Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Como o Conde Drácula
Governos paranaenses, historicamente, seguem o conde Drácula em seu horror à claridade: detestando o contraste, a informação crítica, acabam cultuando a caixa preta. De Ney Braga para cá e me refiro à primeira e revolucionária gestão só tivemos um governo que se abriu à crítica por ter sido, de todos, o mais democrático o de José Richa. Seria uma contradição em termos, se o Turco se deixasse seduzir pela tradição quando tinha, desde a campanha, o compromisso de levar à pratica até a exaustão o sentido de participação e com ele a democratização.
Nesse episódio do pedido de CPI da importação de jaquetas da PM, feito pelo deputado Ricardo Chab, apoiado por situacionistas, dá para ver de corpo inteiro a doutrina fascista, comum aos governos paranaenses, segundo a qual a melhor forma de permanecer no poder é esmagar, ainda que alegoricamente, os adversários, ainda quando imaginários. E é o que está acontecendo com as ordens do cardeal Richelieu do Palácio Iguaçu para a reversão, necessária e urgente, do processo.
Que a CPI não é boa para a paz interna da corporação militar não se discute. É que ela fomentará a disputa de bastidores por espaços, como sempre recheada de troca de denúncias. Todos os que ousam permitir a influência dos políticos na PM acabam expondo a instituição, posto que neste preciso momento ela seja comandada por um oficial rigorosamente voltado para o engajamento profissional, como é o caso do coronel Guaraci Moraes Barros.
Não adianta, no entanto, fugir à realidade. O governo Lerner permitiu que todo o setor de Segurança fosse permeado pelo jogo, às vezes baixíssimo, da ação dos políticos profissionais. E a melhora na chefia da PM e a dose maior de ousadia e determinação na Polícia Civil não vão melhorar substancialmente o cenário. A sociedade permanece insegura e a esperança é que a CPI das Drogas - venha até aqui para impacientar os acomodados e estabelecer os primeiros passos de uma radiografia aprofundada da área. Só uma força externa, fora do poder manipulatório dos agentes locais, seria capaz de revelar mais sinais do que os presumidos a respeito do desgaste da instituição.
BIZARRICE
Só faltar dizer que essa CPI do Narcotráfico e sua vinda ao Paraná não passam de brilho das especulações e que no fim tudo se reduz a pó
AXIOMA É melhor, sob o ponto de vista moral, esvaziar a CPI das Jaquetas pela desistência dos que assinaram do que fazer papelão igual ao daquela da Sercomtel que foi revertida, logo após a instalação. Esconderam aquele caso, mas havia um elefante atrás do biombo em Londrina com os temas das autarquias AMA e Comurb, que a sociedade organizada deseja ver esclarecidos.
GLOSA A ligeireza com que autoridades locais tentaram negar a presença forte do narcotráfico entre nós está sendo respondida a cada dia com um fato novo: a prisão do colombiano Joaquim Hernando Castilla Jimenez, em Fortaleza, confirma que a conexão aqui operava e com apoio em empresários, gerentes de bancos e tudo o mais. Esse Joaquim esteve preso no Paraná por corrupção ativa, ao tentar comprar um delegado federal com R$ 5 milhões. Ele fala em operações em cinco Estados, incluindo o nosso.
EPIGRAMA Convenhamos, Clube da Luta é um filme muito ruim, mas o jovem baiano pirado Mateus exagerou ao confundi-lo com um video-game. Já imaginou irromper com tiros a projeção de todo sub-produto que a indústria do cinema ianque nos manda? O clima ficaria pra lá de Apocalipse Now, sem dúvida. Mais uma reflexão do anarquista Elísio Marques.
SPRAY De repente, a operação contra o tráfico de drogas, na área do Ministério Público estadual, pode virar uma espécie de mãos limpas como a havida na Itália. - Procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacóia, pretende instituir força-tarefa para cuidar da questão. - Antes mesmo das revelações diretas de laços internos do tráfico, os procuradores de Justiça e promotores se debruçavam sobre o assunto. - Sabe-se, de antemão, que o até aqui apurado, muito vago ainda, não explicita a aguda penetração da patologia criminosa entre nós: o colombiano, preso no Ceará, que já atuou em Curitiba, deu um detalhe sobre as operações de que participava em revezamento em cinco Estados, num total de R$ 10 milhões a cada uma delas. - Vereadora Jane Rodrigues, de Curitiba, acusa o deputado federal Flávio Arns de autoritário na questão das Apaes. Ela acusa a interventora da Federação das Apaes de ter recebido R$ 68 mil em caixa e que na reintegração houve recebimento apenas de R$ 1.300, sendo que R$ 50 mil haviam sido emprestados pelo deputado Cesar Seleme para pagamento do FGTS. - Hoje nem uma entidade voltada para função tão nobre está livre dessas coisas, do personalismo e da exploração política. - No Sindijus, dia 6 de dezembro, sai chapa única com Rosemari Colussi na cabeça. Já na Associação dos Magistrados haverá bate-chapa entre Bacelar Portugal e Wagih Massad, que percorrem o Paraná em campanha. Ponta Grossa estaria com Massad, Londrina e Maringá divididas e há quem preveja que Oeste e Sudoeste possam decidir. Isso tudo é previsão difícil porque não há pesquisa, o que aconteceu no caso do CREA, cuja contagem estava em andamento desde ontem.
APELIDO CPI do Narcotráfico está sendo chamada em Curitiba de Plano 1.000 Antipó, diante de sua alegada e pretendida abrangência.
FOLCLORE Vivemos o paraíso do faz-de-conta: enquanto o acampamento sem-terra desafia a autoridade no Centro Cívico, ao governo não resta outra coisa senão limpar as áreas invadidas em Catanduvas para conter a mobilização ruralista que pretendia criar milícias. Governo frouxo é assim: não conduz e, sim, é conduzido pelo livre jogo das pressões.
CROMO Um galho de arruda na orelha pode ser didático: dar sorte e ocultar uma área do corpo mal lavada.
AFORÍSTICO Esperança é a última que morre. A não ser quando nasce agonizante.
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