Um novo patrulheirismo
Como cooptar a Internet? Se estabelecer regras reguladoras já é um problema, imagine-se que desafio seria a cooptação. O governo estadual, habituado pela praxe a fazer com a mídia o que bem entende, entra em distonia neurológica, a cada vez que aparece uma denúncia na Internet. É verdade que são bem mais numerosas as informações favoráveis do que as negativas e críticas. Isso afinal derruba o conceito de que ‘‘informação é poder’’ e o subverte já que fica demonstrado que ‘‘poder é informação’’ e quem o detém deita e rola.
Uma espécie de atuação ‘‘underground’’ passa a ser usada com frequência e maior eficácia do que a grafitagem em muros. Requião a adorava e usava contra inimigos, reais e imaginários. Pois a turma do Lerner o imita e tanto que em paredes próximas ao Centro Cívico há a pergunta ‘‘Requião cadê os dólares?’’
O senador Roberto Requião usou a Internet para divulgar, com detalhamento, as famosas atas da diretoria do Banestado. É evidente que há num caso desses a quebra de sigilo, já que essa divulgação, ainda que de forma infantil liberada pelo banco, detém proteção legal.
Pois agora temos vários jornalistas e curiosos com suas páginas na Internet: a do jornalista João Meassi é uma delas e que volta e meia revela coisas dos bastidores do governo Lerner, algumas cabeludíssimas. O endereço é www.obagual.jor.br. Agora apareceu outra e que acusa o delegado geral da Polícia Civil, João Képes Noronha, de prática de tortura. Como o policial estava em função numa delegacia, vulnerável a esse tipo de acusação, a de Furtos e Roubos, a coisa se torna mais verossímil.
Há quem se preocupe, e com razão, com abusos na Internet. Há recursos para coibi-los, tanto que o senador Roberto Requião foi impedido pela Justiça de continuar a divulgar as atas do Banestado. Até, porém, a proibição, a notícia permaneceu durante vários dias em franca exposição. O caso do delegado ainda é mais grave porque se trata de matéria que tramitou no Judiciário sem haver inculpado o policial e entra agora em situação de ‘‘sub judice’’ porque a OAB-SP deu apoio ao advogado Leovegildo Rodrigues de Souza Júnior, que se diz vítima das violências, praticamente por unanimidade dos membros do conselho administrativo da corporação que apreciou o fato.
Como se vê não é uma fase auspiciosa a figuras do Paraná: Greca apontado na ‘‘Istoɒ’ como o bolão da vez, o deputado Ângelo Vanhoni anunciando que na comissão regional do narcotráfico já haveria farto material envolvendo políticos, delegados, juízes, coronéis e empresários do Paraná; nossa polícia apontada como conivente. O denuncismo é um traço do nosso tempo para o bem e para o mal. Há quem se empolgue, como dá para notar na CPI do Narcotráfico, e de uma forma que pode contaminar processos futuros de enquadramento criminal, tumultuando-os por método e, na sequência, liberando acusados e que podem até processar o governo. Pior de tudo será a frustração da população que via com otimismo as revelações sobre as conexões do narcotráfico com as instituições do Executivo, Legislativo e Judiciário e que poderiam limpar o Brasil.



BIZARRICE
MST invade o Incra. Não é novidade. Novidade seria o contrário.

AXIOMA Rubinho Ferreira e suas sugestões: pretende que se faça um bingo para a defesa jurídica do ministro Rafael Greca.
GLOSA Onde há mais esperança: estar sob a lona preta dos sem-terra ou nas casinhas ajeitadinhas, como cromo de calendário, das vilas rurais? O feio pode estar mais perto da esperança do que o aparentemente belo.
EPIGRAMA Deram na tevê que Goiânia tem melhor qualidade de vida do que a nossa Curitiba. Mandem sais, urgente, para o Palácio Iguaçu. Um detalhinho: Goiânia, ao lado de Belô (hoje deturpada) e de Maringá, é cidade planejada e leva outra vantagem sobre a capital paranaense – a menor escala.
CONTRA-INFORMAÇÃO Se a desocupação violenta da Fazenda Santa Rosa se desse depois da publicação do anúncio dos ruralistas ‘‘O Paraná tem lei?’’ acusando o governador Jaime Lerner pela omissão, a situação do governo ficaria pior. Ocorre que com o jogo que Lerner faz desagrada aos dois lados e isso pode lhe ser fatal em matéria de natureza tão radicalizada.
Alguns sem-terra já admitem ser mais interessante a desocupação por PMs do que por jagunços. Não deixa de ser um consolo para o oficialismo.
SPRAY Richa e Álvaro Dias reagiram às leviandades do secretário da Fazenda sobre a dívida acumulada que, segundo ele, 75% dela era dos antecessores. - Dá para imaginar o que Requião dirá quando falar sobre o assunto como também o próprio Mário Pereira, a cujo governo foram atribuídas dívidas já do período de Lerner. Sem auditoria independente, cada lado pode dizer o que bem entender e nós, é claro, ficaremos com nossa desconfiança em relação a ambos. - Dois presos fugiram do fórum de Campo Largo. Saíram armados de dentro da Prisão do Ahu. Como é que essas armas caíram em suas mãos? Quem sabe eles estejam querendo ir para a Prisão Industrial de Guarapuava, a melhor do mundo.
FOLCLORE Prova do nosso desprestígio nacional, relativamente à Rede Globo, foi o destaque concedido à maratona da Pampulha, Minas Gerais, e o pouco interesse para a nossa autárquica Maratona Internacional Ecológica. Na da Pampulha dois paranaenses ganharam, um no masculino, outro no feminino, o que demonstra que acreditaram menos na prova paranaense. Não foi por isso, mas uma nota da ‘‘Veja’’ sugere que Lerner abandona a carreira política. Mas ele ainda está nessa atividade? É o que pergunta um desatento.
CROMO Colho de teus lábios a pubescência dos frutos sazonados.
AFORÍSTICO Você compraria um carro usado dos nossos principais políticos? Esse é um teste fatal para a credibilidade de toda fauna.

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