Cada movimento que o governo FHC fizer no tabuleiro no sentido de responder ao caso da compra de votos será encarado ou como manobra diversionista ou como novas práticas de corrupção. Já não dá para afastar da imagem do presidente, dotado de um currículo excepcional, a certeza de que age fisiologicamente, isso para dizer o mínimo, o que ficou demonstrado em mais episódios do que o da reeleição.
A mobilização da força-tarefa para retirar a assinatura de 15 parlamentares do pedido de CPI sobre a compra de votos, uma necessidade purgativa imperiosa da sociedade brasileira e do processo democrático, resolveu o problema imediato de natureza política, mas aprofundou a questão moral. Como há clima de ceticismo e, mais do que isso, de aberta suspeição contra o governo, gera-se a condição para presumir que essa desistência de assinaturas, já firmadas, tenha tido algum tipo de custo atual ou futuro.
Como o presidente Fernando Henrique saiu em defesa do seu ministro Sérgio Motta, implicado pelo menos na interpretação das fitas divulgadas, ainda que tivesse pedido rigorosa investigação, transforma aquele que é tido como o seu ‘Alter Ego’ num intangível quando as pesquisas do Datafolha, em São Paulo, mostram que quase 60% dos consultados entendem que deveria afastar-se e mais de 90% pedem a CPI. Mais ainda: FHC caiu 5 pontos depois da publicação do novo escândalo, tal qual se deu com Fujimori, que subiu com o fim do terror na embaixada japonesa, mas caiu 15 pontos quando se informou que muitos dos executados tinham se rendido e pedido clemência. A opinião pública é assim, seus cintilógrafos são sensíveis, como também as bolsas, as daqui e as de fora.
Ao presidente da República não há outra alternativa; aprofundar todas as investigações, ainda que isso coloque em risco a reeleição. Aliás houvesse senso ético neste país as votações da Câmara estariam anuladas por causa de um vício irremovível. Se o PFL expulsou dois deputados sem aguardar o fim das investigações é porque admite, em princípio, que o fato existiu. E se existiu o processo está contaminado.
Um detalhe relevante: gravação clandestina tem valor jurídico? Tribunais têm que se manifestar imediatamente sobre isso porque, se derem sinal verde, teremos um festival de denúncias em cima de grampos telefônicos para atender de tudo, desde casos passionais até crimes, passando por espionagem industrial e guerra entre empreiteiras. Botar a ordem no caos é imperioso. Para já.
BIZARRICEA última da Boca Maldita: o Atlético Paranaense vai fundir-se com o Partido dos Trabalhadores por causa de habilidades no ‘‘apitaço’’.
SPRAYParticipação do Paraná no bolo do ICMS nacional cai assustadoramente: em 94 era 5,53%, em 95 5,24 e no ano passado 5,06%. - Apesar disso e do sistema de estímulos à exportação da lei Kandir, mal compensado para o Paraná, ainda vemos o governo escancarando as suas rendas futuras para atrair montadoras e outros investimentos. - Uma queda de 8,49% não é desprezível, ainda mais num cenário de carências como o que estamos enfrentando. - Não há como dramatizar um quadro desses, ainda mais quando as despesas de custeio (pessoal, material de consumo, material permanente) se tornam superiores à arrecadação. Aí aparecem os gênios sugerindo o ‘‘garrote vil’’ em cima de aposentados, sob o pretexto de montar um fundo de pensão, em que o governo, outra vez, como sempre, não pagaria a sua parte. - Ou ainda partem para outra saída típica do pacote fechado do neoliberalismo: a venda da Copel pelo fluxo de caixa e não por seu patrimônio efetivo, no qual há de constar a sua rede de consumidores. - Isso sem debate com a sociedade, tal qual se faz em termos federais, é tão somente fascismo. Nada mais. - Um cidadão foi, outro dia, agredido por policiais e fez a denúncia. Anteontem a sua casa foi praticamente detonada e em portas e janelas. Foi na Corregedoria e uma delegada sugeriu que era apenas uma coincidência. Polícia científica é assim: resolve tudo de bate-pronto, mas até agora não esclareceu o atentado, estranhíssimo, ao próprio secretário de Segurança. - Numa polícia que descobre dentro da delegacia de Furtos de Veículos uma atividade parecida com a de um consórcio de vendas de carros roubados, e isso em cima de um congresso de delegados da área, a criminalidade interna começa a competir com a externa e deixa a sociedade refém de todas as violências. E o governador? Bem depois que ele sair do dilema partidário talvez pense no assunto, já que igualmente o secretário precisa definir também o seu rumo político. - Em meio a uma discussão útil sobre o Plano Diretor da cidade (agora da região metropolitana), volta Cássio Taniguchi, ontem no jornal ‘‘Hora H’’ a defender o trambolho do bonde operando no eixo norte-sul. - Às vezes acho mais importante discutir o sexo dos anjos que pelo menos não aciona interesses de empreiteiras e fornecedoras. O bonde é solução band-aid e com desempenho pouco melhor do que o sistema atual. Partamos para o metrô.
FOLCLOREPerversidade houve na anedota de um brizolista sobre o encontro com Lerner ontem no Rio de Janeiro: enquanto o gaúcho cuidava da bomba de chimarrão, o governador paranaense se agarrava na de controle respiratório. Exagero. Lerner é espirituoso e chegou a dizer, decantando suas deficiências, que enquanto Brizola é um carismático, ele é um ‘‘cara asmático’’.
CROMONo aquário ou nos olhos do menino a fusão do nadar do peixe colorido.
AFORÍSTICOMais uma gravação, anunciando o fim do mundo, e todos acatam, poucos atacam.

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