Há quem acredite que a oposição no Paraná esteja forte em relação aos seus últimos feitos: a liminar que suspende a concessão da Ferroeste, o bloqueio do Senado aos empréstimos internacionais, a resistência ao programa modernizante da educação. Na verdade a oposição não está forte, o governo é que é fraco.
Se inexiste vitalidade para enfrentar um senador, Roberto Requião, hoje aureolado pelo vitimalismo da cassação e por isso mesmo merecendo todas as atenções dos seus colegas, que lhe dão solidariedade oferecendo-lhe posições relevantes em comissões como a da venda dos títulos públicos, imagine-se se houvesse algo mais articulado como uma ação em bloco do PSDB-PMDB-PT.
Um governo deve ter sensores agudos para antecipar-se aos acontecimentos e isso inexiste agora no caso do Proem, até porque o professorado, ao menos na parte sindical, se atraca em qualquer assunto para mostrar saúde e não foram tomados os cuidados prévios no encaminhamento da questão tanto nesse campo como no Conselho Estadual de Educação. No passado recente inexistiu também na questão, singela, da venda das ações da Copel, assunto ideologizado de forma primária e que evidenciou o quanto o governo está mal assessorado em termos de massa cinzenta e de cobertura política para encarar desafios. Tudo se repetiu agora no leilão da Ferroeste.
Com os aliados que têm, vide o caso exemplar da Polícia Militar, esse governo pode dispensar inimigos e adversários. Apesar do amplo domínio sobre a mídia, o que afinal é uma regra permanente, quebrada apenas em casos isolados, e a boa imagem nacional de Lerner, o situacionismo se arrasta. E por isso dá a impressão de que a oposição é forte e vigorosa e o derrota facilmente no tatami sem aplicar o rigor daquela regra que manda aproveitar a força do seu adversário. Este é flácido, não tem tonicidade muscular, e por isso cai em movimentos simples que dispensam o ‘ippon’ devastador.
BIZARRICE - Dentre as estórias fantásticas de fraude nos esportes, conta-se a de um empresário da terra, à época ligado em turfe, que trouxe um cavalo de São Paulo, de altíssimo valor, burlou toda a vigilância e o fez disputar carreiras com menos classificados. Diz-se que chegou ao cúmulo de pintar o cavalo para disfarçá-lo.
De pintar animal tem outra, e com todo o jeito de folclórica, e que teria acontecido com o delegado Ladislau Bukowski, grande policial dos anos 50 e 60, e que teria sido enganado por alguém que lhe vendeu um pássaro pintado como se fosse canário. Os que negam veracidade ao fato dizem que o Bukowski o faria (ao vendedor, é claro) trinar em gaiola espaçosa.
SPRAY - Os ‘cursilhos’ deste governo, junto a várias clientelas (não apenas professores, mas agora prefeitos também) se darão em Faxinal do Céu. Aliás nada como o céu para tirar, por alguns momentos, o governador do seu inferno astral. - Sobre o local alguns professores, minoria resmungante de sempre, dizem que ali se fazem lavagens cerebrais, o que não é verdadeiro, como se percebe na circunstância de que 90% dos que o frequentam apóiam com entusiasmo. - Programação é um tanto quanto intelectualizada, pois haverá falas históricas sobre o Rio no tempo de Vargas e Carlos Lacerda, o conceito de cidade no Japão. Quem sabe para quebrar a rigidez de temas imediatos como a educação pública nos municípios e a questão cultural. - Um anúncio do Banestado com a efígie da República sorrindo (não um de Mona Lisa, indefinido) é um bom saque pela classificação de cinco estrelas para seus fundos. Espera-se que o balanço dê novos motivos para criatividade porque aumentou bastante a listagem de créditos incobráveis, velha deformação. - Eduardo Trevisan, deputado do PTB, mexeu em marimbondos (não os de fogo, de Sarney) ao propor que se retorne ao pagamento das universidades estaduais, pois o tema fere um tabu do populismo brasileiro. - As universidades estão quebradas, sucateadas, perdem quadros (o arrocho é tremendo) e tanto professores como alunos, afinal unidos no assembleísmo das eleições diretas, defendem a gratuidade do terceiro grau público. Deve-se a inovação de não pagar a Álvaro Dias que ao mesmo tempo recusava recursos para as universidades e até enfrentou greves por não aceitar o conceito de autonomia das corporações. - Trata-se de gratuidade seletiva, a proposta, como, aliás, existia na época em que fiz a universidade federal: tive que pedir no diretório acadêmico (o presidente era o Nacim Bacila, já falecido, mais tarde presidente do Tribunal de Contas) o acesso à gratuidade por não ter como pagar. Também havia taxas no meu tempo em escola pública para o 1º e 2º graus. Para contorná-las era preciso pleitear a gratuidade, o que fiz. - O cortejamento servil às reações corporativas é que impede a luz sobre o tema. A escola pública e gratuita, maior invenção do homem para a democracia e a mobilidade social, deve ter um mínimo de qualidade até o segundo grau. Não é o caso da escola que temos. Apenas 1% dos formados no segundo grau, conforme pesquisa recente do Ministério da Educação, domina o português. Soluções como a de evitar a repetência por decreto e comodidade nada resolvem.
FOLCLORE - O oficial de cavalaria passa pela Saldanha Marinho com um garbo que desafia a patota dos alunos do Ginásio Paranaense que passaram a assobiar e a vaiá-lo. O homem entrou com o cavalo pelo pátio e foi até o salão de entrada da hoje Secretaria de Cultura. Cena inesquecível: lá de cima, o austero professor Francisco Ribeiro, chamando o militar à ordem, e este, na parte inferior, empinando o animal como se estivesse na Hípica, a deblaterar com o mestre.

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