Apenas uma balançada
O ato pasteurizador das crises sérias da Polícia Militar e da Polícia Civil é de uma superficialidade à toda prova. Não é crível que tudo que ali tem acontecido – desde o jamais explicado atentado ao secretário, passando pelas denúncias de vinculação com o narcotráfico e essas recentes da PM com as jaquetas coreanas e a liberdade de movimentos do vigarista Joni Rodrigues – se dê sem uma cota de responsabilidade de Cândido Martins de Oliveira.
Houve, anteriormente, neste governo, o caso da Leasing Banestado, em que Lerner promoveu o autor das irregularidades, e aquele outro do secretário da Agricultura, deputado Hermas Brandão, apontado em irregularidades no sistema de readequação de estradas rurais. Este, ainda que desgastado pela ausência de explicitação clara do que ocorrera, acabou deixando a pasta por motivos de ordem pessoal. Ficou nítido que Lerner não suporta o desconforto de decidir sobre assuntos dessa natureza, como se ignorá-los fosse o melhor caminho.
Hoje a Segurança não sofre mais a influência de Aníbal Khury, que afinal tinha uma preponderância inquestionável sobre seus pares. Só esse fator seria o suficiente para começar do marco zero num ato de rebatismo na Segurança. Se o governador tem um compromisso irrevogável com o seu secretário, é necessário que este mude a linha comportamental na pasta e se valha dessa balançada para uma virada de estilo, o quanto possível, radical.
Todos os que entendem de Polícia Militar sugerem, como medida primeira, que o governador remova todos os coronéis da reserva até porque se torna absurdo que nada menos de quatro oficiais, todos com carreira definida, estejam sem nada fazer por ausência de ocupação. É também visível que o coronel Vieira, da Casa Militar, até por essa proximidade física, tem funcionado como um preceptor da área e pelo jeito o governador não tem sido bem aconselhado como se percebe nos casos conhecidos do estelionatário que surfou na hierarquia da PM e no das jaquetas, sem falar naquele absurdo que foi o massacre de delegados por milicianos, flagrado pela Rede Globo de Televisão. Nem a gravidade do incidente tirou Lerner da inércia, o que prova que está mal assessorado na Segurança, embora esteja longe de convencer-se disso.



BIZARRICE
Numa coisa Lerner é justo. Não concede privilégios ao seu bairro, o Juvevê e Alto Cabral, alvos constantes de assaltos, como se dá, ademais, em toda a cidade. É um tratamento pelo menos de igualdade na omissão

AXIOMA Magistrados estão empenhadíssimos em fazer greve. Como esse direito, que aparece na Constituição Federal, não está regulado por lei ordinária, e o texto não é auto-aplicável, a questão não conta com cobertura legal e isso acaba inabilitanto os juízes, por suspeição, para apreciação de casos correlatos. Da mesma forma não pode o presidente do STF antecipar entendimento sobre assunto que ainda vai ser julgado: emenda para que inativos paguem a previdência bem como a eventualidade de alegação de direito aquirido.
O Brasil está em anomia, falta de referenciais institucionais, mas que não poderia chegar a tal ponto.
GLOSA Observação do anarquista Elísio Marques, que já foi magistrado e também oficial da Polícia Militar sobre o desfecho do caso das jaquetas: ‘‘Talvez aí pelo Carnaval saia uma nova marola sobre ‘‘bustiers’’ tailandeses para as graciosas policiais femininas.’’
PARAGUAÇU Há quem diga que o Antonio Belinati, um dos mais clássicos tipos do populismo brasileiro, está mais para Odorico Paraguaçu do que para a figura do Mazzaroppi, como é apelidado. O anúncio de ontem implorando para que a Câmara Municipal de Londrina apoiasse a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI, casos Autarquia Municipal de Ambiente e Companhia Municipal de Urbanização), depois de toda a resistência granítica à pressão da sociedade organizada, parece extraída da série de ‘‘O Bem Amado’’.
Afinal, se queria tanto, como deu a entender no apelo veemente, que a CEI saísse, por que não a apoiou antes? O correto seria a comissão investigar também o caso do Sercomtel-Banco FonteCindam para completar e dar lição de moral e alta resolução política na própria Assembléia Legislativa.
A quem se elege tantas vezes e até pode reeleger-se prefeito assenta bem o apelido de ‘‘O Bem Amado’’.
SPRAY Ontem o Paraná saiu da inércia: Lerner mexeu na cúpula das Polícias Civil e Militar e a Câmara Municipal de Londrina instalou a CEI para apurar irregularidades que o Ministério Público acompanha há tempo. - Boatos ontem na Assembléia indicavam que o Pretextato Taborda podia mudar de posto. Deputados confundem desejo (de alguns) com a realidade. - Espera-se que agora o caso das jaquetas seja inteiramente esclarecido, ainda mais depois da mudança abrupta, coisa incomum neste governo, do comando da PM. - Magistrados estão fazendo uma campanha que parece tocada pelo obreirismo: comparam o que ganham delegados e peritos criminais da Polícia Federal, analistas do Banco Central, auditor da Receita com a sua remuneração. Quinta, dia 4, é a data da mobilização em todo o País nas 56 associações que representam 14.600 juízes. - Quem está mentindo: o governo estadual, o senador Alvaro Dias ou o senador Requião. Cada um dá um número da dívida. O governo costuma arredondar para baixo ou para cima os dados estatísticos, conforme a situação. Se for analfabetismo e mortalidade infantil diminui, se for investimentos privados aumenta. E a oposição age em sentido contrário. Resultado: como as áreas são suspeitas ficamos sem saber.
FOLCLORE Mais uma do Elísio Marques: ‘‘Fez 30 anos da morte de Wladmir Herzog. Um general da linha dura é indicado para ministro do STM. Roberto Campos assume na Academia Brasileira de Letras. E Fernando Collor pretende voltar à Casa da Dinda em 2003. Povo sem memória. Povo feliz.’’
CROMO Giordana, arco e flecha na imaginária passarela, a que desfila como quem respira enquanto faz reportagens.
AFORÍSTICO Se o Rafael Greca for ao Senado a cena vai lembrar, podem estar certos, a Roma dos Césares.

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