Luiz Geraldo Mazza
Na mesma tecla
Estados com a maior força política São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná vivem um problema comum de caixa: a quebra dos seus sistemas previdenciários, acentuada e consolidada, com a decisão do STF sobre a imunidade dos aposentados e a proibição do aumento das alíquotas do pessoal da ativa.
Neste fim de semana, dia 15, Jaime Lerner deve ir a Brasília tratar da sua causa imediata (a antecipação dos royalties de Itaipu) e da mediata num jogo de mobilização dos Estados, detonados pela decisão da mais alta corte, para que a base aliada promova a alteração constitucional restabelecendo a regra que já vinha sendo cumprida em várias unidades federativas, uma das quais, o Paraná, na qual só se fixava a imunidade para os que tivessem mais de 70 anos. Quem melhor se bateu pelas mudanças previdências na base estadual, como forma concreta de chegar ao ajuste fiscal, foi o governador paranaense. Não teria sentido que, havendo tomado as iniciativas, deixasse para outros a tarefa de marcar o gol.
O acerto dessas contas permitiria, com a criação do fundo para pagar os inativos, energia de sobra para conseguir, na sequência, ampliar as margens de investimentos, atualmente reduzidas de forma drástica e com isso realimentar a economia por essa indução estatal.
Como os monitores do FMI, fungando na nuca das autoridades brasileiras, não parece restar muita faixa de manobra que não seja em fundamento institucional e que salvando os Estados-membros safaria a União do seu mais grave ponto de estrangulamento das contas públicas. O ideal seria uma troca de consultas com todos os governadores, incluindo os da oposição, para uma ação sincronizada e que já no seu desencadeamento obtivesse proselitismo na base aliada, a despeito da impopularidade que pudesse representar. Modificado o fundamento constitucional, haveria oxigênio para reativar obras nos Estados e com isso dar uma parcela significativa de contribuição à retomada da economia.
BIZARRICE
Dreyer, o meio-campista argentino que apareceu em algumas das seleções de todos os tempos do Coritiba, liga para o Rubinho Ferreira, hoteleiro na Praia de Guaratuba.
Rubiño, mi amigo, advinha quien habla?
Menem, não faço a sua campanha política, ela está perdida.
AXIOMA No meio dos atletas do passado, que desfilaram em carros antigos, sábado, no Couto Pereira, estava o Carlos Melara, ex-ferroviário, hoje paranista, mas que jogou nas divisões inferiores do Coritiba na década de 20, emocionado com tudo o que via. Para quem duvida, o Bar do Ligeirinho tem um painel em que aparecem os times coxas com o Melara.
GLOSA Se o Valdir Rossoni não pede desculpas aos seus colegas e não pára de pedir verificação de quórum nas sessões da Assembléia, quem sobraria seria justamente ele, que cairia da liderança com mais facilidade como no caso da derrota para o Nelson Justus.
EPIGRAMA Se tudo o que se diz no País fosse levado a sério, estaríamos perdidos com tanta bravata: o Stédile pedindo para que as forças populares derrubassem as praças de pedágio e o governador mineiro, mobilizando a PM para impedir a privatização da Cemig. Da mesma forma se pode dizer do Brasil em Ação que usa apenas 35% de sua verba, mas 1.000% de verbo, como se viu.
SPRAY Como é que o Congresso via o governo FHC em março deste ano? Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (IBEP) fez um flagrante, hoje bastante mudado: 40% dos deputados federais deram notas de muito bom e bom a FHC e 25% de ruim e péssimo; 30% para o regular. - Pela ordem, a aprovação mais expressiva é do PSDB (70%), PFL (60%) e PMDB (45%). Quanto à atuação de Cardoso na crise econômica, o bom+ótimo é de 27% e a não-aprovação de 31%. O regular foi dado por 38% dos deputados. - O nível de informação sobre a reforma tributária admitido foi baixo para 22%, alto para 11% e razoável para 56%. O apoio é por uma reforma conservadora. - Quanto aos riscos da reforma tributária, 31% apontaram a redução da autonomia dos Estados e municípios. - 51% aprovam o acordo com o FMI, mas é expressivo o número de contrários (36%). - Grande maioria (88%), mais os deputados novos do que os reeleitos, acha possível promover-se, simultaneamente, o crescimento da economia e o combate à inflação. - O déficit previdenciário dos Estados está aí uma questão atualíssima é apontado por 28%, depois do corte nos gastos governamentais, como medida fiscal adicional. - Aparece como dominante o apoio à avaliação de que é possível modificar, nesta legislatura, as relações entre a União, Estados e municípios. - Oposição à moratória de Minas Gerais chega a 64%, porém 29% declararam-lhe apoio. No PMDB, 27% estão de acordo com a ação de Itamar Franco. - Renegociação das dívidas estaduais é para 36% a forma de reduzir o conflito federativo. - Para 49% o governo, quando necessário, deve fazer concessão à oposição. Já para 36% tal não deve ser feito. - 54% da Câmara Federal se opõe à privatização da Petrobrás. PFL (60%) e PPB (54%) são a favor, com ou sem condições, dessa alternativa.
FOLCLORE Um proprietário de terras no Noroeste, irritado com as novas invasões, compara o governador do Estado, por sua inércia na questão, a um tipo singular de espantalho, instrumento comum nas lavouras, mas que não espanta coisa alguma. Se acampam diante do Palácio, com tantas facilidades e sem qualquer resistência, o exemplo só pode frutificar.
CROMO Busquei inutilmente ânforas etruscas no Rio Barigui e só deparei com vestígios do imediato em plástico degradado. O jacaré me olha com ironia com quem alerta: aqui não é lugar de arqueologia. Muito menos de répteis de porte.
AFORÍSTICO A oposição é tão formalista que pediu um cargo de liderança com direito ao racha de mordomias. Com essa oposição, que governo se espera?





