo fantástico. - O senador Requião anda desconfiado com o déficit de R$ 1,9 bilhão do exercício de 98. Não é para menos: em 97 o balanço fechou com uma dívida de mais de R$ 3,4 bilhões. - Amanhã, salão nobre de Direito Federal, 8h30, o sindicato dos fiscais estaduais promove seminário sobre a reforma da Carta e da Previdência. Debatedores: o constitucionalista Clémerson Cléve, jornalista Carlos Chagas, ex-deputado Ruy Brito de Oliveira Pedroza. Faz parte de programa de contrapressão política à mexida em direitos adquiridos. - Também amanhã, às 19 horas, Museu da Imagem e do Som, debate sobre a Guerra do Pente na comemoração dos seus quarenta anos. Precedendo as discussões será exibido o filme de Nivaldo Palito Lopes.-
FOLCLORE O debate em torno de quem fez a dívida paranaense lembra a anedota do cara que solta gases no interior do elevador e faz o ar de indignado e de furiosa condenação aos presentes. Governo e oposição aí se enquadram.
CROMO Meu neto, Luisinho, 6 anos, de beca, ontem no Centro de Convenções, lançando para o ar o improvisado barrete da formatura do jardim. Ângelo, o menor, de 3, levanta o dedo indicador contando que passou para o jardim 1. Eles me fazem virar doutor em ternura.
AFORÍSTICO Senadores se anistiando de multas eleitorais: ovo da serpente de Fujimori é chocado assim.





