Luiz Geraldo Mazza
Um agito inesperado?
Uma concentração diante da Renault com palavras de ordem, quem diria? Pois é, uma das vantagens enunciadas para a vinda das montadoras era justamente a da inexistência de movimento obreiro, articulado. Ganharam a área (em torno da qual há suspeitas de negociação da pesada, como já foi denunciado), obtiveram o desrespeito ao meio ambiente com a agressão ao Rio Pequeno, mais a bárbara imunidade fiscal e ainda o governo anunciava a passividade bovina dos nossos trabalhadores, fator tão relevante quanto os de infra-estrutura.
E essa Renault, que nada concede, nem mesmo a griffe para patrocinar o time de basquete da Hortência, que custa os olhos da cara para o governo estadual (R$ 100 mil mensais, quando o masculino de Londrina mal leva os R$ 20 mil que sempre atrasam) é de repente molestada por algo, comuníssimo em seu país de origem, onde não se ousa explorar operário e roubar-lhe os direitos sociais e previdenciários como nessa terra de ninguém, que é o Brasil.
Não era greve e sim um auê de mobilização. Se sai ou não, pouco importa. O que vale é o esforço da liderança sindical para, numa conjuntura hostil, com recessão e desemprego, manter viva a chama reivindicatória. O caminho se faz caminhando, como sugere o poeta espanhol, e isso vale para os trabalhadores na construção dos seus movimentos.
BIZARRICE
Depois do Viagra apareceu agora um gel para a impotência sexual de uso obviamente tópico. Para casos extremos o uso é utópico
EUFORIA ÔCA O triunfalismo policial, pilotado pelo secretário de Segurança, em torno da gangue do assalto ao carro pagador devidamente destroçada, é arrogante. A Polícia não está com essa bola toda para dizer que o Paraná estaria vacinado contra o crime organizado. Quando do sequestro de Marechal Cândido Rondon, fez-se a mesma atoarda. Pouco depois os políticos (leia-se Aníbal Khury) afastaram um dos heróis da operação, o coronel Honório Bortolini, o que levou o comandante da PM, o coronel Mainguê, a tirar o time em solidariedade ao colega e em defesa da honra da instituição.
EPIGRAMA Eleição está virando uma chatice pelo uso de símbolos negativos. Nas próximas, certamente o bingo caracterizará Greca, e o dólar, Requião. Pouco importa se a redução é justa. O mesmo se fez com Saul Raiz e José Richa, com as certidões de aposentadoria e que eram legalíssimas.
GLOSA O jornalista Alberto Dines revela em seu Observatório da Imprensa que o senador Roberto Requião o denunciou à DOPS por haver cobrado a passividade da mídia sobre os antecedentes do político paranaense no andamento da CPI dos Precatórios. O Ministério Público rejeitou a denúncia.
AXIOMA A concessão ao grotesco no centro da cidade com a cadeira elétrica que acaba executando um boneco é interpretada de variadas formas pelo público: alguns enxergam ali um desafeto, um político odiado, mas para grande parte dos observadores é a própria Copel eletrocutada pelo governo falido e falado. Há um simbolismo forte na analogia: a Copel dá a última energia ao agonizante com a sua privatização.
Este é um governo trapalhão em todos os setores. Depois de decantar que o crime organizado aqui não entrava, vimos a rotina dos sequestros-relâmpago, alguns com o concurso de policiais de Almirante Tamandaré.
A Polícia é boa? Então por que não descobre quem atentou contra o próprio secretário, em estranhíssima emboscada no primeiro mandato de Jaime Lerner, ao que foi dado extremo destaque, e por que não se apura a operação dos encapuzados (vinte) que mataram um preso na da Delegacia de Furtos de Veículos?
Nada disso tira o mérito, excepcional, da operação vitoriosa. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém, ainda mais num setor tão vulnerável. Tanto que ontem tivemos três assaltos a postos bancários, o que é comum em dia de pagamento, como, aliás, se deveria prever.
APELIDO Renato Folador, secretário de Previdência, é um guerreiro. Estava, ontem, na Folha de S.Paulo, mostrando os efeitos calamitosos da decisão do STF sobre a taxação das aposentadorias. Se não houver nova emenda ao texto constitucional, 40% da folha dos servidores estaria isenta de pagamento.
É, por essa razão, que o apelidaram de Esfolador. Pode, no entanto, lá na frente, virar um elogio. Tal qual se deu com Manoel Ribas, denominado de Maneco Facão por causa dos cortes de pessoal e de gastos na gestão pública.
BATE PRONTO Um dos talentos de Requião é o repente, a agilidade do saque. Mas isso não aconteceu em Belô no Comitê de Imprensa, onde, ao ser perguntado pelo repórter William Santos sobre os dólares de dona Maristela, replicou com outra pergunta de que teria ouvido falar que a esposa do jornalista o estaria traindo. Repique imediato: a suposta traição da esposa do repórter era algo de conhecimento apenas do senador, ao contrário do caso de dona Maristela que, além de amplamente divulgado, é de interesse público.
FOLCLORE Essas decantadas vantagens locacionais que o Paraná teria apresentado para atrair montadoras transformaram o nosso governo em alguém como aquele dono de motel que aparece num anúncio de televisão, ao lado de Juca Chaves, e convoca a clientela dizendo Apareçam. Esse apa-re-çam é tão cadenciado que se torna irresistível, apesar do mau jeito do menestrel narigudo.
CROMO O cenário nada primaveril dos nossos dias mais parece aquela referência de Nelson Rodrigues, um clichê batido, mas talentoso, de que tudo estava a lembrar o clima do terceiro ato da ópera Rigoleto.
AFORÍSTICO Mal Lerner desce do avião, o áulico pergunta, mesmo sabendo que a próxima escala é Cambé, quando volta ao exterior. Viajar é preciso; governar, afinal, nem tanto.





