Luiz Geraldo Mazza
Exageros da propaganda
Pelo jeito, o prefeito Cassio Taniguchi, de Curitiba, economizou recursos de propaganda para esbanjá-los agora em função da reeleição. A saturação é extrema e já está aborrecendo. Afinal, a casa está abalada, como se percebe na questão do instituto de previdência, o IPMC, quebrado e sem alternativa.
Não há desvios graves como os anotados pelos promotores em Londrina, mas que poderiam minar as taxas de credibilidade do burgomestre, que tem um defeito grave: sua lealdade a Lerner, a quem supera nos planos político e administrativo, é muito próxima da submissão e da dependência. São sócios de aventura e de empresa, mas não lhes faria mal o exercício da crítica e da autocrítica.
Os chavões, mentirosos, de que Curitiba detém padrões de qualidade de vida hegemônicos no País dão a impressão que Taniguchi cega quando vai à capital catarinense, Florianópolis. Um dos out doors na cidade reproduz frase do Banco Mundial, repetindo o mito, e embaixo de um deles, lá no Cristo Rei, um menino pedia esmola em contraponto à mensagem virtual.
No tempo de Rafael Greca isso não aconteceria porque Margarita Sansone conhecia os 60 mendigos da cidade e seus respectivos RG, CPF e mais o alentado supercheque.
BIZARRICE
A proposta do deputado Edson Praczyc, pastor da Universal, de cadastrar todos os frequentadores de motel provocou muita confusão. Um observador achou que não era tão radical: afinal, pretende-se cadastrar e não castrar, como alguns mais radicais já estavam desejando
AXIOMA Usando anúncios sobre riscos em substituir remédios tradicionais por medicamentos genéricos e mais alguns dos comunicadores nacionais para repetir igual mensagem, a Abifarma mostra que ao contrário do que dizem os políticos, de serem defensores dos fracos e oprimidos, ela o é de frascos e comprimidos.
GLOSA Não dá para aceitar o preço atual do petróleo, dizia aquele desatento analista e replicava: A esses preços jamais os bonzos do Vietnã do Sul se sacrificariam lançando gasolina e fogo ao corpo, lá pelos anos 70.
MEMÓRIA A respeito dessa cartelização no ramo industrial farmacêutico, dá para lembrar do trabalho de Kurt Mirow, A ditadura dos cartéis, escrito em pleno regime militar. O autor foi processado porque onde estava escrito cartéis, foi entendido quartéis.
EPIGRAMA O Paraná Clube só não vai para a Segundona ano que vem se, com a laranjada, vierem as Pílulas de Vida do Doutor Rossi. Elísio Marques.
SPRAY O governo, embora concordatário e caminhando para a falência, viaja: mal retornou já está de olho na quadragésima excursão ao exterior, uma forma de aparentar dinamismo que, dada a crise de Estado, deveria ser paga pelos que passeiam. - Paranaguá com seu porto minado pelo corporativismo e a demagogia populista, aparenta uma atmosfera de sonambulismo para um governo imaginoso, que foi visitar terminais multimodais. - Osíris Guimarães, superintendente, de repente pula fora, já que é resistente ao fisiologismo; outro que ameaça debandar é o gestor de Antonina, engenheiro Edmond Fatuche. - Dos delírios lernerianos ninguém esquece aquele que decalcou do Martinez: o da ligação Paranaguá-Antofagasta (Chile), ligando Atlântico e Pacífico. - Não temos uma só hidrovia (a Paraná-Tietê é de São Paulo) e há anos se fala num entroncamento entre ela o Rio Ivaí, na altura de Porto Camargo, que já rendeu muito estudo e não saiu do papel. Ali haveria uma hidrelétrica e o complexo multimodal, com a hidrovia, a ferrovia e a rodovia. - Salão nobre da Federal hoje, 19h05, o cartaz no Projeto Cinema e Direito é o filme Danton e a Revolução. O melhor do cinema jurídico é o clássico Andre Cayate (A justiça é feita e Somos todos assassinos). - O fascínio que o cinema (ainda) exerce sobre as pessoas e sua utilização, em debates, como motivação profissional é algo que caberia em todas as disciplinas. - No jornalismo, por exemplo, pode-se ir de clássico (O Cidadão Kane) até um comercial (Um Amor de Professora, com Clark Gable e Doris Day, adequadíssimo para o debate entre o jornalista prático e o formado na universidade). Outro, excepcional (afora Primeira Página, Rede de Intrigas e A montanha dos sete abutres), com a direção de Dino Risi e Alberto Sordi no papel principal é Uma Vida Difícil que soou como caricatura de A Doce Vida, de Fellini, que também mostra Marcelo Mastroiani como colunista de amenidades numa Roma desagregada. - Por falar em vida difícil, o Banestado volta a leiloar, dia 18, bens de inadimplentes que se viu obrigado a executar. Dentre eles, as eternas cadeiras do Pinheirão que ninguém quer, ao preço de R$ 108 a unidade. Os paranistas, já que acreditam no mausoléu, deveriam arrematá-las. Mesmo que o desfrute (o que sinceramente não desejamos) fosse na Segunda Divisão.
FOLCLORE Sai Espinosa entra Abel. Que bom se essa rotatividade dos técnicos de futebol pudesse ser amplamente adotada na vida política: mudávamos de prefeito, de governador e de presidente quando nos aborrecessem justamente pelos maus resultados. Hoje o Cassio ficava, mas o Lerner viajaria. Como ele faz isso, mesmo no exercício do mandato, ficaria tudo na mesma.
CROMO No passeio matinal, um som distinto e quando o localizamos vimos a moça, flauta à boca, fazendo exercícios de arte. Eu e mais os trabalhadores que descarregavam grama, ficamos estáticos no inesperado recital. Ela se dirigia para a Escola de Música e Belas Artes, recompondo a manhã.
AFORÍSTICO Requião vai a Belô na homenagem a Paes de Andrade e no esforço para o rompimento com FHC. Essa é minoritária, embora acredite, como se deu também nas vezes anteriores, que está na hora da virada. Pelo jeito, o PMDB só sobrevive com a volta da sublegenda.





