Luiz Geraldo Mazza
O caminho novo
Está aí. Melhor do que os novos caminhos é o ato afirmativo de ontem na greve das montadoras. Duvidava-se que isso acontecesse por aqui e até o raciocínio foi empregado como um dos fatores que justificariam a implantação das unidades automotivas na Grã-Curitiba. Conhecessem o poeta espanhol, Antonio Machado, e a carga existencial do seu verso o caminho se faz ao caminhar, teriam excluído essa bobeira na relação de vantagens locacionais.
Aliás, dando o que o Paraná deu à Renault, principalmente, nem precisava haver a complexidade de outros fatores infra-estrutura, rede de transmissão de energia, proximidade do Porto e do sistema rodoviário etc para que a escolha recaísse na região. O profeta do capitalismo, Lester Thurow, desmontou a falácia de que isso seria vantajoso, centrando seus argumentos em razões de geopolítica, já que na América Latina apenas dois países teriam condições de atrair esses investimentos: Brasil e Argentina.
Semanas antes, a mobilização diante da Renault já havia, como se fosse um ato simulatório, demonstrado a plena viabilidade da greve. Como do couro se faz a correia, a greve veio com naturalidade e decorrente de uma ação comum dos sindicatos da categoria e das centrais com o propósito claro de romper a inércia da área obreira em tempo recessivo.
Como os empresários decidiram reajustar em 10,5% os salários, lutou-se para que o mesmo se desse por aqui. É preciso levar em conta ainda que o salário médio das montadoras é muito mais baixo em Campo Largo e São José dos Pinhais do que nos outros pontos do País e isso não deixa de ser um elemento forte de motivação.
Nada demais, portanto. Não houve a imaginada apatia e os trabalhadores cumpriram o seu dever e a sua responsabilidade. Se algum idiota acreditou que por estarmos fora do eixo das greves ela aqui não ocorreria, apenas confirmou que o raciocínio é tosco e próximo da imbecilidade.
BIZARRICE
Aquela troca de gentilezas entre Lerner e Jocelito Canto em Ponta Grossa felizmente se deu antes do início da produção, já que aquele papo rasteiro encheria os pneus da Continental e os estouraria
AXIOMA O deputado Hermas Brandão, em defesa do número de funcionários da Casa, afirmou que o Tribunal de Contas, com pouco mais de 600 servidores, gasta mais do que o Legislativo, com um número quatro vezes maior.
Agora só falta o TC investigar aquela estória das estradas rurais quando o Hermas era secretário da Agricultura.
GLOSA Ontem, Rádio CBN, o secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, achou que a reprodução das agressões do prefeito de Ponta Grossa a sua pessoa e ao deputado Plauto Guimarães, não era informação e que pegava mal para uma rádio de gabarito botar aquilo no ar.
A notícia que o governo gosta não é a que a comunidade precisa.
RANKING Sequência dos rankings: o Paraná, em 96, era o quarto mais competitivo do Brasil, à frente dos gaúchos; agora é o quinto, atrás deles. Minas superou o Rio e está em segundo. - Em PIB, o Paraná também está em quinto, mas em infra-estrutura (que pouco deve ao atual governo enleado no pedágio) está em quarto; o PIB per capita nos coloca em sexto, atrás de Mato Grosso do Sul, mas passamos dos catarinenses de quem perdíamos; em recursos federais aparecemos em quinto, e MG do Itamar Franco em primeiro. A ordem, Minas, Bahia, São Paulo, RS. - O pior está nos desembolsos do BNDES: São Paulo, com R$ 5,74 bi, Minas, R$ 1,56 bi, Rio, R$ 1,2 bi, RS, R$ 1 bi, SC, R$ 707 milhões, PR, R$ 666 milhões. Dá para imaginar: se Lerner continuasse no PDT, quem sabe fosse tão bem atendido como o Garotinho. - Quando tiraram o Miguel Salomão da Fazenda e botaram o Gionédis, dizia-se que o objetivo era aumentar a arrecadação. O Paraná é o quinto, com R$ 2,9 bi e o RS, o terceiro, está com R$ 4,23 bi com um governo de oposição. - Mas em agricultura, estamos em primeiro com a maior área colhida (7 milhões e 181 mil hectares), seguidos do Rio Grande do Sul, com 6 milhões e 75 mil hectares. Levamos um baile em telefonia fixa em sexto lugar, perdendo dos catarinenses, e na celular nem aparecemos numa lista de dez unidades na relação aparelho por 100 habitantes, liderada por Brasília com 14,6. - São números da última Amanhã, revista gaúcha que faz o trabalho junto com a Simonsen Associados. - Um dos números, que parece equivocado, é o relativo a intenções de investimento: São Paulo lidera com R$ 30,96 bi, RS aparece levemente à frente do Rio, com R$ 16,47 bi, contra R$ 16,33. O Paraná aparece em sétimo com R$ 5,82 bi, quando dá R$ 17 bi nos últimos cinco anos. - Analfabetismo: somos o nono, Roraima o quarto; expectativa de vida: sexto com 69,5 anos e gaúchos e catarinenses no primeiro e segundo lugares, com 71 anos e 70,7 anos. - Mortalidade infantil: somos o décimo com 28,5 por mil nascidos vivos. Rio Grande do Sul, em primeiro com 21,3 seguido de Brasília com 23,2 e Santa Catarina, com 23,4. Um pouquinho de moderação no oba-oba só pode ser útil ao Paraná. Badalação não preenche carência.
FOLCLORE O Paraná volta e meia é citado como exemplo em áreas públicas. Dias passados houve um encontro de secretários estaduais de Administração. O frio inesperado levou a secretária Maria Elisa providenciar casacos para os participantes. Até agora o casaco da secretária, que foi emprestado, não chegou às mãos da sua dona. Até parece uma das suas diferenças com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis.
CROMO A propósito do Antonio Machado, poeta espanhol, vamos ao verso referido no comentário sobre a greve metalúrgica: Caminhante,// não há caminho.// O caminho se faz// ao caminhar//. A greve parece ter o sentido da descoberta.
AFORÍSTICO O governador, com razão, reclamou da falta de respeito do prefeito Jocelito Canto de Ponta Grossa. O acampamento de sem-terra na frente do Palácio Iguaçu é também falta de respeito de um lado e de autoridade de outro.





