Mania do ‘‘ranking’’
Uma das inevitáveis obsessões dos marqueteiros oficiais é jogar com fatores de ‘‘ranking’’: melhor qualidade de vida, posição na renda interna, violência, mortalidade infantil, alfabetização. No primeiro item perdemos para as duas unidades sulinas; na renda interna, ganhamos dos catarinenses e perdemos deles na renda per capita. Nos indicadores sociais, quase sempre perdemos, em que pese a nossa posição destacada no conjunto brasileiro.
Agora o governo está em nova ofensiva: baseado em mapeamento do Sistema Único de Saúde e processamento da ‘‘Folha de S.Paulo’’ tenta mostrar que o Paraná é de baixa estatística da violência porque apenas quatro municípios daqui aparecem na lista dos ‘‘100 mais’’, a saber: Pinhão (40º), Guaíra (53º), Piraquara (60º) e Reserva (78º). Se Curitiba não fosse violenta, a ‘‘Tribuna do Paranᒒ fecharia e faltaria matéria-prima para os programas de rádio e TV do Cadeia, Ricardo Chab, Jotapê, Ari Soares. Além do festim diabólico do Atletiba, tivemos domingo pelo menos três homicídios, um deles um linchamento na Vila Terra Santa (cruz, credo) em Tatuquara. E foi um dia calmo.
Há um detalhe estatístico não anotado: mais uma vez aqueles dois Estados do Sul (SC e RS) dão um baile na gente. Nenhum dos seus municípios aparece entre os 100. São Paulo está em 56º e o Rio em 58º. A relação abrange apenas aqueles municípios com mais de 20 mil habitantes. Uma simulação estatística tão discutível quanto aquela a que me referi da Embratur e que mostra Curitiba batendo a Bahia, o que dá impressão de ofensiva sucessória, ainda mais depois da entrevista do ‘‘inconformado’’ – ah, idealista e quixotesco, desapegado do poder! – governador paranaense ao ‘‘Correio Braziliense’’.
AXIOMA Quem pode esperar um ano para receber uma obra no valor de R$ 28 mi? Consta que há um edital na URBS, com abertura em 4 de novembro, ao custo de R$ 100, fixando exatamente isso aí. A reação diante dessas coisas é igual aquela do cheque-boi, quando o destinatário muge quando vê a assinatura.



APELIDO
Nelson Justus, presidente do Legislativo, é caça-fantasma. Se levar a sério, a tarefa esvazia o quadro funcional. O placar eletrônico é símbolo da fantasmice. Está lá, custou caro e não funciona

BIZARRICE Nadar contra a correnteza é a tarefa diária do Renatinho Follador, o homem da previdência estadual. Tenta provar que a decisão do STF não se aplica ao caso paranaense... Ora, a interpretação nos meios forenses não é essa e a própria OAB nacional exige a intervenção do Ministério Público para impor a decisão aos Estados. A ParanaPrevidência é uma abstração que apenas toma grana do funcionário sem garantia de retorno porque não tem capital e os descontos vão para o ‘‘bolo’’ comum do pagamento do funcionalismo. Como sempre. Intenções, ainda que boas e racionais, não constituem garantia. Muitas delas estão aí emperradas como a iniciativa corsária do pedágio.
GLOSA O silêncio obsequioso do ministro Rafael Greca num momento em que pipoca - a denúncia de envolvimento da máfia italiana na questão dos bingos não é bom. Mas ontem ele falou.
EPIGRAMA Já que o Palácio Iguaçu adora ‘‘ranking’’, juntemos mais um: pesquisa da Escola Paulista de Medicina revelou que Curitiba é a terceira cidade em consumo de drogas entre estudantes do ensino fundamental e médio. Atrás apenas de Porto Alegre e Fortaleza. Indicador também de qualidade de vida.
SPRAY Assembléia Legislativa deu mais 15 dias para que a Secretaria de Segurança apure o caso das jaquetas coreanas. - O caso, juntamente com o do vigarista Joni Rodrigues, divide profundamente a PM e o articulador das ações de neutralização é o coronel Vieira, também da reserva como o comandante. Este, ao ver da facção mais profissional da PM, é a questão-chave. Há oficiais da ativa em disponibilidade (quatro coronéis), o que é um absurdo. - Ministério Público está agindo como o fez na apreensão de documentos da empresa Power Brand (do importador Georges Pantazis) que negocia as jaquetas. - PMDB agiu bem ao questionar judicialmente, através do tributarista Heron Arzua, no STF, lei estadual que instituiu o Fundo de Reequipamento do Poder Judiciário (Funrejus). Trata-se de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) e que invoca no caso a ocorrência de bitributação. - Polícia resolveu agir preventivamente para que os cartolas a culpem por absurdos como a violência do Atletiba. Faz perícias no Couto Pereira hoje às 10 horas, na Arena às 14 horas e Pinheirão às 16. Vai encaminhar resultado da vistoria à CBF, transferindo-lhe responsabilidade para o que ocorrer se o laudo for negativo. A PM vai fazer o trabalho condicionada pelo que aconteceu domingo. Pode haver interdição de todos. - Palmeira recebe neste fim de semana ambulância dos Bombeiros para operar junto aos barracões industriais e ganha ainda um centro de treinamento para aquele núcleo que já conta com 13 empresas (móveis, bolacha, polenta, urnas mortuárias). - Guerra de tevê: a Exclusiva pediu a falência da Manchete por causa de uma dívida de R$ 1 milhão. Ministério Público acatou. - PSDB quer potencializar o desgaste de Antonio Belinati em Londrina, como se viu anteontem na Assembléia, quando o deputado José Maria Ferreira, tucano, pediu apoio aos promotores da devassa. Os registros vão pintar nos cintilógrafos do Ibope e pelo jeito, isso, pelo menos no momento, ajuda mais o Cheida (PMDB) do que Canziani ou Hauly. - Mais de ‘‘ranking’’, pulsão palaciana: a última ‘‘Amanh㒒, revista séria, com pesquisa da Simonsen, mostra o Paraná atrás dos gaúchos e em indicadores sociais apanhando dos catarinas. Ganhamos em infra-estrutura que nada se deve ao atual governo, amarrado nos ‘‘anéis’’ do pedágio.
FOLCLORE Lojas de artigos esportivos, em função do último Atletiba, vão oferecer tacapes, bordunas, lanças, elmos, porretes, chicotes, zarabatanas com curare e assim por diante.
CROMO Engenheiro, ao traduzir a fábula do lobo e do cordeiro, falou em montante e jusante, rigorosamente técnico e nada poético.
AFORÍSTICO Apoteose mental não é raciocínio: o governo não aprende.

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