Luiz Geraldo Mazza
Ao contrário do que visou a rebelião garibaldina - a de que, conforme o romance O Leopardo, de Lampedusa, se fizera uma ruptura para que tudo ficasse como estava - a mudança desta Folha é feita com o imperativo da permanência e da durabilidade. Já nos anos setenta, quando assinava a coluna Curitiba Especial e executava projetos especiais da sucursal, fui a Londrina em companhia do diretor regional, Ubaldo Siqueira, para propor mais ou menos o que se fez agora em consequência do fato de o jornal aquela época ter expressão estadual e mais do que isso supra-regional, pois circulávamos mais do que os diários de Mato Grosso do Sul em Campo Grande, por exemplo. Por causa da diferença de fuso horário, a Folha estava nas mãos dos habitantes da Cidade Morena antes do que em cidades paranaenses.
Obviamente havia alguma resistência, pois Londrina tinha no jornal e na sua marca digital, vinculada ao município e à região, um dos seus orgulhos. Algo assemelhado à circunstância de ao Rio de Janeiro restar hoje apenas o fato de ser a capital da indústria cultural, via Rede Globo, depois de haver sido a capital federal, a capital cultural, condições que perdeu para Brasília e em todos os demais aspectos para São Paulo, inclusive no futebol.
Razões fortes de mercado - e isso se dá com os veículos nacionais, como se vê com a Folha de S.Paulo em suas edições regionalizadas e com o caso típico de O Globo (que não tem pretensões a jornal nacional, no que está certo, pois na verdade não os temos, voltando-se para os bairros-cidade com público-alvo determinado) voltado ao Rio - obrigam a essa segmentação e hoje, com a competição, ela se torna mais impositiva.
Londrina continuará editando o melhor jornal do Paraná como já faz os esforços mais consistentes em matéria cultural (teatro especialmente com as ações dessa missionária da causa, Nitis Jacon, que desde seu início aqui em Curitiba revelava inspiração e determinação), fortalecendo-se como pólo civilizador de primeira grandeza e forja de lideranças.
E parte de Londrina, e isso não é hoje, o maior esforço de integração cultural do Paraná, sustentando seus valores de estilo e vocação para reafirmar a sua cruzada pela unidade na diversidade, traço comum do mosaico paranaense.
BIZARRICE Perguntar não ofende: Sem o Jonny Varisco, o Desgoverno Lerner - que já é pirão sem sal - não vai ficar sem tempero?. O questionamento é do advogado e anarquista Elísio Marques. Outra dele sobre a rotatividade e ascensão funcional: Elas andam tão rápidas ultimamente que tem juiz de comarca de entrância inicial que não chega a conhecer o BWC do forum!.
O exagero das comparações - e o crítico é juiz aposentado - tem mais sentido pedagógico do que irreverência.
SPRAY Para esfriar a moringa, Lerner e dona Fany ficaram em casa domingo para assistir ao filme Louca Escapada, adequadíssimo para a sua situação política diante da sinuca em que o colocaram Requião, o PSDB e aliados. - O que há de palpiteiro insensato na proposição de reforma secretarial não está em gibi nenhum: ontem, até o fim da tarde pelo menos, dava-se como certa a designação de Rafael Greca para a Casa Civil. Prólogo do epílogo do governo, segundo um setor lernerista, que enxerga aí um maior foco de intrigas do que o atualmente existente. - O choque entre secretários de Segurança e de Justiça é inaceitável, mas ocorre naturalmente diante da falta de comando e de mediação do governador. Um está de olho na mídia por ter pretensões eleitorais e o outro, não, porque voltado à seriedade magisterial de um assunto que domina como membro do Ministério Público. - Totalidade dos prefeitos repudia ações de Requião no bloqueio aos empréstimos do Paraná. O senador permanece insensível, como é do seu estilo, já que sonha em imobilizar o Estado e depois voltar como o salvador. - Os líderes da lavoura familiar já haviam pedido a liberação do Paraná, Doze Meses inutilmente como também associações de pequenos e médios produtores. - Governo está sendo pressionado a tirar todos os indicados de Mário Celso Petraglia do primeiro e segundo escalões. Há muito oportunismo nisso que até outro dia se poderia considerar uma ousadia. -
Aníbal Khury e seu filho Ricardo, diretor do Banestado, que segundo o senador é tocado por uma quadrilha de ladrões, estiveram em visita a Roberto Requião lá no Bigorrilho no sábado. - Concurso para secretário de Juizado Especial (estariam já com 1/3 dos processos) teve apenas 101 dos 240 inscritos. - Miguel Salomão me escreve para mostrar que no atual governo a arrecadação do ICMS atingiu seu ponto máximo: em 95 foi de R$ 2,9 bilhões e em 96 de R$ 3,1 bilhões. Ao longo de onze anos, até então, descontada a inflação medida pelo IGP, o ponto máximo tinha ocorrido em 1986 com R$ 2.813. Período forte de quedas foi o de 90-93 com isenção a microempresas e hiperinflação pós Plano Collor. - Juízes Rogério Etzel, de Foz, Antonio Mansano Neto, de Cianorte, João Vicente de Oliveira, de Piraquara, vão ser promovidos para Curitiba, Maringá e Ponta Grossa respectivamente. -
FOLCLORE Segundo adeptos de Requião, o governo está esperando que o ator Toni Ramos, em defesa de sua integridade profissional, já que faz propaganda do Banestado, processe o senador por haver dito que o banco é dirigido por uma quadrilha de ladrões. É que nem o governo e nem o banco se mexem.
CROMO O sol e a chuva lembram o governo: não se firmam.
AFORÍSTICO Nem toda passividade é covardia. A do Ghandi por exemplo.





