Porque somos fracos
Volta e meia se levanta a questão: por que o Paraná é tão discriminado? Ora é Alvaro Dias, ora dona Emília Belinati, ora um estudioso que levanta a questão. Mas o que está acontecendo no Ministério do Esporte e Turismo é exemplar: ACM é padrinho, claro, manifesto, tanto que estava no oba-oba da posse do novo presidente do Indesp, área envolvida naquela bronca dos bingos que afetaram seriamente a imagem do titular da pasta.
Se num ponto-chave do ministério é colocado o ex-deputado Viveiros, ligado ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, dá para perceber que desse jeito não temos mesmo o que esperar. Pessoas com liderança efetiva e bem mais qualificadas que o ex-prefeito Rafael Greca, também comeram pelas mãos ou da tecnocracia estamental (Ney Braga no Ministério da Agricultura aceitou um secretário executivo que era da corporação permanente e teve dificuldades também, quando, mais experiente, esteve na pasta da Educação, mas aí já chegou a emplacar nomes como os de Euro Brandão e de Edson Machado) ou da política.
Aplicado o mesmo raciocínio a todos os que detiveram postos no primeiro e no segundo escalões, se perceberá a permanência desse vazio, embora alguns como o ministro do Trabalho, Amauri Silva, no governo João Goulart, tivessem levado uma equipe enorme, na qual constava o Tato Taborda, hoje secretário-chefe da Casa Civil de Jaime Lerner.
Outro dia, o senador Alvaro Dias fez candente discurso sobre o assunto ao mostrar a discriminação na área educacional em torno do tratamento concedido ao Rio Grande do Sul e a Minas Gerais, que tiveram as suas universidades estaduais federalizadas, em relação ao Paraná. Bastou isso para que um jornalista do Palácio Iguaçu, que escreve uma coluna para vários jornais do interior, o que é prova de subserviência intolerável, tirasse sarro do senador, atribuindo-lhe responsabilidades que cabem ao chefe do escriba e que prefere rosetar no exterior do que cuidar de coisas prosaicas, como tentar comandar ação comum da bancada paranaense.
Greca se rende demais ao espetáculo e talvez ache que agora há antígenos para apurar o que ocorre no campo da jogatina dos bingos. Engana-se, porém, uma vez que a mídia não o poupará nas denúncias que serão aprofundadas, como se verá na cobertura esportiva de hoje e amanhã.
Outra coisa: não será de espantar que os paranaenses não lhe dêem nenhuma cobertura, como afinal aconteceu com Alceni Guerra que, como ministro de Collor, acabou no ‘‘pelourinho’’ sem qualquer defesa. E no caso merecia apoio, como se provou na sequência.



AFORÍSTICO
Se Aníbal Khury estivesse vivo, haveria o pedido de verificação de quórum do Valdir Rossoni?

BIZARRICE Fernando Henrique, o presidente, declara, desalentado, que não é no grito que se constrói uma sociedade democrática. Referia-se às marchas de professores, de sem-terra e sindicalistas em Brasília. O pior seria um quadro de imobilismo. Alega que no silêncio o governo muda a vida dos pobres: ninguém cacarejou tanto em cima do preço do frango como o Palácio do Planalto. Se o quadro continuar degradando, repetiremos a máxima do Barão do Itararé de que ‘‘quando pobre come frango, um dos dois está doente’’.
AXIOMA Valdir Rossoni, líder do governo, promete a verificação de quórum em todas as votações. Melhor do que isso a oposição jamais poderia imaginar para um trabalho de obstrução parlamentar. Dá impressão que há aí um pouquinho de ressentimento pela derrota para Nelson Justus.
GLOSA O secretário de Segurança, por causa dos três assaltos a bancos, atribuiu a culpa às próprias agências que não cuidam das portas automáticas e do sistema de TV em circuito fechado. O povo é culpado por descuidar das atenções a seus bens (casa e automóvel) e de não fazer cursos de defesa pessoal para encarar bandidos. O povo, isso sim, é culpado pela polícia que tem. E que é pessimamente fiscalizada, como se vê no dia-a-dia.
PARADOXO Como é que a polícia paulista descobriu rapidamente que o empresário que teve antebraço amputado havia acertado aquilo para receber seguro? E a roubalheira na área pública? Não dá para descobrir ou as pessoas é que fingem que estão apurando?
SPRAY Manifestação na frente da Renault serviu de teste para o ‘‘festival de greves’’ dos metalúrgicos no Paraná. Pode sair na próxima semana. Como a Força Sindical e CUT estão unidas, o meio campo está armado. - OAB de Londrina leva com a máxima seriedade as apurações do Ministério Público sobre a prefeitura e vai fazer acompanhamento de perto. - Na mesma direção, oposição na Assembléia Legislativa tenta, no desespero, reabrir caso da Sercomtel-Copel-Banco FonteCindam. - Belinati tem tudo, apesar das denúncias, para obter a reeleição, da mesma forma que Taniguchi em Curitiba. Em Londrina, a campanha será mais dura. - Requião quer saber quem paga as passagens do motorista de Greca ao exterior. Motorista é de nome Almir, provavelmente tão confiável quanto o Tabaco o era, até um certo tempo, para o senador e com quem anda agora rompido.
FOLCLORE 1 Um magistrado deu o seguinte despacho num processo: ‘‘Li e reli. Não entendi. Se entendi, indefiro.’’
FOLCLORE 2 E há o do médico de Curitiba que fez a seguinte observação no registro de causa mortis: ‘‘Eu disse para o burro do polaco tomar a injeção no músculo e ele mandou aplicar na veia’’.
CROMO ‘‘Mão sem gesto e exata no eco// renascida sem passado,// não me deixes tão eu mesmo;// vem buscar teu colorido// antes que o espelho se parta.// Aonde vais, fluída e sem tempo,// na bicicleta do sono?// (Já estou roto; é outro o baile,// mas a valsa é sempre a mesma.)// Tão longe e tão mil imagens// se acendem ao sol do espelho.// (Colombo de Souza em ‘‘A Sombra’’).

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