Luiz Geraldo Mazza
Senhor X neste momento é, embora uma pessoa oculta, alguém que está acima do bem e do mal. Diz-se possuidor de mais fitas de gravação relativas à compra de votos para a reeleição presidencial e não deixa por menos: a votação tem que ser refeita porque o processo inicial está contaminado. E diz mais que não indicará mais o nome de ninguém relacionado. Está a sociedade sob o comando da vontade de uma pessoa clandestina, a quem um dos mais importantes jornais deu guarida. Então, pergunta-se, por que exibiu apenas uma parte das fitas se há mais gente envolvida?
O jornal Folha de S. Paulo, detentor das fitas e do monopólio do contacto com o estranho personagem, pode deitar e rolar a respeito do assunto, uma vez que se acha protegido por fundamentos que extrapolam a ordem jurídica: afinal, o uso de grampos telefônicos, só em condições excepcionais, é admitido e já temos além do caso das arbitragens no futebol mais esse da compra de votos.
Sugeriu, inclusive, que tem mais gente no rolo e que na operação não estiveram apenas políticos do norte.
A propósito o PSDB, que rejeitou o governador paranaense, estava em adiantada tratativa com pelo menos três dos cinco flagrados na tramóia. Deveriam entrar no ninho tucano João Maia, Osmir Lima e Zila Bezerra. Circunstâncias fortuitas impediram a consumação do fato. Isso aumenta o agravo contra o governador.
Bombeiros do sistema vão agir rapidamente para impedir que os desgastes sejam mais profundos, mas a imagem presidencial está, de qualquer forma, tisnada e a cassação dos parlamentares, como foi imaginado, não eliminará o crescimento das suspeitas. Ao contrário, quanto maior for o empenho dos pasteurizadores do governo para minimizar os efeitos danosos, maiores serão suas sequelas perniciosas. E se o silêncio prevalecer, tudo o que for presumido será admitido como bom ou livremente especulado. FHC entra em queda livre e mesmo com a garantia da emenda da reeleição pode perder, o que é difícil admitir, pois as alternativas propostas são piores ainda.
BIZARRICEAo inaugurar o Taj-Mahal do Centro Cívico, o edifício do Tribunal de Contas, o então governador Pedro Viriato Parigot de Souza fez críticas ao traço voluptuário, abusivo, da obra e perguntou se os que a conceberam teriam levado em conta a realidade econômica do Paraná e as suas prioridades. A crítica ao faraonismo de pouco adiantou: mais tarde houve a construção do anexo, imenso, e tudo ficou na mesma.
SPRAYJustiça quebrou o sigilo bancário e telefônico de vários dos envolvidos nas trapalhadas da Leasing do Banestado. As investigações se aproximam do fio da meada e pelo jeito vai dar um impacto pesado no governo.- Em nenhum momento o presidente do banco, Murta Ramalho, deixou de apoiar as investigações e isso pesou no momento em que cogitaram de substitui-lo. - Além das providências locais há um trabalho mais abrangente da Procuradoria da República em torno da emissão de debêntures não apenas de bancos, mas também de outras empresas. - 25 anos do calçadão de Curitiba tem um registro melancólico: a menor avenida do mundo, a Luis Xavier, onde fica a Boca Maldita, é hoje testemunha da crise na economia paranaense como o caso da Mesbla, dizem que hoje anda com preços muito bons, como concordatária; a galeria Garcez que pretendia ser aqui, pela Hermes Macedo, uma emulação da galeria Lafayette de Paris e que se atrofiou com o drama da mega organização; o fim das malas Ika que tinha ali uma de suas lojas; a absorção do Bamerindus, simbolizado pelo Palácio Avenida, por grupo internacional. - Voltou A Folha da Imprensa a cobrar, ontem, em sua primeira página a fatura não honrada por Jaime Lerner ainda da eleição de 94 e faz referência à cessão de 100 toneladas de bobinas de papel. Também o caso do Correio de Notícias, que fechou logo após a eleição, se arrasta na justiça. - Amanhã, 17 horas, Assembléia Legislativa, o empresário Valmor Weiss recebe a cidadania honorária do Paraná. Sexta feira passada homenageou, em regozijo pelo acontecimento, seus ex-colegas do jornal Última Hora, sucursal do Paraná, um fenômeno ainda não convenientemente estudado no campo da comunicação, com um jantar na Sociedade Abranches. Em função de UH, Valmor pegou cadeia braba em 1964 e seus colegas foram também processados. - Juízes de varas de família vão fazer curso em Guaratuba com a psicóloga Sirlei Fernandes de 29 de maio a 1º de junho. Promoção conjunta do presidente do TJ, da Associação dos Magistrados e da Escola da Magistratura. -
FOLCLORE 1Explicação do advogado e anarquista Elísio Marques para o fato de que o PCB, o resíduo do partidão, não aceitaria a inscrição de Lerner: Ora, no PCB nós já temos arquiteto, aquele menino que projetou Brasília.
FOLCLORE 2O presidente da República também está fazendo uma reflexão sobre o caso das compras de votos para a reeleição. Só que se adotar o ritmo Lerner corre o risco de só se manifestar depois de declarado o seu impeachment.
CROMOAs águas do rio Iguaçu, em tom verde musgo, respondem assim à estiagem e dentro em pouco, à falta de oxigênio, haverá algas. Nas margens degradadas os aguapés tentam depurar a agressão.
AFORÍSTICOQuando da indiscrição da parabólica que derrubou o ministro Ricupero, assanharam-se os oposicionistas pensando que aquilo poderia reverter o processo eleitoral. Agora se dá o mesmo com as denúncias do Senhor Xis que lembra em tudo o mister K de O Processo de Franz Kafka.





