Luiz Geraldo Mazza




Novas regras do jogo
Semana passada, a pedido de uma associação de jovens executivos e profissionais liberais, fiz uma palestra sobre as perspectivas que o novo perfil da economia paranaense abriria a empresários da terra. Fiz uma comparação bem didática: os pais de alguns deles, como Cecílio Rego Almeida, deslancharam na abertura dos anos 60, quando o governo Ney Braga lançou aqui os fundamentos de uma revolução com o plano de desenvolvimento que se baseava na construção de uma infra-estrutura moderna e na diversificação da economia. Era um momento de dinamismo, de oportunidades, em que a juventude dos executivos públicos se mostrava simétrica a dos dirigentes. Saul Raiz, diretor do DER, cheio de energia, acertava a construção de estradas e obras de arte com empreiteiros de sua faixa etária como o caso do Cecílio e do Joel Malucelli, aquele tempo ainda em sub-empreitadas.
Diferença fundamental daquela época para a de hoje: havia esperança no aparato público, que não estava ‘‘quebrado’’ como agora e a este se confiava função criativa como indutor de desenvolvimento, como não acontece mais. Outra diferença estava na convicção com que pessoas e instituições apostavam nessa transformação. Hoje, não: as mudanças são negativas para os empresários do Paraná e favoráveis a grupos internacionais aos quais oferecemos condições de traço delinquente, sem qualquer salvaguarda dos interesses regionais ou de qualquer visão nacional.
O governo se transformou num leiloeiro de oportunidades para os grandes, especialmente os internacionais (vide o absurdo das concessões fornecidas a essas montadoras, cujo ato de submissão lembra o dos índios dos States dando terras para o colonizador em troca de vidrilho) e perdeu a visão das cautelas relativas ao interesse nacional e regional. Vamos vender a Copel, como deseja a compulsão do leiloeiro-mór, Jaime Lerner, que disse em declaração a Aníbal Khury que preferia morrer a praticar esse vandalismo. Com isso vamos abrir mão de um instrumento-chave de desenvolvimento que permitiu, inclusive, agora atrair a vinda de tantas empresas com subsídios também nessa área.
Que espaços terão esses jovens empresários num Estado colonizado, no pior dos sentidos da expressão, tocado por uma estratégia cosmopolita que nada tem a ver com os nossos interesses? Basta lembrar a pouca vergonha, que foi o leilão da Light no Rio, garantido pelo BNDES Participações, ganho por um consórcio liderado por uma estatal francesa que acabou impondo a compra de equipamentos no exterior e também a contratação de profissionais.



BIZARRICE
O delegado Noronha insiste na tese conformista do Cândido Martins de Oliveira de que não há nada de sério nas fitas que revelam vinculações graves do narcotráfico no Paraná. Com essas autoridades dá para perceber o padrão de segurança que temos: nenhuma. Sério, como se sabe, é o fato de até hoje a polícia não ter dado qualquer esclarecimento sobre o atentado ao secretário

AXIOMA Perguntar não ofende: quando tiraram a programação Globo do empresário e político Paulo Pimentel, houve algum gesto em defesa do espoliado? Alegação de que vivíamos sob um regime militar não basta.
GLOSA Como se não bastasse ainda temos o caso do desvio da correspondência da CPI do Narcotráfico pedindo ao Legislativo estadual que monte subcomissão para examinar o tema regionalmente. A rigor não se deve olhar isso como paranóia. Afinal, extravios mais importantes como o de CPIs, ali abortadas, são comuns.
EPIGRAMA FHC avisou que os ministros Greca (Esporte e Turismo) e Padilha (Transportes) terão que se sair bem nas sabatinas parlamentares, pois se isso não ocorrer serão demitidos. Os dois casos são complicados, mas Rafael Greca detém melhores recursos intelectuais para enfrentar os senadores, inclusive os da terra, que parecem babar por essa oportunidade. Já o de Transportes, se não se sair bem vai ouvir o bordão do programa humorístico da televisão nacional: ‘‘Vai pra casa, Padilha!’’
SPRAY O senador Roberto Requião, em sua passagem pelo Norte, foi cáustico e impiedoso com o governo: disse que a Secretaria de Segurança é corrupta e frouxa. E mais, que a Divisão de Narcóticos anunciada na área cria dúvida, já que não se sabe se vai ser ‘‘a favor ou contra’’ as drogas. - Quando afirmativa desse tipo é feita é porque o governo perdeu aquele mínimo de auto-respeito. A alegação de que não se deve polemizar porque isso só beneficia o senador é meio discutível e revela escapismo. - Retrucar também, como fez o secretário, que Requião deveria explicar o caso dos dólares da mulher é fuga. Fala-se, no momento, sobre crime organizado já no foco da CPI e não é por aí que se dá respostas que satisfaçam. - Mais uma: o governo usou o peso de sua influência para impedir a veiculação de mensagem dos ruralistas na televisão mostrando a obviedade de que o Paraná é um Estado sem lei, aberto às invasões. Prova clara dessa frouxidão está diante do Palácio Iguaçu no acampamento sem-terra.
FOLCLORE Dois assessores de Alvaro Dias, o ex-deputado Hélio Duque e o advogado Carlos Felisberto Nasser, têm posições diversas sobre a venda de ações da Petrobras. Duque, funcionário da estatal, é favorável; Nasser, entendido em bolsa, é contra. Agora só falta entrar na briga aquele grupo conciliatório do ‘‘tomara que empate’’.
CROMO ‘‘Das Três Marias o brilho// que o firmamento reveste// há reflexos nos trilhos// deste Cruzeiro do Oeste// é de primeira grandeza// a luz que daí se irradia// difícil dizer com certeza// a que emana cada Maria’’. Às voltas com estrelas, em Cruzeiro do Oeste, o poeta Mário Stasiak.
AFORÍSTICO Bem já se sabe que houve extravio da correspondência: mas por que o Legislativo não faz agora a subcomissão para investigar o narcotráfico no Paraná, como foi solicitado? Se não houver interesse vai pegar muito mal.

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