Luiz Geraldo Mazza
Pilares pouco firmes
O orçamento estadual do Paraná se baseia em grande parte em suposições, desde o valor atribuído às privatizações até a questão elementar do funcionamento efetivo da Paranaprevidência que depende, antes de qualquer coisa, de passar pelo crivo do Judiciário, onde acumula derrotas não apenas nas liminares concedidas como ainda no julgamento mais recente das câmaras cíveis reunidas e que, analisando o mérito, fulminou a cobrança da alíquota progressiva. Esse dado singelo põe abaixo toda a construção do edifício orçamentário, pois essa circunstância é indispensável para a viabilização do sistema de previdência.
Assim, pois, um dos pilares da Lei de Meios, que o governo encaminha ao Legislativo, dançou gloriosamente. Houvesse maior racionalidade no processo, seus elaboradores lembrariam, no mínimo, as dificuldades que a União vem encontrando para acertar o rombo previdenciário. Assim, pois, sob o ângulo jurídico, espera-se uma definição sobre quais as pessoas que teriam direitos adquiridos em função das taxas de contribuição e as que poderiam formar no grupo de contribuintes sujeitos à taxação renovada.
Agora passa o governo a confiar num recurso ao Supremo Tribunal Federal, onde já existe uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) aguardando o despacho do ministro Sepúlveda Pertence e que indaga uma questão, bem ao gosto daquela agremiação, quanto à legalidade do ato de atribuir a uma organização social funções específicas do setor público. Assim, pois, há numerosas pendências sobre a questão previdenciária, tanto no plano nacional como no estadual.
Não bastasse isso, o governo deveria levar em conta que seus cronogramas dão com os burros nágua. Isso ficou bem nítido no caso do Banestado, cujo saneamento atrasou e há razões de mercado aconselhando que sua venda se dê bem depois da do Banespa, enleado por sua vez, inclusive, numa cobrança de multa de bilhões pela Receita Federal.
O Paraná paga um preço elevado pelas antecipações de receita, que comumente ocorre junto a empresas privadas e públicas, e também pelas isenções que oferece nos investimentos industriais. O aumento de sua arrecadação é mínimo e não oferece resposta suficiente, mesmo que se partisse para as cruzadas de terrorismo fiscal, o que não pegaria bem em ano eleitoral. O Estado quebrou nas mãos de Lerner e a terapia aventada elege a questão da Previdência como a saída possível. A perspectiva não é boa e não se capta luz no fim do túnel.
BIZARRICE
Uma jornalista do Norte paranaense esteve nos States em visita ao Meio Oeste e, apressada para pegar o ônibus na saída do hotel, acionou o alarme de incêndio, o que provocou a chegada imediata de duas viaturas
REDUCIONISMO Uma tendência comum nas ciências sociais do Brasil acaba de atingir Curitiba: estudos específicos sobre a pobreza começam a ser divulgados e isso abre a perspectiva de cruzamento de informações com as ONGs e fóruns como o do Orçamento Público.
GLOSA Segundo Elísio Marques, o anarquista, o presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, teria retificado o seu registro civil para Jacó Jânio Mehl. Seria o Jânio que deu certo na ameaça de renúncia.
AXIOMA Curitiba é a recordista em mudança de sexo: há mais homens querendo virar mulher do que o contrário. Recorde de mudança é, porém, no campo partidário e até o dia 30 vai haver troca de legenda. Em alguns casos, ela se parece muito com a troca de sexo, dado o radicalismo da mudança.
Nos Estados Unidos da América do Norte, mestres como Michael Harrington (A outra face da América e Crespúsculo do Capitalismo) especializaram-se em analisar a pobreza como no Brasil tivemos a obsessão de Josué Castro com a fome em seus dois livros básicos: Geografia da Fome e Geopolítica da Fome. O falecido Betinho, com o Ibase, fez o primeiro levantamento da pobreza e da miséria, cujas tabulações foram vigorosamente contestadas.
A empatia pela miséria é uma constante entre cientistas sociais e que muitas vezes os levam a não perceber que os excluídos também estão dominados pela ideologia restante, a do consumismo. Observe-se um barraco (rústico na taxonomia do IBGE) e teremos noção desse fato, bastando olhar com atenção o que diz a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. Em Curitiba, mais de 70% dos que percebem até 1 salário mínimo têm domicílio próprio e nele sempre há televisores, rádios, fogões. Muitas dessas pessoas não se acham pobres por terem chegado a algum patamar de consumo.
TROCA Sai a Philip Morris da Cidade Industrial e entra a Lacta, com chocolates e refrescos, com uma vantagem: aquela não rendia tributos porque o cigarro era para exportação e tinha 1.600 empregados; a nova vai dar 2.000 empregos diretos e render tributos apreciáveis. O protocolo é assinado segunda-feira.
Um detalhe: a Philip Morris já é a maior corporação de alimentos do mundo e sabe que os dias do fumo e da Terra de Marlboro estão contados; a R.J. Reynolds também se afasta do tabaco e aparece bem no ranking alimentar.
CONGRESSO Hoje o Sindijus encerra o seu 5º Congresso no Lar Rogate. Os 53,06% de reposição a que têm direito desde 92 sofrem novo adiamento com um recurso da Procuradoria Geral do Estado. 56,6% desses servidores, conforme pesquisa recente, dependem de empréstimos para suportar despesas básicas. Em Maringá, o índice chega a 65%. Essas constatações podem levar a categoria à greve.
FOLCLORE Manoel Ribas, um copo dágua à mão, bebendo o produto de um bebedouro de animais na inauguração. A imaginação dos adversários montou muitas das piadas que o caricaturavam como um rústico. Perto do que está por aí era um estadista. Mais do que isso, um gênio.
CROMO Se as pessoas vissem no microscópio os fungos e bactérias que há numa nota de R$ 50 passariam a desprezá-la?
AFORÍSTICO Após cada anúncio dos partidos na TV, uma dose forte de Engov.





