Luiz Geraldo Mazza
As mentiras convencionais (3)
O PMDB assegura que a dívida do Paraná ultrapassou R$ 12 bi, mas o informe oficial do Banco Central é o de que ela chegou a R$ 8,7 bilhões, de acordo com pronunciamento do senador Alvaro Dias. Detalhe relevante: em janeiro de 98 ela era de R$ 4,8 bilhões. O governo estadual usou a tradição de austeridade dos seus antecessores para apresentar-se como sério no empenho de obter convênios internacionais e aquela história dos empréstimos. Quebrou o Estado e agora se empenha em acrobacias para fingir seriedade. Jamais admitiu que houvesse a megadívida, ora viva e latejante como um nervo exposto.
Isso é mentir sempre e rebuscar essa mentira como feitos mais imaginários do que a proclamada competência, pelo menos até agora não demonstrada. As coisas não param nos R$ 8,7 bilhões porque é preciso agregar ao processo as acrobacias relativas ao Banestado, afundado por este governo nas maroteiras da Leasing e da Corretora e, mais do que isso, na ausência de critérios em empréstimos, alguns deles vertidos em notícias-crime contra seus ex-dirigentes. Só do banco oficial, mais de R$ 4 bilhões em títulos devem ser agregados à guisa de saneamento.
O governo Lerner teme o contraste, daí o seu empenho propagandístico. Como o conde Drácula, ele rejeita a luz, o que é solar, meridiano. Só o detalhe de haver dobrado a dívida, sem nada de claro que o justificasse, deveria servir de ônus a qualquer iniciativa como a de vender a Copel, símbolo imunoterápico, deste governo que não conseguiu quebrá-la, o que não o impedirá de, com sua compulsão mercantil, colocá-la à venda. Se tivéssemos um Legislativo sintonizado com a população, haveria um plebiscito para ratificar ou retificar essa decisão predatória.
BIZARRICE
O grupo homicida que se ocultou num acampamento do MST restabelece o debate: não é justo criminalizar o movimento, mas também não parece sensato santificá-lo, como se pretende e como se pratica amiúde
AXIOMA Você acredita que o governo vai capitalizar o fundo previdenciário com os royalties de Itaipu? Essa era uma pergunta comum num debate entre inativos do serviço público na Boca Maldita. Aí um deles afirmou filosoficamente: de nada adianta firmar desconfiança, porque o governo faz o que bem entende, como fez ao quebrar o Instituto de Previdência do Estado (IPE).
GLOSA O Judiciário anunciou greve nacional como o daqui já fez uma parede estadual no governo Requião. Pois hoje vai haver greve, mas dos seus servidores. Como poderá um juiz declarar a ilegalidade da greve sem incorrer em suspeição?
FANTASIA Esquema propagandístico de Lerner chegou a Brasília, sugerindo que ele é o inconformado em luta pela Presidência. Inconformado, sim, mas em cima de sua permanência no Paraná, já que levou oito meses viajando ao exterior. Será algum posto universal? O Brasil precisava conhecer melhor esse Paraná na UTI que é do ciclo Lerner.
SPRAY Governo anuncia comissão de alto nível para apreciar o chuncho das jaquetas da PM. Só que os integrantes são todos funcionários da Segurança. - Quando houve o episódio dos dólares no governo Richa, chamaram um homem do gabarito de Luis Carlos Tourinho para presidir a comissão. Isso dá uma idéia da diferença de tratamento. - A alegação de agora é que os servidores nomeados não teriam ligação com as partes envolvidas, a PM e a Polícia Civil. Ora, não consta que haja envolvimento no caso com a Polícia Civil, o que se dá, porém, no caso específico do vigarista Joni Rodrigues, que atuou entre milicianos e com a omissão da Civil quanto aos seus antecedentes criminais (a Vigilância e Capturas tinha mandado de prisão expedido contra ele desde 96). - Componentes da Comissão são o diretor-geral da pasta, um assessor jurídico e um membro da área de licitações. - Clima bem sinistro, pois o coronel Ivo Matichoski, diretor de finanças da PM, que denunciou a compra das jaquetas sem licitação (esse é um assunto que o secretário Martins de Oliveira deveria dominar por ter sido conselheiro do Tribunal de Contas), foi demitido de forma sub-reptícia em ato assinado por Dona Emília Belinati, induzida a erro. - Outra manipulação é a de que o secretário teria enviado dia 13 resposta sobre o estágio das investigações à Assembléia Legislativa, com o que o maior interessado, deputado Ricardo Chab, não concorda. - O Judiciário pára hoje no meio da tarde: a greve é do Sindijus e os trabalhadores ficarão na praça em frente ao TJ aguardando o resultado do encontro entre a comissão sindical e a chefia daquele Poder. - Uma das reivindicações é cabeluda: uma reposição salarial, concedida pelo STF e não cumprida até hoje. Mas há mais: a velha pendenga da aprovação de planos de carreira e melhores condições de trabalho. - O papelão da Feira do Paraná se deve em grande parte ao Poder Público ao terceirizar de forma imprudente a promoção, na qual alguns delírios, como a hipótese improvável de visita de 800 mil pessoas, parâmetro irreal, mostram o nível de improvisação dos promotores. Viajar na maionese contagia. - Amanhã o Fórum do Orçamento de Curitiba reúne-se com a população no ginásio de esportes da Vila São Pedro para que se faça acompanhamento da Lei de Meios. O encontro começa às 19 horas e as pessoas terão uma visão do que está sendo feito com o dinheiro dos impostos que todos pagam.
FOLCLORE Instrução recente do INSS recomenda que pensões acima de R$ 33.275,06 só serão admitidas se autorizadas por sua presidência. Depois ainda perguntam por que o Brasil está quebrado. Com pensões desse tamanho, não há quem aguente.
Isso não é pensão. É hotel cinco estrelas. Pelo jeito há maiores ainda.
CROMO Apesar de você, o poder, sabiás cantam. Sabidos levam a melhor.
AFORÍSTICO Lerner, presidente do Brasil, segundo hipótese de jornal de Brasília: quebrar o País, como fez com o Paraná, não vai ser possível porque aquele já foi quebrado.





