Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Cada um com o seu Ferreirinha
Costuma-se dizer que o Ferreirinha de Lerner teria sido o caso, até hoje insolúvel e ainda na Justiça, do jornal Correio de Notícias, que funcionou como aríete de campanha para detonar Alvaro Dias e que deixou um rastro nada pasteurizado em função das disputas judiciais, uma delas tentando sugerir que o noticioso pertenceria a Cassio Taniguchi, Mario Celso Petraglia e João Simões, o que é improvável. Comparar a instrumentação, quase uma rotina em nossos meios de comunicação, embora sem os exageros de engajamento, do jornal com o caso da fraude Teixeirinha é um despropósito. Há razões para acreditar que o uso do falso pistoleiro teve papel decisivo no desfecho do pleito, tanto que o TRE impugnou a vitória de Requião por fraudulenta, sem no entanto intimar e ouvir o litisconsorte necessário, o vice-governador Mário Pereira. Na verdade, a instância superior não julgou o assunto e tão-somente o considerou como perda de objeto, a impossibilidade de restaurar a ordem jurídica violada até pelo decurso do tempo.
Mas agora pintou esse problema de Londrina, em que as denúncias de uso de dinheiro público não apenas para a campanha de deputado, como a do governador, passam, se devidamente comprovadas e documentadas, contaminar a limpidez do processo e podem levar a uma investigação que, se aprofundada, suscita nulidades essenciais nas eleições num espaço mais abrangente do que o da área do segundo pólo urbano do Paraná. No caso Ferreirinha, houve rapidez nas providências policiais que apuraram todo o desdobramento da farsa, quase em cima da encenação, com a prisão do artista (que dizem já ter sido atingido numa operação de queima de arquivo), o ex-motorista Afrânio, e o seu contratante, o delegado calça-curta Ananias. Agora, tudo se apurou em consequência de ações do Ministério Público acopladas às das polícias Federal e estadual.
Se houvesse oposição forte no Paraná e não limitada a ações dos senadores e alguns deputados pedindo a vinda até nós da CPI do Narcotráfico ou ainda as investidas para derrubar Rafael Greca do ministério por causa dos bingos os fatos da última quinta-feira seriam explorados à exaustão, primeiramente no plano político e, posteriormente, no jurídico-processual. A fragilidade da oposição, que além de tudo é dividida em personalismos, é de tal ordem que prefere guardar esse material para o clima eleitoral do que aproveitá-lo aqui e agora, quando tudo crepita como num flagrante. O fato é que já estamos em campanha eleitoral e o governo detém todas as condições, a despeito de tudo o que está ocorrendo, de ganhar a parada nos dois maiores colégios e com relativa facilidade, embora em Curitiba seja mais fácil pela imagem de Cassio Taniguchi, incomparável, em termos de eficiência e até probidade, com a do líder populista de Londrina.
O lado exemplar de Londrina é o da participação dos chamados entes intermediários entre o Estado e o indivíduo, que são instituições como a OAB, a Igreja, a Maçonaria, clubes de serviço e Conselho de Contabilidade que fornece gratuitamente o trabalho de auditores para as devassas necessárias. O poder político teve que sucumbir a essa pressão da sociedade organizada e isso é uma vitória legítima do sentido essencial da democracia e da cidadania.
BIZARRICE
O meirinho estava atrás ontem do prefeito de Araucária e dos secretários de Finanças e Obras para intimá-los da decisão do juiz Luis Orlando Albuquerque, da Vara Cível, que deferiu liminar que manda sustar o pagamento de R$ 700 mil pela estrada fantasma (com 450 bueiros) e estabeleceu inspeção judicial em cima da obra. Oficiais de Justiça, se continuarem atrás das autoridades, acabam se habilitando à maratona
AXIOMA Caso das jaquetas coreanas foi considerado normal no relatório da Secretaria de Segurança. O conceito de normalidade varia no tempo e no espaço. Ó tempora, ó mores, diziam os latinos, que não eram ladinos e que com isso expressavam a variabilidade dos conceitos no tempo e no espaço. Hoje é mais possível falar em Ó Tempra, ó mores, tanto foi cultuado esse modelo nos meios governamentais.
As conclusões da Promotoria de Investigações Criminais serão outras. Como eram em Londrina outros os entendimentos da procuradoria em relação à Câmara Municipal.
GLOSA Governo Lerner está escandalizado com a ocupação dos sem-terra na fazenda-modelo Mitacoré, mas dá um exemplo muito negativo com a forma como encara a invasão dos seus domínios no Centro Cívico, pela demagogia.
SPRAY Eleições do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura serão, como as anteriores, disputadíssimas. O curioso é que no CREA não vale a regra para presidente, governador e prefeito, e o presidente Ivo Gilberto Martins, que disputa a reeleição, teve que se afastar. O pleito é amanhã em todo Paraná. - O candidato de oposição é Luiz Antônio Rossalfa. A eleição tem um colégio de 26 mil profissionais e se dará entre 9 e 21 horas. - Governo empenhado em retardar, o quanto mais puder, a presença de Giovani Gionédis na Assembléia Legislativa para falar, entre outras coisas, sobre o endividamento. Já adiou por cinco vezes a convocação e à medida que a data se aproxima (dia 18) é claro o nervosismo oficial. A rigor superestimam a oposição pouco estudiosa e menos ainda aplicada.
FOLCLORE Aí o secretário do governador, ao ver o pôr-do-sol, não resistiu e disse: O senhor é mesmo um gênio! O crepúsculo da autoridade ninguém enxerga. Hoje ou no tempo de Luis XIV.
CROMO E o sabiá está aqui, perto da janela, num recital permanente: há quem não durma com o gorjeio, outros o aceitam como um chuá de água de rio.
AFORÍSTICO Falamos em normalidade e não há frase que melhor a defina do que os gritos do Jocelito Canto para o governador, dizendo-se normal.
CONSOLO O Paraná Clube foi pra Segunda Divisão, mas elegeu a Glamour Girl!





