Luiz Geraldo Mazza
Antes, quando se falava em grampo e fita, era coisa de menina. Como era dela a boneca e do menino a bola num tempo de divisões rígidas. Pois agora vivemos sob o signo do grampo e da fita. Não bastasse o caso do futebol (antes já havíamos tido o do Sivam), agora captaram a conversa de deputados federais que venderam seus votos para a reeleição de FHC.
Voyeur, antes uma deformação sexual, que na versão brasileira era frestador, virou virtude, não cabendo sequer a qualquer pessoa indagar se é legal ou não fazê-lo até porque no Brasil, com a anomia dominante, é impossível conhecer essa fronteira. Ademais, conforme a denúncia, o simples fato de questionar a legalidade da gravação já torna, com o clima existente, a pessoa suspeita.
O curioso é que isso se dá quando mais se proclama no Brasil a existência de um Estado de Direito Democrático. Não apenas a Rede Globo dele se serve e usa ainda critérios seletivos para ver quais as partes das gravações lhe convém divulgar nessa estória do futebol. Agora também o maior jornal brasileiro, a Folha de S.Paulo, vale-se da fita para manchetear quais deputados teriam recebido grana (o Ronivon, do Acre, teria ganho duzentos paus) para aprovar a reeleição de FHC.
Há uma predisposição no público para aceitar a notícia negativa da denúncia quando envolve cartolas do futebol e políticos de um modo geral e também os empresários. A maioria do povo se sente compensada quando vê a pichação desse porte como se o escracho fosse punição suficiente, já que se sabe que o mais das vezes o escândalo acaba sem condenação. Vide PC Farias, CPI do Orçamento e agora a dos Precatórios que caminha para a mesma direção.
Mesmo que se prove, na sequência, que não houve essa trama na votação da reeleição a imagem que prevalecerá junto ao público será a do primeiro informe e, por mais bem contestada que seja, ainda assim, ao juízo das massas, não apenas aqueles deputados citados, mas a maioria dos demais (lembram do Lula citando os 300 picaretas?), é capaz desse comportamento. Caminho mais fácil para a fujimorização, ainda mais quando temos um presidente que lembra em tudo um inspirado daqueles modelos da pré-revolução francesa.
BIZARRICE Agora o Brasil inteiro sabe o que nós já sabíamos! Convenhamos: no atual cenário do futebol paranaense, os dirigentes do Atlético são os mafiosos competentes, os do Coritiba mafiosos incompetentes, e a troupe do Ernani Buchman no Paraná Clube, subcensura, camorristas diletantes. E todos dirigidos por um presidente mais para Lando Buzzanca do que para Al Capone... Do ex-juiz, advogado e anarquista Elísio Marques.
SPRAY O vexame se completou no PSDB com a retirada dos richistas e o oba-oba dos alvaristas da sessão: Lerner deu zebra no dia 12. Nunca se viu na história paranaense um governante se expor dessa maneira. - Acabou o mito da cabala em cima do número 12 que se curtia tanto na intimidade do lernerismo. - É de matar de rir ouvir o Álvaro Dias falar em coerência, quando o governador tem muitos mais créditos no PSDB por haver apoiado Richa ao governo, por respaldar FHC e ter feito aliança com os tucanos no último pleito estadual. Álvaro saiu do PMDB, andou pelo PST, PP, nos quais até apareceu em programas nacionais. - Última pesquisa Datafolha que mostra FHC na frente das intenções de votos e com 42% de aprovação por seu governo aparece a lista de presidenciáveis com Lerner com 4 pontos numa simulação (FHC 35, Lula 21, Sarney 11, Maluf 9, Itamar 7) e com 5 em outra (FHC 34, Sarney 15, Maluf 14, Itamar 12, Tarso Genro 3). - Hesitações do governador em matéria política parecem contaminar o governo: o caso da água e do racionamento constitui uma prova. Ao não saber o que fazer, a Sanepar anuncia uma campanha que de antemão se reconhece que não dará resultados. - Marcadas para o dia 25 as provas para o concurso de secretário do Juizado Especial. Provas objetivas serão elaboradas pela Escola da Magistratura do Paraná. Em junho haverá a mesma orientação para concursos de oficial de justiça e auxiliar de cartório. - Diante da onda de gravações clandestinas, o Rubens Ferreira acha que vai progredir vendendo misturador de vozes. Ora para ver como é a lógica dessa linguagem basta assistir uma sessão da Assembléia Legislativa ou da Câmara Municipal. - Documentos fortes sobre a execução do Teixeirinha em Campo Bonito, pela Polícia Militar, vão aparecer no próximo número do semanário Hora H, desde o cerco do líder sem-terra até o banho do corpo no necrotério. Esse material vai ser uma espécie de Espada de Dâmocles na carreira de Requião, como o massacre dos professores na de Álvaro Dias. -
FOLCLORE 1 Um turista que respire no centro da cidade, perto dos bueiros e bocas-de-lobo, vai admitir tudo, menos que Curitiba seja ecológica. A não ser que se invente uma fonte para jorrar essências de O Boticário. A cidade solta gazes por esses canais: os miasmas derrubam o city-marketing.
FOLCLORE 2 O frequentador da Boca Maldita viu o presidente do HSBC-Bamerindus descer no calçadão com dois guarda-costas e não resistiu ao comentário: Agora só falta, depois das torcidas organizadas do futebol, pintar por aqui alguma fração do IRA, o Exército Republicano Irlandês.
CROMO E a linfa do olho dágua em que recanto da cidade de pedra se oculta? E a fonte nutriz dos antigos poços para que estuário se dirigiu? Dessa água, com jeito de remédio, que percorre mais vias burocráticas do que rios, da Sanepar não quero saber.





