Luiz Geraldo Mazza
A paranóia do revide
Bastou o Roberto Baggio não aquele que perdeu o pênalti que nos deu a Copa em 94, mas este do MST, que está quase sempre em off-side, impedimento, embora não dê a menor bola para o apito do árbitro anunciar que dará uma surpresa, durante as festas, ao governador, para que a paranóia tomasse conta da área de segurança, notoriamente o setor mais desastrado. E tanto que não resolveu até agora aquele atentado sofrido pelo secretário Cândido Martins de Oliveira e que ainda acaba se transformando em tema do Linha Direta da Rede Globo.
Como se fossem tomados por uma espécie de remorso pela remoção do acampamento sem-terra, os policiais, tanto civis como militares, temem algo mais debochado ainda, como se tal fosse possível, para retrucar o despejo. Pensam nas maiores loucuras como desfiles de freiras e padres, dando cobertura a sem-terra, até a fixação, outra vez, no Centro Cívico, antes da sua reurbanização. O pavor é criativo: imagina-se até a repetição de cenas de massacre como as havidas no Coliseu Romano com o insensível governante, ao lado do assessor mais gordo, meio com jeito de Nero, com o polegar apontado para baixo na ordem de execução e o grito em latim, quando se dava o golpe de misericórdia no gladiador abatido: Peractum est.
O fato é que nada menos de sete viaturas, aquelas grandes da Rone, com dois ou três homens, ocupam todos os pontos do Centro Cívico. A expectativa gera ansiedade e volta e meia acionam os giroflex, o que parece ajustar-se ao clima das luzes, tão decantado no Natal. E que tal se os sem-terra repetirem a cena do governo Requião, quando os invasores da Ferrovila ocuparam a Avenida Luis Xavier, atrapalhando as festas natalinas do Bamerindus, e de lá só saindo ao captarem a hostilidade no olhar de todos os curitibanos, inclusive dos mais humildes revoltados com tamanha demagogia. O pior é que a Polícia Militar nada fez, certamente por ordem do governo, permitindo, em primeiro lugar, a invasão da Ferrovila e depois o acampamento lona preta no calçadão da Rua XV.
Sabe-se agora que a PM não se omitirá, mas de outro lado se mostra alarmada como se não tivesse serviços de inteligência e contrainformação confiáveis.
BIZARRICE
Mais de uma vez já se usou o ato de defecar como cena teatral. Até no Brasil há uma delas, o Lá, de Sérgio Jockiman, com o personagem preso no WC. O ato de soltar gases já apareceu em filmes como no Cabo Ash do cinema alemão. Pois agora há até um anúncio de um medicamento contra gases, em que uma bela mulher quase derruba um garçom para disfarçar o ruído
AXIOMA Funcionário da hierarquia do Tribunal de Contas anunciou que iria pedir a rejeição das contas do governo de 1998. Dá para prever um relatório com restrições, mas recomendando, em parecer prévio, a aprovação. Isso aí é a mesma coisa que alguém anunciar publicamente que vai tocaiar alguém.
GLOSA O MST tirou o sono do governo: há gente desconfiada até com a sonda que caiu em Marte, sonhando que apareçam por lá os acampados do Centro Cívico.
MIRAGEM Se a paranóia no meio do governo, especialmente da área policial, por causa da ameaça do sem-terra, continuar, é preciso iluminar bem o homem nu, símbolo do paranaense, na Praça 19 de Dezembro, que pode ser confundido com um gigante sem-terra, apesar de sua postura de jogar de porrinha ou de palitos.
Pelo jeito, o Grupo Sonae não está conseguindo se ajustar bem na capital e mesmo no interior: a bronca da clientela do Mercadorama é contra a baixa qualidade dos serviços prestados. - O Sonae já teve um problema sério com a sociedade paranaense, quando tentou oprimir seus fornecedores. Intervenção da Assembléia Legislativa, ao tempo de Aníbal Khury, com a ameaça de supressão dos incentivos fiscais à fábrica da Tafisa em Piên, levou o grupo ao recuo. - A tentativa do dirigente atleticano, Mário Celso Petraglia, em impedir que o comentarista Valmir Gomes trabalhasse na Arena não é nova. No passado, a diretoria do Ferroviário, hoje fundido ao Paraná, vetou a Rádio Guairacá nas transmissões no Durival de Brito e esta usou uma escada Magirus e conseguiu dessa forma burlar a proibição, ganhando ainda a aura do martírio. - A Rádio Independência, na qual Valmir Gomes trabalha, está esvaziando o seu departamento de jornalismo dentro dos próximos dias. Demissões à vista, mais encurtamento do mercado de trabalho e as faculdades de jornalismo, depois dos 2000, pretendem lançar nada menos de 700 profissionais ao ano. - A polícia, se estiver interessada em denúncias sobre desmanches de automóveis, deve consultar os anais da Assembléia Legislativa e um discurso nela pronunciado pelo ex-deputado Luis Cláudio Romanelli, que dá locais e nomes. Romanelli se obriga a entender do assunto porque é transportador de cargas. - Lojistas da Arena esperavam faturar os tubos numa concentração de evangélicos. No primeiro papo, o pregador falou contra os vícios. Ninguém vendeu nada. Aliás, eles levam os seguidores para a reserva do dízimo a atitudes modernas no controle dos orçamentos domésticos. Sem pinga, sem fumo, o sujeito vive mais com a família. Há uma tese de mestra da Universidade Rural (RJ) que mostra a face moderna da própria Evangélica do Reino de Deus até no respeitante ao controle familiar.
FOLCLORE O turista, em Paranaguá, vai na padaria do Torres e pede um pão francês. O Torres dá o grito: Pontaria, traz um pão francês. O turista quase cai de costas quando vê o empregado com um olho aberto e outro fechado.
CROMO Fernanda Rocha, de anjo no baile de máscaras dos jornalistas. Se lhe pedissem que voasse poderia responder: Não posso. Sou filhotona, mais penugem do que asas!
AFORÍSTICO Quem pensa que Lerner fica em segunda época no Tribunal de Contas está delirando. Por mais ousado que seja o governo, a cautela do TC é sempre a mesma: sugere dureza, mas aprova tudo, uma dinâmica dissimulada.





